Trade Republic pode ser alternativa a ETP do Borja on Stocks?

Análise a esta corretora alemã com um preçário muito competitivo, com "debate" acerca das ações fracionadas.

1. Contexto

Já tinha ouvido falar da Trade Republic, uma corretora alemã (sediada em Berlim) que recentemente obteve também uma licença bancária.

A instituição é supervisionada pelo Bundesbank e o Bafin, que são reguladores exigentes e credíveis.

Há uns meses o meu filho mais velho, o Lucas, disse que tinha comprado $10 na Fiverr, quando esta estava cotada em torno de $25… ou seja, o que ele comprou foi uma fração de uma ação da Fiverr.

E fez isso na Trade Republic, que será o 19º intermediário financeiro que analiso:

  1. Abanca
  2. ActivoBank
  3. Banco Best
  4. Banco Invest
  5. Bankinter
  6. BIG
  7. BPI
  8. CGD
  9. DEGIRO
  10. Firstrade
  11. eToro
  12. GoBulling
  13. InterActive Brokers
  14. Openbank
  15. Plus500
  16. Revolut
  17. Santander eBroker
  18. Trade Republic
  19. Trading 212
  20. XTB

2. Serviços para Investidores Particulares em Ações

A Trade Republic não dá para comprar TODAS as ações europeias e norte-americanas, mas dá para comprar mais de 11.000 ações, ou seja, quase todas.

Mas não tem mesmo todas as ações… não tem por exemplo a AudioEye.

O Lucas mostrou-me no seu telemovel e a Trade Republic funciona através de uma App bastante intuitiva.

Ele estava a gostar de receber 3,25% de juros anuais pelo dinheiro que tinha lá parado.

Mas quando eu lhe disse que ações fracionadas não eram ações e que ele na realidade não tinha ações na Trade Republic, movimentou todo o seu capital – que para um rapaz de 21 anos já é considerável – para duas corretoras mais antigas e “conservadoras”, a DEGIRO e a Interactive Brokers, que é por onde tem investido em ações.

Isto dos intermediários financeiros é sem dúvida muito importante (e pode ser vital no caso de haver fraude), mas à partida o mais importante será mesmo investir em ações fundamentalmente atrativas, daquelas que sobem nos meses e anos seguintes.

3. Preçário

O preçário da Trade Republic é extraordinariamente simples e objetivo: para comprar ações, sejam europeias ou americanas, a corretora cobra somente 1 €, que em princípio servirá para cobrir as taxas de bolsa.

Se cobra tão pouco, como é que a corretora ganha dinheiro?

Vende o order flow a firmas de market making e high frequency trading.

Isto significa que o bid ask spread praticado pela Trade Republic deverá ser um bocadinho de nada pior do que aquele que se poderia obter efetivamente no mercado, para que os intermediários possam ficar com essa diferença microscópica que em milhões de transações de billions geram lucros chorudos para essas firmas, que essencialmente ganham todos os dias no mercado e são bons negócios.

Firmas de market making cotadas?

Conheço a Flow Traders em Amesterdão e a Virtu Financial em Nova Iorque.

A corretora também vai buscar algum no câmbio, mas isso é comum a todas as corretoras, sendo que umas “sacam” mais do que outras.

Quando digo “sacam” refiro-me à diferença entre a taxa de câmbio aplicada à transação e a taxa de câmbio que prevalece na altura no mercado de câmbios em tempo real.

4. Apreciação Geral

Após ter estudado mais sobre as ações fracionadas não tenho uma opinião assim tão negativa.

Quando se detém menos de 1 ação (ou seja, uma ação fracionada) na realidade não se detém um título que representa a propriedade de uma empresa. E nunca se poderá votar numa Assembleia Geral detendo apenas uma fração de uma ação. Sobre isto não há dúvidas.

O que se detém é um ativo relativamente ao intermediário financeiro que presta o serviço. Este intermediário financeiro é que porventura terá as ações completas que depois subdivide pelos clientes que detêm uma série de ações fracionadas.

Se a empresa pagar dividendos o intermediário financeiro recebe-os e entrega-os aos detentores de ações fracionadas, na proporção da sua fração. Como é evidente quem tem 1/2 ação recebe 1/2 dividendo.

É provável que o tal bid ask spread numa transação de uma ação fracionada seja um bocadinho mais dilatado do que seria numa transação de uma ação completa.

De qualquer modo as ações fracionadas permitem que mesmo os micro investidores possam diversificar os seus investimentos, mesmo que seja em ações cujas cotações são bastante elevadas, por exemplo, acima dos $1000 cada ação.

Com as ações fracionadas um investidor pode, por exemplo com 500 €, comprar um cabaz de 5 ações de forma relativamente eficiente… penso que será assim, de qualquer modo terá de pagar 1 € por cada transação e o tal bid ask spread mais dilatado (e o câmbio) podem retirar alguma dessa eficiência.

Pessoalmente nunca comprei uma ação fracionada e só agora estou a descobri-las e estou a tentar manter uma mente aberta.

Sou capaz de abrir conta na Trade Republic só para experimentar… será que seria possível, com apenas $1000, replicar o TOP20 Small Caps US do Borja on Stocks, um portfolio público que atualmente tem 16 ações e vale cerca de $48.000?

E sendo possível, quais seriam os custos?

Uma coisa gira da Trade Republic é que permite programar o reinvestimento num cabaz de ações, nas proporções definidas… por exemplo, à partida permitiria comprar $1000 por mês no TOP20 Small Caps US, replicando “exatamente” a sua performance.

Esta tecnologia poderá retirar a necessidade de listar um (ou vários) Exchange Traded Products que reflictam os TOPs de ações do BoS.

Bem, vou ter de abrir uma conta na Trade Republic para experimentar e depois digo alguma coisa.

César Borja

Licenciado em Economia pelo ISEG e investidor particular em ações desde 1998. Analista Financeiro registado na CMVM. Concluiu a Pós-Graduação em Análise Financeira no ISEG, tendo obtido a certificação CEFA. Também passou no exame CFA Level I.

Ainda não tem acesso? Conhecer planos.

Iniciar sessão