Bom dia,
Neste projeto do Borja on Stocks (ex-TOP10 Lisboa), na primeira análise que escrevi à Corticeira Amorim identifiquei-a logo como líder económico mundial no seu setor:
Mas a minha história com esta ação remonta ao ano 2000, quando um amigo meu conseguiu colocar, ao mesmo tempo, cerca de €2 milhões na ação e o efeito foi sol de pouca dura:

Só em 2015 é que percebi porquê que o pump de 2000 falhou, foi porque tinha havido um grande aumento de capital uns meses antes …

… com o nº de ações emitidas a aumentar das 71,5 milhões para as 133 milhões! Nós pusemos investidores a comprar quase 2 milhões de ações, mas havia mais de 60 milhões de novas ações no mercado, uma parte significativa delas à venda. É caso para dizer, “que patos!”
Já em 2009, na época do BorjaInvest (esse saudoso website que nunca deveria ter sido interrompido), precisamente quando a cotação quebrou o seu mínimo histórico …

… e muitos deitaram a toalha ao chão, vi que a empresa começou a comprar ações próprias. “Recomendei” a ação aos meus subscritores e apraz-me dizer que alguns deles ainda a têm em carteira!
Claro que eu estava longe de imaginar que o futuro da Corticeira seria assim:

Uma cavalgada de 1 500%, para um Valor de Mercado superior a mil milhões de EUR:

O que é que aconteceu aos fundamentais da Corticeira Amorim que justifiquem tamanha valorização?
Bom, é verdade que as Vendas subiram dos €415 milhões em 2009 para os €605 milhões em 2015, um aumento de 46%. Para 2016, 2017 e 2018 os analistas que seguem a empresa estimam aumentos de Vendas de 7,9%, 6,4% e 9,2%, respetivamente:

O múltiplo das vendas (mais conhecido por Price to Sales Ratio), cuja média dos 11 anos anteriores tinha sido de 0,4, expandiu-se para os 1,7 agora em 2016.
Mas, quer dizer, as Vendas sobem 46% e o Valor de Mercado sobe 1 000%? Vejamos o que é que aconteceu ao Lucro Anual:

Subiu dos €5 milhões em 2009 para os €70 milhões esperados para 2016 (na primeira metade do ano a Corticeira já lucrou €35,1 milhões). Um aumento de 1 300% do Lucro que explica a subida do Valor de Mercado da empresa. Em 2017 é esperado novo aumento do Lucro em 13% e de 18% em 2018.
A margem líquida de lucro subiu de 1% em 2009 para os 11% atuais e espera-se que continue a aumentar.
Mas porquê, porquê que as Vendas, o Lucro e a Margem Líquida estão a aumentar cada vez mais?
Porque a Corticeira Amorim é hoje em dia um monopólio natural global com capacidade crescente para fixar os preços de comercialização. O que a Corticeira tem, mais ninguém tem. E não há dinheiro nenhum no mundo que consiga substituir ou concorrer com o que a Corticeira Amorim tem. Podiam investir agora €100 mil milhões e mesmo assim … teriam de esperar 43 anos para entrar no mercado. Porque um sobreiro demora 43 anos, desde a sua plantação, até dar cortiça boa para fazer rolhas.
E onde é que estão esses preciosos sobreiros? A maior parte deles em Portugal, que é o maior do mundo nos sobreiros e na produção de cortiça, com a sua quota de mercado mundial a aumentar dos 49% em 2010 para os 64% em 2014 (hoje em dia deve estar ainda mais alta).
A margem de lucro da Corticeira aumenta porque, à medida que as vendas sobem, os custos têm vindo a diminuir em percentagem das vendas, pois a gestão exibe grande mestria e disciplina:

O maior acionista, que controla, direta e indiretamente, 84,87% das ações da Corticeira é Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal, com uma fortuna avaliada pela Forbes em $4,8 mil milhões:

A pergunta que se impõe agora é: “mas, não subiu muito já, não estará já muito cara?”
Olhando para o PER, histórico e previsional …

… poderia afirmar que a Corticeira está mais barata agora do que em 2009, antes da subida, pois nessa altura o PER era de 27 e agora é de 15. Mas isso não seria correto porque o Lucro tinha caído dos €23 milhões em 2007 para os €5 milhões em 2009, o que naturalmente aumenta o PER.
Mas, foquemo-nos no número de 2016, do PER de 15. Será justo?
Eu penso que não. Penso que continua a indicar subavaliação na Corticeira Amorim. Em bom rigor, se demora 43 anos a entrar no mercado das rolhas de cortiça, o PER, que mede o nº de anos a recuperar um investimento, de uma empresa já implantada em situação de quase monopólio global, devia andar pelos 50!
Claro que eu estou a fazer aquilo que os americanos apelidam de talk my book, pois considero a Corticeira Amorim uma ação obrigatória em qualquer portfolio de ações portuguesas, a única ação obrigatória!
Conclusão: A Corticeira Amorim é a única ação obrigatória em qualquer portfolio de ações nacionais, porque o que a Corticeira tem, mais ninguém tem, nem pode ter.
