Eu desta vez nem me vou dar ao trabalho de reler as 9 análises que já realizei à Corticeira Amorim, pois tenho o seu conteúdo gravado na memória e vou desde já ler as 4 (!) páginas do relatório preliminar do ano de 2016.
Aqui adequa-se aquela expressão que os americanos usam muito, “firing on all cilinders“, que é como quem diz, a crescer em todos os segmentos.
Vou comparar os n.ºs efetivos com aqueles que eu tinha no excel e atualizar as estimativas para o futuro.
O Valor de Mercado, à cotação atual de €9,883, está nos …

… €1 314 milhões.
Em termos das Vendas em 2016, no excel eu tinha €644 milhões e o valor foi …

… €641,4 milhões, um bocadinho aquém do esperado. Reparo também que as estimativas para os próximos anos foram cortadas de forma muito ligeira.
Em relação ao Lucro, foi de €102 milhões, porém este valor inclui a mais valia com a alienação da US Floors, que já tinha analisado no seguinte texto:
Se desconsiderarmos esta alienação, o Lucro Líquido teria sido de €73 milhões, acima dos €72 milhões que eu tinha no excel …

… e o aumento foi de 32% face ao Lucro obtido em 2015. O PER está nos …

… 16, ou seja, metade da taxa de crescimento do Lucro!
Sobre o Balanço, se já era muito saudável, mais saudável ficou, pois a dívida remunerada líquida diminuiu €48 milhões este ano. Infelizmente este relatório preliminar não tem dados suficientes para calcular o current ratio e o debt to equity ratio.
Perspetivas
Este relatório confirma a história de investimento que temos na Corticeira Amorim, por dois motivos principais:
1º – Com um aumento de Vendas de “apenas” 6%, o Lucro (sem efeitos extraordinários) aumentou 32%. Isto porque os custos operacionais se têm mantido constantes (ou até descido ligeiramente). A margem líquida do negócio tem vindo a expandir-se…

… e os analistas estimam que atinja os 13% em 2020. Eu acho que o ritmo de expansão vai ser mais acelerado que o previsto e que a Corticeira em 2020 já possa estar com uma margem líquida próxima dos 20%.
2º – A avaliação, medida pelo PER, continua a ser baixa, tendo em conta os fundamentais e tendência de crescimento da empresa. Se empresas como a NOS e a EDPR têm um PER superior a 30, a Corticeira também devia ter e na minha opinião, vai ter.
Alterações à história de investimento
Nos últimos meses tomei conhecimento de três realidades que implicam ligeiras alterações à história de investimento:
A – A realidade A tem a ver com a existência de uma concorrente da Corticeira Amorim com alguma dimensão, a empresa francesa Oeneo (símbolo: SABT.PA), que tem unidades de transformação de cortiça em Espanha e mais recentemente também em Portugal (em Coruche). O segmento de transformação de cortiça desta empresa tem uma dimensão que é cerca de um quinto da Corticeira Amorim e a sua margem líquida foi 11% em 2016, exatamente a mesma que a Corticeira Amorim. É meu objetivo analisar esta empresa francesa de forma aprofundada no futuro próximo;
B – A realidade B é que a Corticeira Amorim é apenas uma de centenas de empresas a operar no setor da cortiça em Portugal. É a líder de mercado, com mais de 50% de quota no país, mas existem muitas outras pequenas empresas ligadas ao setor. Mas, penso que em termos de transformação da matéria prima em rolhas, revestimentos e aglomerados compósitos, a Corticeira Amorim é uma de poucas, tendo apenas como concorrente relevante a tal Oeneo, que opera apenas nas rolhas;
C – Na segunda página do press release, a Corticeira Amorim refere o seguinte:

Eu já tinha tido conhecimento desta realidade pois um dos Subscritores do Borja on Stocks tinha partilhado a notícia no Grupo dos Subscritores. Parece que, com esta nova técnica de irrigação, vai ser possível os sobreiros começarem a dar cortiça ao fim de 8 anos, em vez dos habituais 25 (43 anos para dar cortiça suficientemente boa para produzir rolhas). É possível que esta iniciativa aumente o investimento em novas plantações de sobreiros, pois como sabemos as mais antigas (com centenas de anos) estão a chegar ao fim do seu ciclo de vida.
Perspetivas
A transformação de cortiça continua a ser um monopólio natural global (vá lá, considerando a Oeneo, um duopólio) porque a matéria prima é escassa e não se consegue reproduzir noutros locais ou aumentar substancialmente nos próximos anos. Esta experiência piloto dos 500 hectares pode aumentar a matéria prima mais a curto prazo, mas será essencialmente para a Corticeira Amorim e não para concorrentes e ainda é uma coisa muito no início.
O preço de comercialização dos produtos oriundos da cortiça continua a aumentar, por isso é que a margem de lucro da Corticeira Amorim está a expandir-se e é previsível que isso continue a acontecer no futuro.
Para 2020 os analistas estimam que a Corticeira Amorim irá lucrar €100 milhões (em 2016 já lucrou mais que isso, mas foi com efeitos extraordinários). Eu acho se a margem líquida continuar a aumentar 2 pontos percentuais por ano, será de 19% em 2020 e o Lucro será não €100 milhões, mas sim €147 milhões. Aplicando um PER de 25 a este resultado obtenho um Valor de Mercado de €3 677 milhões, ou seja, 2,8 vezes mais do que o atual. A cotação de cada ação da Corticeira Amorim seria €27,38.
Conclusão
A Corticeira Amorim continuará a pertencer ao Portfolio TOP10 Lisboa.
Gráfico de Curto Prazo

