O Portfolio Ação do Mês foi criado no dia 30 de março de 2017 com o duplo objetivo de forçar alguma atividade e de assinalar novas oportunidades, principalmente para os Subscritores recém-chegados ao Borja on Stocks.
No último dia de cada mês tenho o desafio de escolher, de entre todas as ações já analisadas (186 neste momento), aquela que me parece ser a mais bem posicionada para investimentos a longo prazo. Claro que é impossível acertar na mouche e certamente que ficarei sempre muito longe da escolha ótima, mas desde que os resultados vão sendo satisfatórios, tudo bem.
Por enquanto retirei três mais valias simpáticas ao mercado …
… o o Portfolio Ação do Mês fechou na sexta-feira, dia 22 de dezembro, com uma valorização global de 21,9%:
Devo dizer que, sempre que há uma nova compra, são adicionados 1 000 € ao capital inicial (aumento de capital) e sempre que há uma venda, são retirados 1 000 € ao capital inicial (redução de capital). Foi a fórmula que encontrei para que existisse uma sequência comparável nos números da rendibilidade, porém o Rui Bóia argumenta que talvez fosse mais acertado deixar o capital das ações vendidas no Portfolio … ainda não tive tempo para avaliar essa forma alternativa de calcular a rendibilidade, mas é algo que preciso de fazer futuramente e, caso isso traga maior fiabilidade aos números, não me importo de recalcular tudo para trás. O mais importante é que as entradas e saídas estejam com as quantidades, valores e datas corretas e penso que isso ninguém contesta. É preciso ver também que a Ibersol doou uma ação por cada quatro detidas e que por causa disso o preço de compra teve de ser ajustado, senão o Portfolio mostraria uma menos-valia que não seria real.
Olhando para o Portfolio atual …
… verifico que está povoado por ações que também estão nos outros Portfolios e acho natural, porque essas são as empresas que conheço melhor, e portanto aquelas em que tenho mais confiança.
Eu hoje fiz a minha ronda, as minhas leituras, e concluo que, caso fosse comprar hoje uma ação para investir a longo prazo, essa ação seria a Corticeira Amorim.
Estive a ler a análise mais recente …
… que foi escrita quando a cotação estava nos 11,57 € e que já dizia que o mais provável era que corrigisse mais uns 10 a 15%:
Até se poderia dizer que seria expectável que a Corticeira corrigisse mais uns 10 a 15%.
E desde essa análise corrigiu 12,27% e …
… 23,7% desde o máximo histórico.
Como referi na análise anterior, a média das correções da Corticeira, desde que arrancou de lá de baixo, foi de 22,3%, pelo que a correção atual já ultrapassou a média histórica e, tendo em conta os fundamentais, deverá estar a terminar.
Vou atualizar os gráficos com as tendências fundamentais. À cotação de 10,45 €, o Valor de Mercado está nos 1 390 M€:
É curioso que desde a última análise as estimativas de Vendas para os próximos anos subiram ligeiramente:
Para o Lucro as estimativas também foram aumentadas, mas apenas à volta de 1%:
O Balanço deteriorou-se nos trimestres mais recentes – devido principalmente à sazonalidade e a aquisições que visam o crescimento – mas ainda assim continua a ser dos mais saudáveis da Euronext Lisboa:
Perspetivas
Verifico que a francesa Oeneo (que pertence ao Portfolio TOP20 Paris) tem vindo a fazer um pouco mais de sombra à Corticeira, ou seja, tem ganho alguma quota de mercado no segmento em que as duas empresas competem, as rolhas. De qualquer modo, ambas deverão continuar a beneficiar da tendência de subida de preço das rolhas, que mais do que tem compensado a subida de preços da matéria prima.
Por mim antevejo que estas duas empresas atinjam uma margem líquida superior a 20% nos próximos anos e que depois mantenham essa margem bastante elevada durante muitos anos, porque simplesmente mais ninguém tem acesso à matéria prima, nem pode ter, e porque considero as rolhas de cortiça insubstituíveis.
Estas não são bem ações à Warren Buffett, porque a Corticeira e a Oeneo não têm marcas fortes (a Oeneo, com a DIAM, parece ter mais marca), porém têm uma barreira à entrada do mais sólido e alto que pode haver: a Natureza. Um sobreiro, depois de plantado, demora 43 anos a dar cortiça boa para fazer rolhas, ainda que para outras utilizações sejam necessários apenas 25 anos e que existam já algumas experiências (levadas a cabo pela Corticeira) de rega gota a gota que poderão permitir que se extraia cortiça de sobreiros com apenas oito anos (mas não para rolhas).
Na Euronext Lisboa não existem muitas ações com fundamentais bastante atrativos e uma gestão competente e a Corticeira é uma dessas raras exceções, a única empresa cotada na nossa Bolsa que é líder económico mundial no seu setor.
Vendê-la para entregar 28% da mais-valia ao Estado é cada vez mais impensável para mim. Vejo-a mais a viajar progressivamente até à zona dos 30 € por ação e, quando tiver a tal margem líquida de 20% e não existir grande margem de crescimento, a ficar uns vinte anos a distribuir chorudos dividendos. Eu tenho 41 anos e vejo-me com 66 a receber 5% ao ano dos Dividendos da Corticeira. Até lá, sempre que ela vier abaixo e eu tiver capital disponível, o mais provável é ir acumulando mais ações … que se há-de fazer ao capital, senão ir investindo mais e mais nestas ações fundamentalmente atrativas?
Conclusão:
A Corticeira Amorim vai entrar, à cotação de fecho de hoje, no Portfolio Ação do Mês, com 1 000 € (valor meramente indicativo).








