Análise Fundamental à Jerónimo Martins

1ª PARTE – Enquadramento Histórico

A Jerónimo Martins (JMT), cujas origens remontam a uma loja no Chiado aberta em 1792, publicou uma série de dez vídeos curtos no YouTube que explicam a história de sucesso da empresa e o seu rápido crescimento, especialmente a partir da expansão da Biedronka na Polónia.

Aqui estão esses vídeos: A História da Jerónimo Martins

A entrada em Bolsa da Jerónimo Martins foi em julho de 1989, quando dispersou 15% do capital através de uma Operação Pública de Venda (OPV). Hoje em dia o free float é de 38,78% e os 10 maiores acionistas da Jerónimo Martins são:

Principais investidores Jerónimo Martins

Principais accionistas Jerónimo Martins

A família de Alexandre Soares dos Santos (o 2º homem mais rico de Portugal, com uma fortuna avaliada em cerca de €2 500 milhões), que entrou na Jerónimo Martins somente em 1921, conserva 56% do capital da empresa.

Apesar da Jerónimo Martins ter entrado na antigamente denominada Bolsa de Valores de Lisboa em 1989, eu lamentavelmente só disponho do gráfico da cotação desde janeiro de 1994:

Gráfico longo prazo Jerónimo Martins

Entre o mínimo de 1994 e o máximo de 1999 a Jerónimo Martins subiu cerca de 1 000%, para de seguida desvalorizar 87%, por causa do endividamento e fortes prejuízos nas operações na Polónia e Brasil.

Com o regresso aos lucros e ao crescimento, como veremos de seguida, as ações da Jerónimo Martins valorizaram 1 834% entre o mínimo de 2002 e o máximo de 2013. Nos dezoito meses seguintes houve uma severa correção, de -63%, seguida de uma recuperação em 2015 e 2016.

Apesar de toda esta oscilação, um investidor que tivesse comprado as ações da Jerónimo Martins em 1994 e ainda as tivesse em carteira, neste momento estaria a ganhar cerca de 20 vezes mais. O retorno médio anual (sem contar com os dividendos), foi de 14,3%. Os dividendos acrescentariam uns 2 pontos percentuais a este retorno, para os 16,3% ao ano, em média.

Vejamos esta evolução em termos de Valor de Mercado no final de cada ano:

Número de acções e valor de mercado Jerónimo Martins

Entre 1994 e 2005 o n.º de ações emitidas pela Jerónimo Martins aumentou ao ritmo médio anual de 3,3%, mas desde 2005 que o nº de ações emitidas pela Jerónimo Martins se tem mantido constante nas 628 milhões.

O Valor de Mercado, que era de apenas €667 milhões no final de 2002, é agora de €9 584 milhões!

As Vendas anuais também exibem uma tendência fortemente ascendente em termos de longo prazo …

Vendas e Price to sales ratio Jerónimo Martins

… a aumentarem dos €1 081 milhões em 1994 para os €14 622 milhões em 2016, uma taxa média de crescimento anual de 12,6%.

Apenas em 2002 e 2003 houve um recuo das Vendas da Jerónimo Martins, que se explica pela alienação dos seus ativos no Brasil.

O Price to Sales Ratio (se necessário, ver glossário), cuja média histórica para a Jerónimo Martins é 0,5, terminou o ano de 2016 nos 0,63, ou seja, no final do ano a Jerónimo Martins estava avaliada pelo mercado em 63% daquilo que vendeu.

Em relação ao que no fundo é o mais importante para os investidores, o Lucro, a evolução foi a seguinte:

Lucro anual da Jerónimo Martins

Após ter visto este gráfico, é muito simples explicar a queda de 87% da cotação da Jerónimo Martins entre o início de 1999 e 2002, não é? A empresa passou de um Lucro anual de €61 milhões para um Prejuízo de €204 milhões em 2002.

Após a recuperação fulgurante de 2003 o Lucro foi sempre aumentando até 2013, coincidindo também com o máximo da cotação.

Nota: Não é por acaso!

Em 2016 o Lucro da Jerónimo Martins – retirando o efeito extraordinário causado pela alienação da Monterroio à acionista principal, que gerou uma mais valia de €221 milhões – foi de €361 milhões, abaixo da estimativa média dos analistas na data da minha análise anterior (19 de outubro de 2016), que apontava para os €400 milhões.

Foi esta performance aquém do esperado em termos de Lucro, especialmente no 4º trimestre do ano, que terá desapontado os investidores e causado a queda dos últimos dias:

Gráfico de curto prazo da Jerónimo Martins

2ª PARTE – Perspetivas Futuras

 

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