Acerca do Aumento de Capital da Oi

1. Contexto Histórico

Nem sempre é possível orgulhar-mo-nos das análises realizadas no passado e algumas das minhas 483 análises a ações da Euronext publicadas no BoS conterão erros, alguns deles grosseiros. No entanto uma coisa vos garanto: nunca uma análise do passado será apagada ou modificada. Os erros que forem cometidos ficarão arquivados e gravados na história. Para poderem servir de lições para o futuro.

A Pharol é um desses casos em que andei aos papéis, no entanto vou reler essas análises:

OK, posto isto quero tentar responder a algumas questões:

1ª – Qual é neste momento a posição da Pharol na Oi? Quais são os principais acionistas da Oi?

Através da sua subsidiária Bratel Brasil S.A. a Pharol detém 27,49% das ações ordinárias da Oi (OIBR3.SA):

Das ações preferenciais (OIBR4.SA) a Pharol já não tem nada:

As minhas confusões do passado com a posição da Pharol na Oi tiveram duas causas: a Oi tem duas classes de ações e a Pharol trocou a sua posição de uma classe para a outra; a Pharol detinha a sua posição na Oi através de várias subsidiárias e não diretamente.

Agora vou ao relatório e contas da Pharol para averiguar, nessa fonte, qual a posição da Pharol na Oi:

Antes do fecho do 1º semestre 2017 houve uma Operação Pública de Troca das ações preferenciais por ações ordinárias da Oi, sendo que a Pharol trocou as suas ações preferenciais por ações ordinárias. A Oi detém cerca de 150 milhões de ações próprias, o que compensa o facto da Pharol já não ter ações preferenciais, daí que a Pharol tenha os tais 27,2% mencionados no relatório e contas (porque desconta as ações próprias – e bem – ao total de ações emitidas).

Não vou aprofundar mais este assunto.

2ª – Qual o valor das Obrigações da Rio Forte?

No relatório e contas de 30 de junho a Pharol apresenta a estimativa de um valor de 9,56% do valor nominal …

… e esse valor nominal é de …

«(2) os instrumentos de dívida da Rio Forte Investments S.A. (“Rio Forte”) com um valor nominal de 897 milhões de Euros», pelo que o valor considerado pela Pharol para este seu segundo activo é de 85,75 M€.

Dados do Contexto Histórico:

A Pharol tem três activos:

A – 27,2% da propriedade da Oi, que valem neste momento 354 M€;

B – Dívida da Rio Forte, avaliada em 85,75 M€

C – 23 M€ em Caixa e Equivalentes

O que dá um valor do Ativo Total de cerca de 463 M€. O Passivo da Pharol está em apenas 3,6 M€, pelo que o seu Capital Próprio, nesta altura, será qualquer coisa como 459 M€.

O Valor de Mercado da Pharol, à cotação de 0,50 €, é de 449 M€.

Muito próximos, portanto.

2. Perspetivas

Cerca de 81% do valor patrimonial da Pharol tem a ver com a sua posição na Oi e os 19% que restam – atribuídos à dívida da Rio Forte – serão um valor fixo, sem perspetivas.

Isto significa que o futuro da Pharol depende quase exclusivamente do futuro da Oi, porém existe aqui um pormenor deveras importante: é que a Oi pediu proteção de credores ao Tribunal de Falências do Brasil e está a enfrentar um processo de reestruturação. Este processo é muito importante porque poderá ditar a diluição da posição da Pharol na Oi.

Aqui estão todas as informações acerca do processo de reestruturação da Oi.

Comecei a abrir alguns documentos mas vi que isto será qualquer coisa semelhante ao Processo Marquês e iria precisar de uns três meses para ler tudo. Fui à procura de outras fontes e verifico que se falou bastante e anunciou um possível aumento de capital de R$8 bilhões …

… que está dependente da aprovação dos credores.

Por outro lado, vi ontem na Reuters Eikon, e comentei superficialmente, que a diluição seria de 25%. Mas há aqui qualquer coisa que não bate certo.

É que R$8 bilhões é quase o dobro do valor de mercado atual da Oi, que está nos R$4,84 bi. Nesse caso a diluição será de muito mais do que 25%. Este tipo de situações podem acontecer quando o Capital Social é muito superior ao Capital Próprio.

Deixem-me ver qual é o valor do capital social da Oi … OK, na página 423 do formulário de referência de 2017 consta a seguinte informação acerca do Capital Social da Oi:

O Capital Social da Oi é de R$21,4 bi e os R$8 bi realmente significarão cerca de 27% do capital social após o aumento de capital. Porém a emissão do número de ações não tem nada a ver com o capital social, que terá sido destruído após vários anos de prejuízos monstruosos. O nº de ações a emitir tem a ver com o montante que pretende ser angariado e o valor das ações atual (com um desconto).

Ontem as ações da OIBR3.SA fecharam nos R$6,06:

Vou ser simpático e admitir que as novas ações vão ser emitidas ao valor de R$6 por ação. Para que sejam angariados R$8 bi, terão de ser emitidas 1 333 333 333 ações.

A Oi neste momento tem 825 760 902 ações emitidas, às quais descontam 150 093 755 ações próprias, o que dá 675 667 147 ações. Adicionando as novas ações emitidas no aumento de capital, passarão a ser 2 009 000 480 ações.

A Pharol detém 183 660 000 ações da Oi.

Se o aumento de capital for para a frente e a Pharol não participar, a sua posição na Oi passará a ser de apenas 183 660 000 / 2 009 000 480 = 9,14%

O montante necessário para o Aumento de Capital é de R$8 bilhões, qualquer coisa como 2,16 mil milhões de EUR. A Pharol teria de investir qualquer coisa como 397 M€ para manter a sua posição de 27,2% na Oi e tem em Caixa e Equivalentes … 23 M€.

Fui informado que neste momento os acionistas da Pharol estão reunidos nas torres das Amoreiras, em Lisboa, para discutir o que fazer.

3. Conclusão

A situação da Pharol continua a ser bastante fluída e de risco elevado. A oportunidade detectada na análise “Pharol: Confuso?” – quando a ação estava pelos 16 cêntimos – não foi aproveitada e agora, com a cotação substancialmente mais alta, tudo indica que o risco pende bastante mais para o downside:

Se a Pharol nada fizer (que me parece ser o mais provável) a sua posição na Oi será fortemente diluída.

Na minha opinião as ações da Pharol são de evitar. Se eu tivesse as ações da Pharol em carteira vendê-las-ia de imediato, enquanto ainda existe muita confusão em torno do aumento de capital e as ações da Pharol acompanham as ações da Oi, como se não fossem existir consequências do pedido de proteção de credores.

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