Não quer perder nas ações? Invista durante pelo menos 10 anos!

No artigo da semana passada…

…limitei-me a extrapolar as tendências dos últimos 10 anos de forma a “prever” os próximos dez.

Não se tratou exatamente de uma previsão, apenas da averiguação do que acontecerá se os próximos dez anos forem parecidos, em termos de performance bolsista, com os dez anos anteriores.

E a conclusão a que cheguei, através deste método simplista, é que as ações do índice PSI, em média, vão valorizar 7% ao ano, contando com os dividendos distribuídos.

Houve quem ficasse “desconfiado” com esta “previsão”, dizendo que o futuro é imprevisível e que muita coisa pode mudar.

Ambas as afirmações são verdadeiras, de facto o futuro é imprevisível e muita coisa pode mudar.

Mas os retornos das ações têm uma consistência histórica admirável.

Repare na TMAR (Taxa Média Anual de Retorno) do índice PSI Geral em três períodos de 10 anos:

  • De junho de 2013 a junho de 2023: 6,5%
  • De junho de 2003 a junho de 2013: 4%
  • De junho de 1993 a junho de 2003: 9,6%

A TMAR do conjunto destes trinta anos foi 6,7%.

E os últimos 25 anos foram insatisfatórios em termos macroeconómicos em Portugal, pois o PIB real cresceu a uma TMAC de apenas 1%.

Mas várias empresas do índice PSI têm a maior parte das suas receitas no exterior, por exemplo a Altri tem 73%, a Corticeira Amorim 93%, a EDP Renováveis 78%, a Jerónimo Martins 76% e a Navigator 83%.

Portanto o hipotético pessimismo na economia portuguesa não serve de argumento para ignorar as ações do índice PSI.

Voltando ao índice PSI Geral (que dantes se chamava BVL Geral), infelizmente não é muito antigo, pois teve o seu início em janeiro de 1988, com uma base nos 1000 pontos:

Como se pode ver no gráfico acima, houve bastante volatilidade, mas a tendência de longo prazo é ascendente.

Gostaria de ver períodos de 10 anos mais antigos, por isso vou atravessar o Atlântico e verificar os retornos de um dos índices mais “idosos” e populares do mundo, o S&P 500.

A TMAR do S&P 500 foi:

  • Entre junho de 1983 e junho de 1993: 10,4%
  • Entre junho de 1973 e junho de 1983: 4,9%
  • Entre junho de 1963 e junho de 1973: 4,2%
  • Entre junho de 1953 e junho de 1963: 11,1%
  • Entre junho de 1943 e junho de 1953: 6,9%

A TMAR do conjunto destes 50 anos foi 7,5%.

O que importa realçar é o seguinte:

  • Nos 8 períodos de 10 anos considerados, os retornos das ações foram sempre positivos;
  • A TMAR do S&P 500 entre 1943 e 1993 foi 7,5% e a TMAR do BVL Geral de 1993 até 2023 foi 6,7%.

O corolário desta “investigação” é que o mais normal é que se espere um retorno médio anual de 7% nos próximos 10 anos. Afinal foi mais ou menos isso que aconteceu nos últimos 80 anos.

Se as ações têm retornos tão positivos e consistentes, porque é que a experiência de muitos investidores é negativa?

Principalmente por três motivos:

  1. Investem de forma ocasional e intermitente, comprando ações quando estão sobreavaliadas e vendendo quando estão subavaliadas. Ou seja, não investem durante um período mínimo de 10 anos;
  2. Não têm uma carteira bem diversificada de ações fundamentalmente atrativas. Se investem de forma concentrada em ações sobreavaliadas e/ou com fundamentais fracos, é natural que tenham retornos bem inferiores aos índices e potencialmente negativos;
  3. Vendem as ações vencedoras e reforçam nas perdedoras. Repare que os índices fazem exatamente o oposto: as ações que sobem vão ganhando peso e as que descem vão perdendo peso. E se desvalorizarem muito são retiradas do índice. É também esta caraterística que ajuda os índices a terem retornos tão positivos e consistentes: dão cada vez mais importância às ações boas e vão descartando as más. Sugiro que vá fazendo o mesmo na sua carreira de investidor em ações.

Resumindo, um investidor com uma mentalidade de longo prazo, razoavelmente diversificado, que saiba fazer alguma análise fundamental e que consiga manter as ações vencedoras e livrar-se das perdedoras, em princípio não terá como não ter um retorno bem positivo nos seus investimentos em ações.

O mais provável é que tenha um retorno médio anual superior à média, ou seja, superior ao dos índices e esses pontinhos extra de retorno fazem uma enorme diferença nos resultados a longo prazo.

É importante manter a tranquilidade nos momentos de stress, desligar-se um bocado das cotações no dia a dia e olhar com confiança para o futuro mais a longo prazo.

Picture of <a href="https://www.linkedin.com/in/cesar-borja/" target="_blank" rel="noopener">César Borja</a>

Licenciado em Economia pelo ISEG e investidor particular em ações desde 1998.
Concluiu a Pós-Graduação em Análise Financeira no ISEG, tendo obtido a certificação CEFA. Também passou no exame CFA Level I.  

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