Uma Diversificação Diferente

Bom dia,

No Curso de Ações, nos tópicos 2.4. a 2.8. explico cinco técnicas de diversificação no mercado de ações:

  1. Diversificação por várias ações
  2. Diversificação por setores
  3. Diversificação por países
  4. Diversificação por tipos de plays
  5. Diversificação por dimensão das empresas

Gostaria de partilhar dois destes vídeos, o da diversificação por países…

…e o da diversificação por dimensão das empresas:

Nas recomendações que dou no Borja on Stocks europeu e americano efetivamente utilizo as cinco técnicas de diversificação mencionadas, porém ontem ia no carro a pensar e pratico mais uma que não é muito óbvia e carece de explicação.

Estrategicamente quero investir em ações fundamentalmente atrativas com uma perspetiva de longo prazo e quando digo “fundamentalmente atrativas” não significa necessariamente múltiplos de valorização baixos, mas antes empresas que tenham caraterísticas especiais (preferencialmente únicas) que as tornam extremamente apelativas.

Em Portugal temos por exemplo a Corticeira Amorim, que é líder económico mundial no seu setor, com extraordinárias barreiras à entrada de concorrentes.

E nos Estados Unidos temos por exemplo a Fiverr International, que tem uma plataforma única que promete mudar o mundo do trabalho a nível global.

Neste género de oportunidades não estamos muito preocupados com o preço que vamos pagar (ainda que queiramos que seja razoável) porque pretendemos beneficiar do crescimento das empresas em termos de longo prazo.

Porém não é fácil encontrar empresas destas, com vantagens competitivas e histórias de investimento muitíssimo apelativas, pelo que diversificamos para outro género de oportunidades que têm mais a ver com o preço.

Vejamos dois exemplos muito práticos, noutras áreas, a ver se consigo fazer-me compreender muito bem:

– No mercado automóvel eu gosto de Porsches e do Tesla Roadster e não tenho especial atração por um carro indiferenciado, sei lá, um Fiat Punto. Mas se me quiserem vender um Fiat Punto por menos de 1/3 do seu valor intrínseco eu sou capaz de o comprar para o revender logo de seguida… claro que na economia real é muito raro aparecerem ineficiências deste género (o Mário Ferreira é que sabe apanhá-las), mas no mercado de ações é frequente acontecer, pois muitas vezes as tendências descendentes de ações individuais vão muito para lá do expectável e do razoável.

Por exemplo, uma ação que, por deterioração de 30% no seu valor fundamental, cai 80%, pode representar uma boa oportunidade de investimento.

O mercado automóvel não é um bom exemplo porque – salvo carros muito raros – os automóveis têm tendência a desvalorizar com a simples passagem do tempo.

– Pensemos antes no mercado imobiliário, em que acontece o contrário, ou seja, os imóveis tendem a valorizar com o tempo.

Em princípio eu quero viver/investir numa mansão com piscina e court de ténis, com uma localização premium e não tenho grande apetência por um apartamento indiferenciado num bairro residencial sem benefícios especiais. Mas se vir um apartamento desses à venda por um preço ridiculamente baixo, tipo, por menos de metade do seu valor – e que, após análise cuidada, verifique que não tem rabos de palha – sou capaz de o comprar para fazer umas melhorias e passados uns meses despachá-lo pelo dobro.

Ou seja, o que me atrai naquele apartamento, naquele ativo, não são as suas caraterísticas intrínsecas, mas sim o preço. Quase exclusivamente o preço.

O mesmo pode acontecer – e acontece frequentemente – nas ações.

Eu posso considerar que uma empresa não tem nada de apelativo, que é mais uma cotada entre 20 concorrentes da mesma indústria, mas… se no mercado a estiverem a oferecer por menos de um décimo das suas Receitas anuais eu sou capaz de ficar interessado, especialmente se o Balanço não tiver demasiada dívida financeira.

Uma empresa numa indústria decadente – como os media tradicionais – em princípio não será nada atrativa, mas caramba, se a venderem por 1/10 das Receitas e por apenas 2 ou 3 vezes o Lucro anual… até eu sou capaz de a comprar e de me pôr a ver a Cristina Ferreira o dia todo (eh lá, não vamos a tanto).

Portanto, existe aqui uma diversificação diferente, por entre dois tipos de oportunidades:

A – Ações de empresas com qualidades especiais, únicas, que pretendemos deter durante muitos anos, quiçá para sempre;

B – Ações de empresas que têm a ver com um preço demasiado baixo e relativamente atrativo, que rotinamente geram oportunidades de lucro que costumam oscilar entre os 50% e os 200% de mais-valia.

O “problema” destas oportunidades de tipo B é que quando o preço sobe a razão para as termos comprado deixa de ser válida, pelo que em princípio será acertado vender, tomando a mais-valia e pagando os respetivos impostos no final do ano.

Agora, convém referir, não basta fazer umas contas de dividir – ou seja, calcular rácios como o Price to Sales Ratio, o Price to Earnings Ratio e o Price to Book Value – para identificar oportunidades de tipo B. Há que fazer uma investigação mais profunda e perceber porquê que os rácios de valorização são o que são, pois por vezes existem razões muito válidas para o super-desconto. Nem sempre um super-desconto é uma ineficiência de mercado.

Por exemplo, quanto é que vale um Kg de maçãs podres? Há uma semana as maçãs valiam 1 €/kg e agora estão podres. Você pagaria 0,1 € por elas?

Não, apesar de estarem com um preço 90% abaixo, estão caríssimas porque valem 0 €. Quer dizer, para mim valem menos de zero porque ainda teria o trabalho de pegar no saco de maçãs podres e ir deitá-lo ao lixo.

O que me dá mais prazer é encontrar super-descontos em empresas que potencialmente até podem ser de categoria A, ou seja, simultaneamente incrivelmente baratas, mas também especiais e atraentes numa ótica de longo prazo. Mas dessas agora há pouquíssimas, eu pelo menos, em mais de 1.200 análises fundamentais publicadas, encontrei muito poucas dessas e existem sempre dúvidas se serão realmente de categoria A, uma vez que os outros ainda não lhes vêem o valor.

Em princípio o caro leitor já será Subscritor do Borja on Stocks (também da versão US) – um investimento de tipo A – mas caso não seja, saiba se os nossos serviços se adequam ao seu perfil de investidor aqui:

Obrigado pela atenção!

César Borja

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