A luta é real: 5 estratégias psicológicas para lidar com a queda das cotações

5 estratégias psicológicas para lidar com a queda das cotações.

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Não sei se será por a minha família ter origem em Espanha mas… durmo sempre a sesta!

E no outro dia quando cheguei a casa depois do almoço para ir dormir a sesta encontrei uma inundação na cozinha, o chão estava alagado e saía fumo do lavatório. Era claramente uma emergência e em vez disso me despertar… deu-me ainda mais sono.

Em vez de atacar o problema fui chamar o jardineiro (Sr. Timóteo) para que fosse ele a tratar do assunto. O sr. Timóteo ainda disse que tínhamos de trabalhar em conjunto e o mais depressa possível para evitar um desastre que seria a casa alagar completamente e estragar o chão de madeira.

Mas eu respondi que tinha algo inadiável a fazer e de facto continuei com o plano e fui para o quarto dormir a sesta.

Quando acordei cerca de meia hora mais tarde o sr. Timóteo – também com a ajuda da empregada (Sílvia) que tinha chegado entretanto – tinha a situação controlada.

Eles foram uns heróis mas ficou no ar a questão… “porque é que o senhor César, na face de uma emergência, optou por ir dormir?”

A resposta tem duas partes:

– Eu achava que ia atrapalhar mais do que ajudar

– A minha experiência de muitos anos nas ações e nos futuros – que são produtos financeiros derivados – a lidar com situações aborrecidas

Ontem foi um desses dias aborrecidos no mercado, com muitas ações a caírem bastante, independentemente dos fundamentais das empresas subjacentes.

Então o que é que eu fiz?

Apliquei várias das minhas estratégias para lidar com este género de situações nos mercados financeiros.

Aqui estão 5 dessas estratégias.

A – Esperar que a tempestade passe

Por vezes devido a situações macroeconómicas e/ou geopolíticas o mercado tem fases de quedas fortes e generalizadas. Estes períodos assemelham-se a tempestades e não há nada que possamos fazer para evitar ou lutar contra a tempestade. Só podemos esperar que passe da forma mais confortável possível e como todos sabemos, depois da tempestade… vem a bonança!

B – Focarmo-nos nas coisas boas que temos na vida

Quando as cotações caem e a área financeira vai mal uma estratégia para suportar a dor é pensarmos noutras áreas da nossa vida que também são muito importantes e que naquele momento estão a correr bem.

Podemos por exemplo pensar na nossa Família, na nossa saúde, na nossa vida social ou na nossa espiritualidade e estar agradecidos por essas áreas estarem a correr bem.

No fundo trata-se de tirar o foco da área que está a correr mal e dar mais atenção, ou relevância, a outras áreas que estão ótimas.

C – Pensar nos fundamentais das empresas

Se não conseguirmos evitar olhar para as cotações e virmos várias das nossas ações a descer mais de 10% devemos imediatamente pensar no que é que as empresas fazem: que produtos é que vendem? Que serviços é que prestam? Os funcionários estão a trabalhar? Os clientes estão a comprar? O Balanço é saudável?

Se tivermos uma ou mais análises fundamentais às quais possamos recorrer em momentos de aflição… melhor!

D – Considerar que as oscilações de curto prazo são imprevisíveis

Alguns dos pensamentos que consomem os investidores quando as ações estão a cair significativamente é pensar:

– “Mas porque é que eu não vendi?”

– “Devia ter vendido lá em cima!”

– “Podia ter vendido, mas não vi, não me lembrei, não tive tempo…”

– “Estava a ganhar, mas fui ganancioso”

Calma. Você fez o que podia nas circunstâncias em que estava e com a informação que tinha na altura.

Além disso não podia prever que o mercado iria descer porque as oscilações de curto prazo são imprevisíveis.

Ninguém sabe o que vai acontecer e ainda menos como é que os milhões de intervenientes no mercado irão reagir ao que acontece. Na minha carreira de 29 anos de análises e investimentos nos mercados financeiros já vi tudo acontecer: saírem boas notícias e o mercado descer e saírem más notícias e o mercado subir. E vice-versa.

Portanto, mesmo que porventura tivesse uma bola de cristal e conseguisse prever os acontecimentos, ainda assim não conseguiria prever as oscilações de curto prazo.

Por isso deixe de se culpar por não as aproveitar.

E – Manter a confiança no destino mais a longo prazo

O facto é que no longo prazo o mercado de ações sobe sempre. E os fundamentais vêm sempre ao de cima. Por isso retire o foco do que está a acontecer no momento e pense sempre a 5 anos, a 10 anos, a 20 anos e a 30 anos.

Olhe para o futuro e compreenda que será sempre melhor do que o presente.

Isto porque toda a Humanidade está a trabalhar para isso. Aquelas empresas todas em que investimos estão a trabalhar diariamente para produzir bens e serviços úteis à sociedade, ou seja, estão a trabalhar para melhorar o nosso presente e o nosso futuro.

E alcançam sempre esse objetivo.

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César Borja

Licenciado em Economia pelo ISEG e investidor particular em ações desde 1998. Analista Financeiro registado na CMVM. Concluiu a Pós-Graduação em Análise Financeira no ISEG, tendo obtido a certificação CEFA. Também passou no exame CFA Level I.

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