Quando faço previsões costumo considerar as variáveis seguintes:
A – Taxa média anual de variação do n.º de ações emitidas
B – Taxa média anual de crescimento das Receitas
C – Evolução da margem líquida
D – PER à chegada
Conhecendo, ou melhor, estimando, estas quatro variáveis, é possível obter uma estimativa para a cotação.
Mas hoje não vou fazer previsões.
Vou fazer aquilo que um professor do ISEG – que por acaso investia muito forte em ações – fez neste livro de 1995…
…que foi extrapolar as tendências dos 10 anos anteriores para o futuro.
Devo dizer que, pensando de forma genérica na realidade portuguesa em 2005, as previsões que o professor fez em 1995 não falharam por muito.
Então e se nos próximos 10 anos as ações do PSI se comportarem exatamente como nos últimos 10?
E se distribuírem exatamente o mesmo montante por ação em dividendos?
Qual vai ser a cotação de cada uma delas daqui por 10 anos, ou seja, em 23 de março de 2035?
E qual vai ser o retorno total de cada ação? E do conjunto, ou seja, em média?
A tabela seguinte responde a estas questões:
Se os próximos 10 anos forem semelhantes aos últimos 10, as ações do PSI darão um retorno médio anual de 3,5%.
A grande questão é se faz sentido esperar que os próximos 10 anos sejam parecidos com os últimos 10?
Em 2015 já tínhamos saído da crise das dívidas soberanas na Europa. Em 2016 tivemos a turbulência causada pela vitória do Brexit. A partir de 2017 foram os tweets do Trump, que provocaram muita instabilidade no mercado de ações. Em 2020, claro, a pandemia covid-19 e em 2022 a guerra na Ucrânia. E agora estamos de regresso à volatilidade “Trumpiana”.
No mesmo ambiente macroeconómico e geopolítico, umas empresas valorizaram e outras desvalorizaram. E em graus diferentes.
É certo que nos próximos 10 anos também vai ser assim: cada empresa irá depender muito mais de si própria que do ambiente macroeconómico e geopolítico.
O track record de cada ação é um dado importante para fazer previsões, mas naturalmente o futuro não vai ser exatamente igual ao passado. Em alguns casos vai ser completamente diferente.
Podemos melhorar a nossa taxa de acerto fazendo estimativas para as quatro variáveis que indiquei no início.
Para cada ação, pois cada caso é um caso.
É o que tenho feito no Borja on Stocks.
Não só para as ações do PSI, mas também para algumas fora do PSI, pois por vezes é nessas que surgem as oportunidades com mais potencial.
