Resultados 2020: Accell Group

1. Contexto

A Accell Group é a quarta empresa mais analisada de Amesterdão e conta de momento com 13 análises:

Análises às ações da Accell Group

Irei reler as duas análises mais antigas e as três mais recentes… Feito.

Reparo que a Pon vendeu a sua posição e agora os principais acionistas são os seguintes:

Sobre o segundo maior acionista encontrei as seguintes duas notícias que infelizmente estão em holandês. O tradutor ajuda, mas enfim, eu tenho a noção dos constrangimentos:

In memoriam Teunis van Wettum: bilionário enigmático (artigo de 2016)

Os bilionários de Stone, Van Wettum, estão emprestando 110 milhões de euros a si próprios (artigo de 2020)

2. Resultados

Os analistas apontavam para os 1.267 M€ de vendas e para um lucro de 40 M€.

Cycling Moves The World Forward

As vendas foram de 1.297 M€ e o lucro foi de 64,8 M€. O número médio de shares outstanding foi de 26,8 milhões. Em 2015 eram 25,1 milhões de ações.

3. Pontos Positivos

Com toda esta situação de não ser possível viajar entre concelhos nos fins-de-semana, reparo que afinal há muitas pessoas com animais de estimação e que afinal grande parte da população tem bicicleta em casa. Pelo menos na zona onde moro não era comum ver tantas famílias a andar de bicicleta.

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Apesar do confinamento e de todas as restrições, a Accell apenas viu as vendas da Europa Central a diminuírem no primeiro semestre de 2020, enquanto as vendas no Benelux e nas restantes zonas geográficas aumentaram:

O CAGR das vendas entre 2013 e 2020 é de 8,8%, no entanto, as vendas cresceram 16,7% entre 2019 e 2020:

O segmento das bicicletas tradicionais encontra-se em queda estrutural:

Porém, os restantes segmentos compensam a queda. A gestão considera que o segmento Cargo virá a representar entre 5% a 7% do total de vendas e afirma que 95% destas bicicletas são e-bikes. As bicicletas tradicionais deverão vir a representar entre os 8% e os 10% do volume total de negócios e as e-bikes representarão 60%. O remanescente será a venda de peças.

A dívida líquida diminuiu consideravelmente:

4. Pontos Negativos

Diminuição da margem bruta:

A empresa recorreu aos descontos para escoar os stocks e a pandemia levou a tais ineficiências na produção como, por exemplo, a falta de certas peças.

A gestão conseguiu compensar a contração da margem bruta através da diminuição dos gastos operacionais. A margem operacional em 2019 tinha sido de 5,33 % e em 2020 foi de 5,76 %.

O valor de impostos pagos foi de apenas 2 M€ e em 2019 tinha sido 8,2 M€.

5. Perspetivas

A gestão adianta que devido aos constrangimentos verificados por parte dos fornecedores, as vendas serão maiores no segundo semestre de 2021, tal como verificado em 2020:

A gestão não apresentou um outlook objetivo para 2021, porém em relação a 2022 o diálogo é o seguinte: We therefore remain confident that we are well on track to deliver 2022 targets:

O CAGR das vendas apontado está entre os 4% e os 7,5% entre 2020 e 2022. Em termos semestrais a margem tem oscilado entre valores positivos e negativos, porém se considerarmos a margem líquida média positiva dos últimos 3 semestres esta é de 4,3%. Tendo em conta que a gestão almeja expandir a margem EBIT até aos 8% é provável que a margem líquida também se expanda.

Tendo em conta a margem líquida de 4,3%, o lucro de 2022, no mínimo, deverá ser 60,2 M€.

As estimativas dos analistas são as seguintes:

As vendas estão mais perto do limite mínimo apontado pela gestão, porém a margem líquida apontada para 2022 é de 5%.

Seguindo as estimativas dos analistas, o PER21 é 17.

6. Conclusão

Já fora do tempo percorri o balanço que está disponível no relatório completo e notei que os inventários diminuíram 102 M€, ou 26%, e fixaram-se nos 285 M€. A rúbrica “Clientes – Contas a Receber” diminuiu 43 M€, ou 27%, e fixou-se nos 128,5 M€. O cash aumentou consideravelmente, no início do período era de 11 M€ e no final era de 173 M€.

A gestão aparenta estar a fazer um bom trabalho e a conseguir gerar cash. Não considero que a Accell esteja sobreavaliada, porém a cotação não me transmite o conforto de uma empresa subavaliada.

7. Comentário do César

Antes de mais, agradeço ao Artur por esta análise de resultados bastante completa.

Fiquei estupefacto quando no início é referido que a Pon tinha vendido a sua posição, que, se me recordo corretamente, era de 20% do capital. Sim, é verdade, foi vendendo em tranches, obtendo um preço médio de venda de 26,15 € por ação. Os institucionais que compraram têm puxado por ela…

…refletindo a melhoria nos fundamentais.

Na primeira vez que a Accell Group entrou no TOP10 Amesterdão, saiu a 31,33 €, gerando uma mais-valia de 66,2% e na segunda vez saiu a 28 €, gerando uma menos-valia de 8,7%. Esta saída foi com um bom timing, pois ela a seguir mergulhou 57%…

…até aos 12 €. O problema é que eu não tive a capacidade, ou a disponibilidade, para a recomprar lá em baixo. Lembro-me de ter tecido comentários a dizer que era uma boa oportunidade. Vejamos, sim, disse que a Pon iria certamente aproveitar para acumular ações a preço de saldo, mas como a minha ideia seria a de uma nova OPA geral, com um prémio limitado, deixei passar. A Pon ao vender a sua posição libertou a Accell Group para aquela sua viagem de longo prazo que foi defendida nas análises iniciais.

Ainda vou ver mais uns detalhes, mas à partida vai ser difícil encontrar boas justificações para não voltar a recomendar a Accell Group para o TOP10 Amesterdão.

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