Aegon para o Manuel Oliveira

1. Contexto Histórico da Aegon

A Aegon é uma das 86 ações da Euronext Amesterdão que já analisei e portanto acompanho. Vou reler a análise inicial, que publiquei no dia 26 de abril de 2016:

Na análise referi que a ação estava subavaliada, no entanto não lhe reconheci mérito como investimento a longo prazo. Desde essa análise inicial a Aegon teve grandes oscilações, mas no cômputo geral está a desvalorizar 12%:

aegon gráfico médio prazo

Referi também que, pela sua liquidez e volatilidade, a Aegon era atraente para os traders de curto prazo. O problema é quando os trades de curto prazo se transformam em investimentos de longo prazo …

Agora o Manuel Oliveira, que é um dos Subscritores do Borja on Stocks, solicitou-me uma atualização à Aegon, porque ontem foi divulgada uma notícia relevante que fez a ação subir 6%:

Antes de mais, devo dizer que a Aegon exibe aquela combinação de cotação baixa (abaixo de €10) e valor de mercado elevado (em torno dos €10 mil milhões) que quase sempre tem a ver com um passado de emissão de novas ações.

Tenho aqui os relatórios e contas desde 1992 (que contém dados desde 1983), pelo que vou averiguar essa situação em termos históricos:

aegon número de ações

Nota: valores corrigidos de quatro stock splits

O nº de ações emitidas pela Aegon subiu de 283 milhões em 1983 para 2 040 milhões agora. A taxa média de crescimento anual do nº de ações emitidas pela Aegon é de 6%, o que considero agressivo, mas não incapacitante.

Vejamos a evolução da Capitalização Bolsista ao longo dos últimos 35 anos:

aegon capitalização bolsista

Entre 1983 e 1999, o Valor de Mercado da Aegon multiplicou-se por 145 (!) Neste momento a empresa está a valer €9 227 milhões no mercado, cerca de 85% menos do que valia há dezoito anos atrás. Apesar de tudo, desde 1983 até 2017, o Valor de Mercado subiu à taxa média anual de 9,5%. Em relação à cotação, aumentou à taxa média anual de 3,3%.

Portanto, cerca de 2/3 da valorização de longo prazo da Aegon é explicada pela emissão de novas ações e apenas 1/3 é explicada pela subida da cotação, sendo que, obviamente:

Valor de Mercado = Cotação*Nº de Ações emitidas

Penso que este track record chega para excluir a Aegon da possibilidade de ser merecedora de um investimento de longo prazo, ainda que à subida da cotação se deva acrescentar o retorno dado pelos dividendos, que terá sido qualquer coisa entre 2% e 3% ao ano, em média. Mas, mesmo 5% a 6% ao ano é um retorno insuficiente, para quem quer ganhar bastante com as ações.

Porquê que algumas empresas têm tendência para ir diluindo o valor dos acionistas através da emissão de novas ações? Normalmente é porque não têm um acionista da referência, como é o caso da Aegon, onde nenhum acionista tem mais de 8% do capital da empresa:

aegon acionistas

Se não é boa para investimentos a longo prazo, o que poderei dizer em termos de curto/médio prazo?

Em princípio não diria nada, porque não estou minimamente interessado em trades de curto/médio prazo. Mas pronto, como o Manuel Oliveira tem interesse nestas ações, vou fazer um esforço.

2. Perspetivas a curto/médio prazo

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