Como é que a Visa ganha dinheiro?

Como é que a Visa, a Mastercard, a American Express, entre outras, ganham dinheiro? O que estas empresas fazem? Muitos dirão: são empresas de cartões de crédito, são bancos, são empresas de crédito… errado! São redes de pagamento. Como estou a analisar as empresas do SP500 por ordem de Capitalização Bolsista (da maior para a mais pequena), hoje irei analisar a Visa (que é a maior… as outras virão depois). A empresa explica neste vídeo de 4 minutos o que faz para ganhar a vida:

Apresentação

A Visa é líder mundial em pagamentos digitais, facilitando, desde 1958, as transacções entre consumidores e empresas. Como é que a coisa funciona? Vou simplificar (sabendo que há vários esquemas que geram receita):

Quando um cliente realiza uma compra (de $ 100, p. ex.) a um comerciante (à Walmart, p. ex.), este só recebe uma parte ($ 98, p. ex.), porque tem de pagar comissões ($ 2, p. ex.). Essas comissões constituem a receita do banco do cliente, do banco do comerciante e da Visa (que, neste caso, gere a rede de pagamentos). E, com um bocado de sorte, ainda sobra dinheiro para o cliente (alguma vez se perguntaram como funciona o esquema de cash back?):

Como a VISA ganha dinheiro

A empresa actua em mais de 200 países, entre um conjunto global de consumidores, comerciantes, instituições financeiras, empresas, parceiros estratégicos e entidades governamentais. O forte crescimento das últimas décadas foi impulsionado pela força dos seus principais serviços – os pagamentos através dos cartões de crédito, de débito e pré-pagos, a sua rede global de ATMs, o desenvolvimento da tecnologia contacless, os sistemas de pagamento para ecommerce, o desenvolvimento de APIs (com o foco nas fintechs e noutros parceiros), entre outras:

Core Business da Visa

Além dos tradicionais meios de pagamento Consumer-to-Business (C2B), a Visa investiu na sua expansão, capturando os novos fluxos de pagamento (P2P, B2C, B2B e G2C). Hoje, os parceiros estão a usar, cada vez mais, a sua infraestrutura:

As suas soluções vêm acompanhadas de vários recursos e serviços de valor acrescentado, que incluem os sistemas de segurança e prevenção de fraudes, de processamento, de fidelidade e os serviços de consultoria e de tratamento de dados:

Os alicerces do seu negócio são a tecnologia, a segurança, a marca e o know-how dos seus colaboradores:

A empresa é líder mundial…

VISA: líder mundial de pagamentos - Ações da VISA - NYSE V

… mas os seus concorrentes têm o domínio de alguns mercados (difíceis de penetrar), em diferentes regiões geográficas, tais como a China, a Rússia, o Japão e a Índia. O seu principal risco advém do factor «regulamentação» e «Governo».

Principais Accionistas

Aqui temos grandes fundos de investimento:

VISA - NYSE: V - Principais acionistas

Gráfico de Longo Prazo

As bluechip stocks também pode ser tenbaggers:

Ações da VISA: Gráfico de longo prazo

Evolução do Número de Acções e Valor de Mercado

Já vale quase meio trillion:

Evolução do Número de Acções e Valor de Mercado e Capitalização Bolsista da VISA

Informação Financeira

A Receita, que cresceu mais de 19% ao ano…

VISA: Informação Financeira - Receitas desde 2005 até 2019 e estimativas para 2020

… vem dos seus principais serviços:

Deixo aqui uma legenda da representação de cada um…

… cuja descrição se encontra pormenorizada nos Relatórios e Contas anuais (não tenho tempo para aprofundar cada um desses serviços). Os EUA respondem por quase metade do volume de net revenues:

A actual margem líquida ultrapassa os 50%. É impressionante! E a empresa passou pela crise do subprime sem prejuízos. Aquele prejuízo de 2007…

VISA - margem líquida

… foi motivado por um processo em tribunal que obrigou ao pagamento de uma pena de $ 2,1 billion, por violação das regras antitrust, como se vê na Demonstração de Resultados de 2007:

Despesas operacionais da VISA

A dívida financeira de longo prazo é pequena, considerando o valor em Caixa e os Investimentos de curto prazo (sem falar no Lucro líquido de $ 12 B):

Dívida financeira de longo prazo e valor em Caixa e os Investimentos de curto prazo da VISA

Desenvolvimento

As empresas que têm vantagens competitivas duradouras possuem certas características excepcionais:

  • fortes activos intangíveis (como marcas, patentes ou licenças)
  • produtos e serviços que criam custos de mudança (as fidelizações, as licenças de exploração de longo prazo, etc.)
  • efeitos de rede (como muita gente usa, é difícil de mudar… por exemplo, o Facebook)
  • vantagens na estrutura de custos (quanto dinheiro seria necessário para criar uma Apple?)

A Visa tem várias dessas vantagens competitivas (principalmente o efeito de rede) e muitos projectos preparados para o futuro, como a integração dos smartphones e a exploração do negócio nos mercados emergentes:

Por causa disso (em parte), os rácios de valorização estão muito altos:

VISA: Rácios de valorização PER - EV/EBITDA - PSR

De acordo com a expectativa de crescimento da enorme quantidade de analistas que seguem a empresa…

Balanço da VISA

… o PER24 situa-se, à cotação de hoje ($ 211), nos 24. Isto é um bom preço? Depende! Para uma pessoa como Warren Buffett, que tem dificuldade em aplicar a enorme quantidade de capital, vale a pena, pois o yield das obrigações é mais baixo do que o earning yield da Visa (que, além disso, tem tendência a crescer). Mas o nosso radar (sei que há aqui milionários, mas bilionários acho que não) consegue captar mais e melhores oportunidades.

Uma curiosidade: a Berkshire Hathaway tem quase 1% da carteira de investimentos na Visa, mas o Buffett diverge do seu sócio Charlie Munger, por este não conseguir enxergar o futuro destas empresas de pagamentos. Em causa está a ameaça do WeChat na China, da cloud, etc..

Conclusão

A Visa é uma excelente empresa, com um negócio muito lucrativo (a margem líquida é superior a 50%) e com vantagens competitivas duradouras (efeito de rede). É a maior empresa de redes de pagamento do mundo, mas o seu valuation é salgado. 

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

 

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