Margens sob pressão na Corticeira Amorim

1. Contexto Histórico

A saída da Corticeira Amorim do TOP10 Lisboa foi uma das mais controversas da história do BoS:

Foi muito dura porque em análises anteriores eu tinha escrito que a Corticeira Amorim seria para deter “para sempre”.

Por outro lado, esta transação representou uma mais-valia de 101,1% para o TOP10 Lisboa e a Corticeira, neste momento, está 16,8% mais baixa desde que publiquei a análise que justificou a saída e cerca de 14,1% mais baixa em relação ao preço de saída:

Se considerar os impostos sobre mais valias, entrando a 5,45 € e saindo a 10,96 €, é preciso entregar (10,96 – 5,45)*(28%) = 1,543 € ao Estado, pelo que, tendo em conta o preço de saída e ignorando as comissões de transação, só recomprando abaixo de 9,42 € é que terei ganho alguma coisa com a “brincadeira”.

Curioso, 9,42 € é o preço a que está agora a Corticeira Amorim, pelo que é uma excelente oportunidade para um second look.

2. Perspetivas

Estive a ler o press release

…e a apresentação…

Estes resultados confirmam a validade das minhas razões de venda. Repare-se que a minha história de investimento na Corticeira Amorim tinha a ver com uma expetativa de expansão das margens de lucro e depois vendi porque a informação começou a revelar que essa expetativa era inválida.

Hoje sabemos que não só as margens não aumentaram, como até diminuíram em 2018:

Repare-se que o Resultado Operacional, ou EBIT, diminuiu em 2018:

As margens EBITDA dos segmentos que não têm a ver com vendas da matéria prima (cortiça) e rolhas foram esmagadas:

O peso do custo da cortiça passou dos 50% das Vendas da Corticeira Amorim:

Estas tendências fundamentais estão a acontecer porque o preço da cortiça está a subir em flecha:

E isto acontece porque Portugal (aliás o Mundo) não produz cortiça suficiente para sustentar o crescimento da procura por cortiça:

A Corticeira sobe os preços onde pode, ou seja, nas vendas de matéria prima (maioritariamente a si própria) e nas rolhas. Mas nas unidades de negócio em que não tem um quasi-monopólio, nas unidades abertas à concorrência de outros materiais, não tem capacidade para subir os preços e as margens caem muito.

Provavelmente as unidades da Corticeira que não têm a ver com rolhas irão começar a dar Prejuízo e em relação às rolhas… tenho dúvidas se vai ser possível continuar a aumentar os preços sem que haja uma substituição por outros materiais. Até pode haver substituição por outros materiais porque simplesmente não há rolhas de cortiça suficientes para a produção de bebidas alcoólicas!

3. Conclusão

Pelo menos este ano não conto voltar à Corticeira Amorim… tenho de ver o impacto da subida do preço da cortiça em 17% (colheita de 2018), que vai impactar negativamente os resultados de 2019.

Em termos de longo prazo continua a ser uma boa empresa… então se começar a investir forte em plantações de sobreiros, daqui a uns 10 anos pode ser novamente uma tenbagger.

Por enquanto temos isto…

…mas tem de ser mais, muito mais.

4. Disclaimer

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