Call me Crazy: FlowTraders

Nestes últimos dias têm havido mais entradas e saídas dos Portfolios geridos publicamente no Borja on Stocks do que é habitual. Por vezes é preciso ter paciência. Outras vezes é preciso agir.

Quando acontecem correções é natural uma pessoa querer mas é desligar-se disto por uns tempos e esperar que as coisas melhorem, porém o mais acertado é aproveitar as correções para procurar novas oportunidades.

Quer o Portfolio TOP10 Lisboa, quer o Portfolio TOP10 Amesterdão, pelo seu design, foram feitos para estarem sempre 100% investidos. Reparem que a ideia é ter as “10 melhores ações para investimentos a longo prazo” e existem sempre 10 ações que são as melhores, nem que sejam as menos más.

Nas últimas semanas a segunda posição na Altri saiu do Portfolio TOP10 Lisboa com uma mais-valia de 84% e ontem foi substituída pela NOS, uma blue chip. Estou muito satisfeito com a composição atual do Portfolio TOP10 Lisboa, parece-me bastante equilibrado.

No TOP10 Amesterdão saíram a NN Group (+11,1%) e a Van Lanschot (+16,1%), duas empresas do setor financeiro. Entretanto entrou a Fugro (que é dos serviços relacionados com petróleo), mas o TOP10 Amesterdão está com apenas 9 ações, o que é sempre uma situação temporária que deverá ser corrigida num curto espaço de tempo.

Como sabem tenho estado a estudar para o exame CFA de 2 de dezembro. Ontem estava entusiasmado e estudei 7 horas. Tenho aprendido algumas coisas, nomeadamente acerca dos benefícios da diversificação: não basta ter um Portfolio de 10 ações diferentes, também é boa prática que sejam de indústrias diferentes e pouco correlacionadas entre si. Com uma diversificação por ações pouco correlacionadas obtém-se mais ou menos o mesmo retorno a longo prazo, mas com um risco significativamente menor.

E não venham dizer-me que o Buffett é contra a diversificação (isso é o que ele diz), quando a Berkshire Hathaway tem ações de 44 empresas diferentes dos mais diversos setores de atividade (isto é o que ele faz)!

Ao ler todas aquelas páginas acerca dos benefícios da diversificação comecei a pensar na FlowTraders … se não seria acertado deter um pouco de diversificação estratégica também. Tenho lido bastante sobre a empresa e agora sei muito mais do que quando escrevi estas duas análises:

Estas análises foram negativas e praticamente puseram de lado a hipótese de alguma vez a FlowTraders ser incluída no Portfolio TOP10 Amesterdão.

Eu tenho alguma tentação por aproveitar o trading de curto prazo, mas do lado dos verdadeiros profissionais, que utilizam as mais recentes e rápidas tecnologias do mercado. Ou seja, queria aproveitar o trading de curto prazo do lado da casa, como se fosse o dono do casino, em vez de ser um jogador de casino como os pequenos traders individuais.

Quando os pequenos traders fazem day trading ou trading de curto prazo, nomeadamente nos ETFs, é a FlowTraders, entre outras, que encontram do outro lado dos seus trades. Aquilo que os day traders e position traders perdem, é ganho por estas firmas de arbitragem e high frequency trading.

Nesta página, quem tiver interesse, poderá ver os vídeos que explicam a atividade da FlowTraders.

Como a volatilidade nos mercados financeiros tem vindo a diminuir (o VIX está em mínimos há bastante tempo) a FlowTraders não tem tido assim tantas boas oportunidades de arbitragem e os lucros estão em queda. Agora decidiram entrar também no Forex, o maior mercado do mundo em termos de liquidez diária:

O meu grande problema com a FlowTraders era a sua alavancagem, pois com 262 M€ de capital para trading proprietário, movimentou 162,3 B€ de Exhange Traded Products (ETPs) no 3º trimestre. ETPs são ETFs e outros produtos financeiros semelhantes.

A alavancagem é de 619 vezes, só que há aqui dois detalhes: é que os 162,3 B são de um trimestre inteiro e as posições são todas de arbitragem, ou seja, o que é comprado de um lado é vendido do outro, simultaneamente, ganhando apenas o bid ask spread.

Este tipo de negócios são um pouco assustadores, mas depois de ter passado ontem 7 horas a ler sobre o mercado de obrigações global, o nível de alavancagem que há nesse mercado, o que fazem para ganhar 0,001% garantidos aqui e ali … eu diria que a FlowTraders é um micróbio nesse mundo.

Como sabem eu sou contra a tentativa do aproveitamento das oscilações de curto prazo nas ações, porque acho que, como pequenos investidores individuais, não temos as mínimas condições, no mundo atual, para ser bem sucedidos nesse negócio. Mas a FlowTraders tem. A FlowTraders faz esse trabalho, de andar a rapar cêntimos nas oscilações diárias das cotações, lucrando milhões de euros no final do ano.

Nos primeiros nove meses de 2017 a FlowTraders lucrou 126,7 M€ no trading, a descer 30% do período homólogo. Depois dos custos a empresa lucrou 31,6 M€ para os seus acionistas:

Os Lucros estão em queda e a ação também:

Eu sei que vou parecer doido aos olhos de muitos Subscritores, mas quero a FlowTraders no Portfolio TOP10 Amesterdão.

Acho que faz sentido esta diversificação estratégica e se porventura existirem quedas nos mercados, podem crer que o volume e a volatilidade vão aumentar bastante (se o mercado continuar a subir o volume também vai aumentar, o volume aumenta sempre em termos de longo prazo) e a FlowTraders saberá beneficiar do aumento de volatilidade e volume.

Esta holding será uma espécie de seguro do Portfolio.

Depois, os equity holders só arriscam aquilo que investem. Se por acaso acontecer algum acidente com o trading da FlowTraders (tal como pode acontecer com o trading de qualquer instituição financeira) e a empresa perder billions, o Portfolio TOP10 Amesterdão no máximo perde 10% do seu capital.

Se a FlowTraders for bem sucedida nos seus objetivos, é empresa para vir a valer uns 10 B€ no longo prazo. Atualmente vale 923 M€:

A evolução das Vendas e do Lucro, segundo as estimativas médias dos analistas que seguem a empresa:

Segundo estas estimativas, o PER 2020 é de 7,6.

Conclusão

A FlowTraders vai entrar no Portfolio TOP10 Amesterdão à cotação de fecho de hoje, com 10% do capital. 

César Borja

Licenciado em Economia pelo ISEG e investidor particular em ações desde 1998. Analista Financeiro registado na CMVM. Concluiu a Pós-Graduação em Análise Financeira no ISEG, tendo obtido a certificação CEFA. Também passou no exame CFA Level I.

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