Quem não conhece a Philips?

1. Introdução

Estou em processo de análise às 86 ações mais líquidas da Euronext Amesterdão, com o objetivo de aumentar a outperformance do Portfolio TOP10 Amesterdão face ao índice AEX25. O Portfolio TOP10 Amesterdão contém as 10 ações que, a cada momento e tendo em conta as minhas análises, são consideradas as mais atrativas para investimentos a longo prazo.

A Philips (PHG.AS) é a 65ª ação da Euronext Amesterdão que analiso, faltam 21 para completar esta ronda.

2. Apresentação

Eu acho que quando nasci, em 1976, já a Philips estava em Portugal, pelo menos lembro-me da presença constante desta marca, nas lâmpadas, nos leitores de vídeo, nos CDs. De facto a Philips inventou, em conjunto com a Sony, o compact disk, em 1982.

Aqui está toda a história da empresa, que já existe desde 1891 e é cotada na Euronext Amesterdão desde 1912 (!)

Hoje em dia o principal segmento da Philips é o dos cuidados de saúde, acredite-se ou não, com 45% das Vendas:

Segmentos de mercado da Philips, Euronext Amesterdão

E os dois maiores mercados são os Estados Unidos, com 32% das Vendas e a China, com cerca de 12%.

Impressionante a transformação na Philips.

3. Principais Acionistas

O free float da Philips é 100% e estão três “Ativistas” no top dos maiores acionistas:

Principais Acionistas da Philips Euronext Amesterdão, análise fundamental

4. Gráfico de Longo Prazo

Só tenho o gráfico desde 1985 (não seria ótimo tê-lo desde 1912?), aqui está ele:

Gráfico de Longo Prazo da Philips

Entre o mínimo de 1992 e o máximo do ano 2000 a Philips subiu 2 900%, porém hoje em dia, apesar das oscilações mais ou menos pronunciadas, está sensivelmente no mesmo sítio que há vinte anos atrás.

5. Evolução do Nº de Ações e Valor de Mercado

Evolução do Nº de Ações e Valor de Mercado da Philips

Verifico que em 2011, quando a cotação veio abaixo, a Philips aproveitou para comprar cerca de 22 milhões de ações próprias. O Valor de Mercado atual é de €25 233 milhões.

6. Evolução das Vendas e Price to Sales Ratio

Não estou à espera de encontrar ineficiências de mercado numa empresa tão grande e tão conhecida como a Philips. O Price to Sales Ratio está nos 0,99:

Vendas da Philips em euros

Desde 2014 as Vendas da Philips têm aumentado sustentadamente e para 2017 os analistas que seguem a empresa, em média, esperam Vendas de €25 525 milhões.

7. Lucro, Margem Líquida e PER

Normalmente a linha do Lucro não é tão estável e linear como a das Vendas e a Philips também mostra esse comportamento, com um pesado Prejuízo em 2011:

Lucro e Prejuízo e margem líquida da Philips

Desde 2014 que o Lucro tem aumentado e para 2017 os analistas que seguem a empresa esperam um Lucro de €1 633 milhões, a subir 9,5% do valor obtido em 2016.

O PER 2017 é de 15, dentro da média do mercado holandês.

8. Rácios do Balanço

Rácios de balanço da Philips

Os rácios do balanço não estão em níveis saudáveis, mas também não estão em níveis que constituam alarme ou preocupação.

9. Último Relatório de Gestão

Vou ler a apresentação dos resultados de 2016, que foram divulgados no dia 24 de janeiro de 2017.

Vou tirar algumas notas:

  • 105 mil empregados em mais de 100 países
  • Espera-se um forte crescimento no mercado da tecnologia da saúde:

Dimensão do mercado de saúde e tecnologia em Euros

  • A Philips investe cerca de €2 mil milhões/ano em Investigação & Desenvolvimento. Se parasse com estes investimentos o lucro duplicaria de imediato, só que, claro, isso comprometeria o desenvolvimento a longo prazo;
  • Dividendo por Ação desde 1995:

Evolução da distribuição de dividendos da Philips desde 1995

  • A evolução trimestral, presente nas páginas 28 a 34 da apresentação, revela que as Vendas estão a aumentar em todas as geografias e a margem EBITDA está a expandir-se em todos os segmentos da empresa.

10. Perspetivas

Acho esta nova direção da Philips, mais focada no setor da tecnologia da saúde, muito promissora (na apresentação vêem-se os principais segmentos, produtos e serviços da empresa).

A ação parece-me corretamente avaliada pelo mercado, ainda que, tendo em conta o seu track record, talvez pudesse ter uma valorização um pouco mais alta, digamos, um PSR superior a 1,5 e um PER superior a 20.

Os desenvolvimentos fundamentais nos trimestres mais recentes entusiasmaram os investidores na segunda metade de 2016:

gráfico de curto prazo da cotação Philips

10. Conclusão

A Philips já é uma large cap, uma das maiores e mais antigas blue chips da Euronext Amesterdão. É uma ação atrativa para quem quer investir com segurança e algum potencial de crescimento a longo prazo, digamos, 5 a 10% ao ano, em média. O dividend yield está atualmente nos 3%, pelo que uma parte desse retorno já está mais ou menos garantida.

Nesta fase da minha carreira a Philips não é o género de ação que procuro (preciso de mais potencial de valorização), mas lá para os 60 anos de idade, se tudo correr bem, vou começar a apontar mais para este tipo de investimentos mais conservadores.

Se nas próximas duas décadas ela vier a níveis muito atrativos, provavelmente terei de aproveitar. Esta empresa está cotada há mais de 100 anos e aposto já aqui que irá estar cotada pelo menos mais 100. De qualquer modo, vou acompanhando os desenvolvimentos e analisando, pois, nunca se sabe, o futuro é incerto e não seria a primeira grande blue chip a cair na lama. Mas, neste momento, tendo em conta os investimentos em I&D, os seus setores de actuação e a qualidade dos fundamentais, as perspetivas são moderadamente otimistas.

12. Disclaimer

Esta publicação é para efeitos meramente informativos e educacionais e nunca deverá ser entendida como uma recomendação de compra ou venda de ações. O BorjaOnStocks e a sua Equipa não assumem qualquer responsabilidade por eventuais perdas ou ganhos resultantes da informação obtida nesta publicação. Se necessitar de conselhos financeiros, procure sempre os serviços de um profissional devidamente autorizado e credenciado. 

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