Quem é a alemã Flatex, a empresa que vai adquirir a DeGiro?

1. Contexto

A meio da minha jornada pelas ações propostas pelos subscritores do BoS US, o César propôs-me uma análise à Flatex, mal eu sabia que a Flatex tinha adquirido a Degiro. Depois de passar os olhos no tópico criado no fórum… cá vamos nós.

2. Gráfico de Longo Prazo

A Flatex é cotada desde 2009 e já a podemos considerar como uma multibagger, é pena os relatórios pré-2013 estarem todos em alemão. Efetivamente, para recolher dados prefiro o mercado americano, deve ser porque estou mais habituado.

Talvez o mercado não recupere em V, mas a flatex já o fez… Das poucas coisas que conheço sobre análise técnica, parece haver ali um inverted head and shoulders, talvez alguém me corrija.

3. Apresentação

A Flatex ,ou melhor, a FinTech group – na verdade a Flatex é uma subsidiaria da FinTech group – opera em dois segmentos de negócio, o financeiro e o tecnológico. Dentro do segmento financeiro temos negócios B2C, mais concretamente, dois brokers online: Flatex e Vitrade. A Degiro deverá integrar este segmento. Ainda dentro do segmento financeiro temos negócios B2B, infelizmente nos relatórios não existe distinção entre B2C e B2B.

A Flatex tem licença bancária alemã, da qual a Degiro também irá beneficiar.

O segmento tecnológico é uma plataforma/software destinada aos especialistas da banca, entre outras ofertas.

Estive à procura dos resultados de 2019, mas vi que os resultados de final de ano de 2018 estavam datados a 27 de junho de 2019, pelo que os dados de 2019 provavelmente só deverão aparecer em junho de 2020. Já temos disponíveis os dados da primeira metade de 2019, porém acho preferível analisar os dados anuais, no que toca à demonstração de resultados.

O segmento com maior expressão está ligado aos serviços financeiros, que não são nada mais do que comissões, representando 68% do total das vendas. Por exemplo, no site da Flatex é possível negociar CFD´s, Forex, Bitcoin-Trading…  no site da Vitrade parece ser tudo bastante idêntico à Flatex.

Depois de “passear” um bocado pelos sites recolho duas palavras: Trading e Comissões, fazem-me lembrar a Orey iTrade. As duas palavras que retiro da Degiro são Investimentos e Comissões. Porém admito ter alguma aversão ao Trading, pelo que esta opinião carece de objetividade.

Números e tendências bastante promissoras, a aquisição da Degiro foi efetuada apenas no final de 2019, pelo que nenhuns dos dados acima representados contemplam os utilizadores da Degiro. Da apresentação da empresa podemos retirar alguns dados mais recentes, a Flatex em 2019 já servia 306 mil clientes, a Degiro servia 470 mil clientes. Desta forma, juntas deverão ter, cerca de, 780 mil clientes no relatório de 2020.

O CAGR dos últimos 5 anos é de 18,1%, ou seja, entre 2013 e 2018 a quantidade de clientes tem vindo a aumentar, anualmente, em 18,1%.

“Se não os consegues vencer, junta-te a eles”

Relembro que os dados totais de 2019 ainda não estão disponíveis. Até ao momento, a emissão de ações foi bastante residual, mas com a compra da Degiro… O total de ações passará para os 27,1! milhões de ações.

A compra da Degiro foi feita através do pagamento de 60 M€ em cash e com emissão de 7,5 milhões de ações ao preço de 25,33 €. Desta forma, a aquisição não deverá pôr em causa a sustentabilidade do balanço da empresa.

De seguida temos os passivos e capital próprio da empresa:

Quem vê ali 996 M€ em passivos correntes provavelmente fica bastante preocupado, mas tratando-se de uma instituição financeira estes 996 M€ são o dinheiro que os clientes têm depositados no banco e que constituem um passivo para o banco. Em termos de dívida não corrente são cerca de 17 M€ contra os 12 M€ de cash on hand.

Para saciar todo aquele volume de passivos correntes a empresa possui ativos correntes no valor de 1.074 M€. O mais provável é, tanto o passivo corrente como o ativo corrente, prolongarem-se no tempo. Atenção será precisa, se eventualmente, os passivos correntes comecem a exceder os ativos correntes, mesmo assim, a situação apenas se tornaria crítica caso grande parte dos clientes começassem a levantar o dinheiro do banco.

De qualquer das formas, estes balanços ainda não têm em conta a integração da Degiro, a qual deverá ser completamente adquirida durante o segundo trimestre de 2020, ou seja, pouco tempo falta, mas a última notícia ligada à aquisição é de 16 de dezembro de 2019.

Os dados disponíveis em inglês começam em 2013, antes disso está tudo em alemão, língua que não domino. Até 2016 a empresa dava prejuízos ou era marginalmente lucrativa. Em 2016 passou de prejuízos para lucros. Tanto o Resultado Líquido como os EPS estão em ascensão, como já vimos a empresa emite, ou melhor, emitia poucas ações. Com a aquisição da Degiro já vimos que acontecerá.

4. Conclusão

Para não andarmos no “vazio” vou tentar fazer uma projeção numérica daquilo que poderá ser a empresa dentro de alguns anos.

Vamos fragmentar os objetivos da gestão: 300 M€ de vendas, EBITDA de 150 M€ e um EPS de 3 €. Sabendo nós que a empresa irá ter, algo como 27,1 milhões de ações emitidas o resultado líquido será de 3 * 27,1 = 81,3 M€.

Os analistas esperam que os 300 M€ de vendas sejam alcançados algures em 2023, como os dados do período fiscal de 2023 serão disponibilizados, tendo em conta o historial de apresentação, apenas em meados de 2024… Até lá ainda são um pouco mais de 4 anos, estes são objetivos a mid term da gestãona minha opinião, mid term é um período entre 1 a 3 anos.

A margem líquida média dos últimos 3 anos foi de 15,4%, ou seja, o resultado líquido de 2023 seria algo na ordem dos 47 M€, para alcançar os 81 M€ seriam precisos 520 M€ de vendas.

Qual a forma que conhecemos para aumentar as margens? Cortar nos custos, neste caso, criar sinergias, no valor de 31 M€ / 45 M€.

O target dos 3 € EPS será atingido, na minha opinião, mais depressa no caso das sinergias enunciadas serem criadas, do que as Vendas alcançarem os €300 M. Uma margem líquida na ordem dos 27% não é de um dia para o outro que se cria, para alcançar o target anunciado esta margem tem de começar a expandir-se com aquisição da Degiro.

Como diz, e bem, o nfsrod o price target seriam os 63 € por ação daqui a 3/4 anos .O PER mínimo foi de 15, pelo que, do lado pessimista o price target seriam os 45 € por ação, no mesmo período de tempo.

Uma rendibilidade que variava entre os 10% e os 28% anuais. Sempre com o olho nas margens da empresa, pois estamos a pressupor um EPS de 3 €.

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