Nvidia Corporation – a gigante das GPUs

Lembro-me que há uns anos, quando trabalhava com workstations Linux, só usava GPUs (Graphics Processing Unit ou Unidade de Processamento Gráfico) da marca Nvidia, pois os drivers das GPUs da empresa ATI (que entretanto foi comprada pela AMD, a sua grande concorrente, que manteve a antiga marca Radeon) costumavam dar muitos problemas. Mas havia pessoas no mundo opensource que não estavam contentes com a Nvidia. Em 2012, o Linus Torvals (criador do kernel do Linux) estava bem lixado com a Nvidia (alguém se lembra do famoso “f_ck you“?)…

… o que me levou a pensar (sem conhecimento de causa) que a empresa não iria desempenhar um papel relevante no mundo Android. Mas a Nvidia safou-se! Vejam os 100% de valorização do pós-confinamento:

Montei o meu PC há 3 anos, mas sem GPU externa. E como estou há mais de uma década fora deste mundo do hardware, limitei-me a comprar os componentes mainstream do mercado. Vou tentar perceber como a empresa evoluiu desde então (hoje a Nvidia não é só GPUs!) e qual o factor que contribuiu para os actuais $350 B de Market Cap:

Apresentação

A Nvidia foi a empresa que criou a primeira GPU – a GeForce 256 (1999). A companhia, que é hoje líder mundial em visual computing, foi criada em 1993 com essa génese:

  • 1993 – Jensen Huang, Chris Malachowsky e Curtis Priem fundam a Nvidia.
  • 1996 – Lança os primeiros drivers para o Directx da Microsoft.
  • 1999 – Inventa a GPU.

E mais alguns factos:

  • 2005 – Desenvolve um processador para a Sony Playstation 3.
  • 2007 – É nomeada pela Forbes «Companhia do Ano».
  • 2010 e seguintes – lança o supercomputador mais rápido do mundo, investe em Android gaming, em deep learning, em inteligência artificial, em tecnologia para carros eléctricos, etc.

Há analistas a criticar a Nvidia por ser uma empresa de semicondutores, mas hoje a companhia é mais do que isso. O Grupo transitou do mercado de chips e de placas gráficas para mercados mais abrangentes, tendo desenvolvido para isso uma vasta plataforma computacional:

A plataforma assenta em dois segmentos – GPU e Tegra:

A partir do desenvolvimento dos seus processadores, a Nvidia criou plataformas que atendem a quatro grandes mercados onde a sua experiência é crucial – Gaming (as famosas placas gráficas GeForce para gamers, vloggers, youtubers e geeks como o hatrat), Data Center (deep learning, machine learning, inteligência artificial para empresas como a Amazon, Google, Microsoft, Baidu e Facebook, supercomputadores, virtualized graphics, que vai permitir correr gráficos pesados nos servidores – jogar em 4k a 120 fps na cloud, num browser ou numa TV? -, etc.), Professional Visualization (realidade virtual, produtividade, renderização em realtime, GPUs para o mercado profissional, etc.) e Automotive (plataformas para veículos autónomos, soluções para o cockpit infotainment, etc.):

O mercado da GeForce ainda é bastante representativo, mas os restantes mercados têm crescido e podem um dia tornar-se dominantes:

Os CPUs não conseguiram acompanhar a Lei de Moore, mas a procura mundial por GPUs continua a crescer exponencialmente, e a Nvidia foi pioneira nessa área…

… isto sem falar na capacidade nas inference solutions para data centers:

Os developers continuam a crescer nas suas plataformas (isto significa sucesso):

A área em que a empresa actua tem uma forte componente de inovação e competição; existem empresas concorrentes a lutar pelo mercado, em determinados segmentos:

Principais Accionistas

O fundador e CEO da Nvidia é o 5º maior accionista, mas só tem 3,48% da empresa:

Gráfico de Longo Prazo

O IPO foi lançado em 1999 na Bolsa da NASDAQ, com um preço de $12; agora está quase nos $600:

Informação Financeira

O mercado de gaming e data centers fez explodir a Receita a partir de 2016…

… e, por conseguinte, os Lucros:

O Balanço é saudável, tem uma forte liquidez e uma baixa alavancagem:

Desenvolvimento

O mercado Gaming é dominante…

… mas o mercado de Data Centers é o que mais tem crescido…

… no qual a área da inteligência artificial oferece grandes oportunidades…

… sem falar noutras áreas:

Não me é possível destacar nesta análise generalista todos os produtos e serviços (por exemplo, a análise de uma só framework necessitaria de várias horas), mas as oportunidades de crescimento são enumeras. Esta é uma empresa claramente bem posicionada para o futuro, mas isso tem um preço. Veja-se como estão os rácios de valorização:

  • Um Price-to-Sales de 27!!!

  • Um Price-to-Earnings de 104!!!

  • E o PSR25 e PER25? Estão a 11 e a 27, respectivamente:

No entanto, considerando o potencial das plataformas da empresa na área dos data centers (que infelizmente não pude comentar, apesar de conhecer genericamente), a acção pode continuar a duplicar. Mas atenção: tenho um amigo que é um dos principais investigadores portugueses na área do grafeno e que me vai falando umas coisas… eu não sei o que vai acontecer nos próximos 10 anos aos CPUs, com o advento da computação quântica, mas sei que aos níveis a que a acção transacciona, qualquer notícia pode impactar fortemente a cotação.

Conclusão

A Nvidia está cara e pode ficar ainda mais cara! Por isso, vou deixar a conclusão para a Tina Turner. Como disse o César: “O valor até pode ser muitíssimo – como acontece com a generalidade das empresas do S&P500 – mas se o preço é muito elevado, se o preço já está a descontar os próximos 30 anos de Lucros – não tem como subir muito mais, independentemente de existirem ou não alternativas.” 

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

 

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