Ação do Mês: Agosto 2017

Hoje dormi mal porque fiquei durante a noite a magicar que ação deveria escolher para Ação do Mês de agosto 2017. São os ossos do ofício 🙂

Levantei-me às 5:00, investiguei umas coisas no telemóvel e voltei a deitar-me, para me levantar novamente às 6:30.

Só em cima das 8:00 é que tinha a ação do mês escolhida e é a …

A AMG foi, até agora, a mais valia mais expressiva do Portfolio TOP10 Amesterdão, com +72,9%:

Verifico que, após um período de correção/consolidação, a AMG subiu para novos máximos de médio prazo e atualmente está 19% acima do preço de saída do Portfolio.

Comecei por reler as análises anteriores:

Os ativistas da RWC Partners, que venderam cerca de metade da sua posição em torno dos €15 por ação, tornaram-se bastante mais pacientes e têm aguentado as cerca de 2,73 milhões de ações que detém da AMG (9,4% da empresa), durante mais tempo que o esperado. Deve ser porque as tendências fundamentais têm sido muito positivas e porque as perspetivas, nomeadamente em relação à fábrica de lítio no Brasil, são encorajadoras.

Estive a ler as headlines dos últimos meses. Os resultados têm sido ótimos. Vejamos as tendências fundamentais de longo prazo:

O nº de ações emitidas é praticamente o mesmo desde a OPV e o Valor de Mercado, que era de €186 milhões no final de 2014, está agora nos €811 milhões, a subir 96% em 2017.

As Vendas da AMG são expressas em USD, mas optei por converter todos os valores para EUR:

Parece que após vários anos de fundamentais erráticos, com magros Lucros a alternarem com pesados Prejuízos, a AMG está finalmente no caminho certo, a corresponder às expetativas criadas aquando da OPV em 2007:

Na guidance mais recente o CEO fala em mais de €200 milhões de EBITDA em cinco anos.

Mas, o apetite dos investidores pelas ações da AMG tem a ver com a mina no Brasil, a Mibra Mine e com a nova fábrica da AMG junto à mina, que irá produzir principalmente lítio concentrado, a partir da segunda metade de 2018, num investimento de $50 milhões. O lítio é o metal mais leve e é usado para fazer todo o tipo de baterias, especialmente as baterias dos carros elétricos, como por exemplo os carros da Tesla. A AMG já tem toda a produção dos primeiros anos vendida:

Vão começar por produzir 90 000 toneladas de lítio concentrado em 2018 e 2019, mas no final de 2019 esperam duplicar a quantidade produzida para 180 000 toneladas/ano. Dizem que a mina Mibra tem qualquer coisa como 20 milhões de toneladas de minério, o que dá para produzir 180 000 toneladas/ano de lítio concentrado até 2040.

A gestão tem mencionado o preço mínimo de $800 por tonelada, mas o preço do lítio concentrado é algo difuso, por não ser um metal negociado em bolsa:

Parece que ninguém sabe muito bem qual é o preço do lítio, pois existem vários tipos e fases de transformação do metal até estar pronto para fazer baterias. Mas, no artigo acima falam em qualquer coisa entre $5 000 e $7 000 por tonelada. Neste outro artigo mais recente já mencionam preços que chegam aos $21 000 por tonelada. Mas acho que isto é para uma fase mais avançada da refinação do lítio, pois também mencionam 40 mil toneladas de consumo global, quando a AMG planeia produzir – e já tem vendidas – 180 mil toneladas/ano.

Uma coisa parece-me certa, o preço do lítio concentrado está a subir em flecha:

A AMG não diz no press release que o seu preço é $800 por tonelada, diz que seria acima de $800 e que o preço final teria a ver com os preços de mercado. Eu agora não vou especular sobre qual vai ser o preço do negócio até porque como se pode ver não tenho um entendimento completo sobre o mercado do lítio concentrado.

Só sei que, mesmo sem este ingrediente especial já a AMG estava com muita pujança nas suas tendências fundamentais (tendo em conta os outros minérios e metais que vende), e agora tem este aditivo da fábrica de lítio concentrado.

Conclusão

A AMG vai entrar no Portfolio Ação do Mês à cotação de fecho de hoje, com €1 000 como mandam as regras.

César Borja

Licenciado em Economia pelo ISEG e investidor particular em ações desde 1998. Analista Financeiro registado na CMVM. Concluiu a Pós-Graduação em Análise Financeira no ISEG, tendo obtido a certificação CEFA. Também passou no exame CFA Level I.

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