Um Português na Euronext

Em agosto de 2015 decidi iniciar uma viagem pela Euronext e naturalmente comecei por Lisboa. A primeira ação que analisei foi a SAD do meu clube de futebol do coração, o Sporting:

Ações do Sporting: Investimento ou Especulação?

Posteriormente também analisei as SAD do FC Porto e Benfica com todo o interesse.

Aquela análise inicial ficou bastante rudimentar e rapidamente cheguei à conclusão que, se queria analisar ações de forma profissional, teria de subscrever alguns serviços de informação indispensáveis, tais como o Metastock e a Reuters Eikon. Subscrevi esses serviços e a segunda análise, à Sonae SGPS, já teve uma qualidade mais próxima das que produzo hoje em dia:

Sonae SGPS: Gigante em Portugal, Anão no Mundo

O plano era simples: conhecer profundamente todas as ações cotadas na Euronext Lisboa através de análises fundamentais sistemáticas e recorrentes.

E assim fiz, nos meses seguintes analisei todas as 50 ações cotadas na Euronext Lisboa, várias vezes. De facto, fui contar e, desde essa primeira análise às ações do Sporting até hoje, publiquei exatamente 243 análises fundamentais às ações da Euronext Lisboa. Todas estas análises estão organizadas cronologicamente no meu website (Borja on Stocks) nas pastas das ações respetivas, para fácil e rápida consulta.

Este conjunto de análises constitui um arquivo histórico das minhas opiniões fundamentadas acerca de cada ação, de forma a produzir um contexto, uma cronologia analítica para todas as ações.  Penso que este património intelectual tem um valor inestimável, pois permite compreender de onde é que as ações vêm, e porquê, e com essa informação é possível responder de forma mais acertada à pergunta mais importante de todas: para onde irão a seguir?

Armado com toda esta informação e confiante na qualidade e utilidade do trabalho produzido criei, no dia 2 de novembro de 2015, o Portfolio TOP10 Lisboa. A ideia era organizar e apresentar num portfolio público as 10 ações que, a cada momento, eram por mim consideradas as mais atrativas para investimentos a longo prazo.

O Portfolio TOP10 Lisboa servia dois objetivos principais:

– Dar orientações mais objetivas aos investidores

Uma coisa é produzir uma série infindável de análises a ações. Outra é identificar, justificar e transmitir quais é que são objetivamente as mais atrativas para investimentos a longo prazo, tendo em conta as análises produzidas;

– Desenvolver uma performance histórica, um track record

Para mim produzir apenas análises, sem medir os resultados que proporcionam aos investidores, seria um desperdício. Desde sempre quis medir a eficácia das minhas análises e assumir a responsabilidade pelos desenvolvimentos, numa atitude que apelido de “dar a cara”.

Aqui está esse track record, desde o início do Portfolio TOP10 Lisboa até à atualidade e em comparação com o índice PSI 20:

O Portfolio TOP10 Lisboa começou por destacar-se do PSI 20 principalmente porque estava pouco investido e o índice tinha uma tendência de queda. Só em fevereiro de 2016 é que cheguei ao limite máximo das 10 ações no Portfolio, ao que se seguiu uma queda violenta em que o Portfolio TOP10 Lisboa ficou a descer 6,1% desde o seu início, valor que se fixou como o mínimo histórico. A partir daí houve uma recuperação vigorosa até ao máximo de +9,8% em 25 de março de 2016, ao que se seguiu uma descida lenta, acompanhando o mercado em geral, mas exibindo bastante firmeza relativa. No dia 8 de julho de 2016 o Portfolio TOP10 Lisboa voltou a terreno negativo face ao seu início (-0,9%), mas muito melhor que o PSI 20, que no mesmo período estava a desvalorizar 19,1%.

A seguir houve uma fase de recuperação periclitante até que, em novembro de 2016 o Portfolio TOP10 Lisboa arrancou para a valorização fulgurante que se pode ver no gráfico, independentemente do PSI 20, que ficou essencialmente parado. Ou seja, foi preciso quase um ano para que as oportunidades que tinha identificado começassem a dar os seus frutos.

No dia 14 de abril de 2017 o Portfolio TOP10 Lisboa fechou com uma valorização de 38,3% desde o seu início, enquanto que o índice PSI 20 caiu 9,9% no mesmo período. A outperformance está nos 48,2 pontos percentuais!

Em termos anualizados o Portfolio TOP10 Lisboa está a ganhar 22,9% ao ano. É claro que este track record tem uma duração insuficiente (apenas 18 meses) para que se possam retirar conclusões de longo prazo, de qualquer modo o começo foi bastante auspicioso, especialmente considerando que no mesmo período o mercado em geral teve uma performance francamente negativa.

Atribuo estes resultados à consistência do trabalho realizado na produção de análises e ao conhecimento profundo sobre todas as ações cotadas. Tendo o arquivo histórico para dar o contexto fundamental é para mim mais fácil identificar os fatores chave de mudança nas empresas – ou nas perceções e expetativas dos investidores – que levam às grandes tendências de valorização das ações. Depois não escolho só as ações boas, mas as melhores!

O método de seleção de ações que aplico é relativamente inovador e apelidei-o de “Análise Fundamental Comparativa”. É inovador porque até agora ninguém se tinha dado ao trabalho de analisar mesmo todas as ações e de manter essas análises atualizadas com os novos desenvolvimentos. Os investidores normalmente investem em quatro ou cinco ações e depois focam-se nessas, ignorando os desenvolvimentos das outras, pelo menos de forma profunda. E os analistas profissionais fazem mais ou menos o mesmo, especializam-se em meia dúzia de empresas (no máximo uma dúzia) e essas empresas são a sua área de competência, da qual raramente saem.

Só que, para aplicar o método da Análise Fundamental Comparativa, ou seja, para comparar as ações todas umas com as outras, é preciso segui-las mesmo todas e é isso que eu faço. Nem com a ligeireza dos investidores mais amadores nem com a profundidade dos analistas financeiros especializados. As minhas análises são um meio termo que se foca nas grandes tendências fundamentais, nos números mais importantes de cada empresa. Aqui estão as variáveis fundamentais que considero mais importantes:

César Borja