Biotecnológica agarra o destino: Pharming Group

1. Introdução

Estou em processo de análise às 86 ações mais líquidas da Euronext Amesterdão, com o objetivo de aumentar a outperformance do Portfolio TOP10 Amesterdão face ao índice AEX25. O Portfolio TOP10 Amesterdão contém as 10 ações que, a cada momento e tendo em conta as minhas análises, são consideradas as mais atrativas para investimentos a longo prazo.

O Pharming Group é a 64ª ação da Euronext Amesterdão que analiso, faltam 22 para completar esta ronda.

2. Apresentação

O Pharming Group NV (PHAR.AS) é uma empresa de biotecnologia holandesa. A empresa opera através de dois segmentos: Ruconest e DNage.

Grande parte das Receitas são oriundas dos Estados Unidos:

Aqui está o sítio na internet do Pharming Group.

3. Principais Acionistas

O maior acionista, Kingdon Capital Management, LLC, tem apenas 2,47% da Pharming.

4. Gráfico de Longo Prazo

Pois, este gráfico diz-me que a Pharming é mais uma daquelas empresas de biotecnologia que emite muitas novas ações. Faz lembrar o gráfico do Banif, oxalá o desfecho não seja o mesmo.

Vou fazer zoom no curto prazo, senão não se vê nada:

4. Evolução do Nº de Ações e Valor de Mercado

O Nº de Ações emitidas pela Pharming aumentou de 27 milhões em 2010 para 485 milhões atualmente (!). O Valor de Mercado está nos €158 milhões.

5. Evolução das Vendas e Price to Sales Ratio

A Pharming é uma biotecnológica com Vendas! Em 2010 foram de apenas €0,6 milhões, mas em 2015 já foram de €10,8 milhões. A estimativa para 2016, já com três trimestres reportados, aponta para os €13 milhões e a partir daí, como é habitual nas empresas biotecnológicas, os analistas estão muito otimistas, esperando Vendas de €53 milhões em 2017, €81 milhões em 2018 e €135 milhões em 2019.

6. Lucro e Prejuízo

Pelo menos desde 2010 a Pharming deu pesados Prejuízos (em toda a sua história, a empresa acumula um Prejuízo de €273 milhões), mas para os próximos anos os analistas esperam Lucros apreciáveis, nomeadamente, €55 milhões em 2019. Se assim for, o PER 2019 está nos 3, mas é um enorme “se”.

7. Rácios do Balanço

Em 2011 e 2012 a Pharming esteve em falência técnica, ou seja, tinha um Capital Próprio negativo.

8. Research dos Analistas

Penso que esta é a primeira empresa que encontro que tem no seu website bastantes relatórios de research dos analistas que a seguem. Li alguns e são naturalmente bastante otimistas, senão provavelmente não estariam ali publicados.

A história da Pharming é que a empresa a certa altura vendeu os direitos de comercialização do seu principal medicamento, o Ruconest, à Valeant e ficou só com uma royalty de 30% sobre as Vendas. É destes 30% de royalty que vêm as receitas da Pharming nos Estados Unidos.

Nos últimos meses a Pharming recomprou 100% dos direitos de comercialização do seu medicamento nos Estados Unidos, Canadá e México, daí a expetativa, justificada, de grande subida das Vendas já em 2017.

A Valeant é uma empresa com um Valor de Mercado de cerca de €4 100 milhões e Vendas em 2015 de €10 447 milhões. O Ruconest não era muito importante para a Valeant que tinha uma equipa de apenas 11 pessoas dedicadas à venda do medicamento. A Pharming vai começar por duplicar essa força de vendas.

Para recomprar estes direitos de comercialização a Pharming pagou $60 milhões à Valeant à cabeça e poderá vir a pagar mais $65 milhões, dependendo dos resultados (mas não existem royalties). Para financiar esta operação a Pharming fez uma emissão de novas ações com direitos (obteve cerca de €8 milhões), uma oferta de obrigações (obteve $40 milhões) e uma emissão de obrigações convertíveis em ações (conseguiu cerca de €57 milhões).

9. Perspetivas

Esta situação da Pharming Group sai muito do meu modus operandi, isto é, não é um tipo de situação que normalmente me atraia, pois prefiro investir em empresas que me dão retorno dos investimentos, em vez de investir em empresas que estão constantemente necessitadas de capital e emitem novas ações, diluindo as posições acionistas. Porém, já sabemos que as empresas da indústria biotecnológica, especialmente estas mais pequenas que ainda estão a começar (se bem que a Pharming já é cotada desde 1999, não é propriamente uma criança), precisam de muito capital mas por vezes também dão grandes recompensas.

Eu aqui acho que será boa ideia esperar para ver, pois os benefícios dos aumentos de vendas e possivelmente o aparecimento de lucros serão potencialmente e negativamente compensados pelas conversões de obrigações em ações. Os obrigacionistas têm de ver o seu capital de volta. Já os acionistas … enfim, o que interessam os acionistas, na perspetiva da gestão? São apenas um monte de especuladores, ninguém tem uma posição relevante na empresa.

10. Conclusão

Vou continuar a acompanhar a Pharming (assim como todas as outras 86 ações da minha lista de Amesterdão, não sei porque continuo a referir isto), mas neste momento fico com um pé atrás. Acho que tem de ser sempre assim quando o track record é mau e as expetativas são muito otimistas.

Uma coisa é o passado e esse é constituído por factos. Outra é o futuro, que é constituído por expetativas. Os factos não mudam, embora possam ser sujeitos a diferentes interpretações, mas as expetativas, o futuro, é muito incerto. Temos de ser cépticos em relação às expetativas, especialmente quando não temos a história para nos amparar.

11. Disclaimer

Esta publicação é para efeitos meramente informativos e educacionais e nunca deverá ser entendida como uma recomendação de compra ou venda de ações. O BorjaOnStocks e a sua Equipa não assumem qualquer responsabilidade por eventuais perdas ou ganhos resultantes da informação obtida nesta publicação. Se necessitar de conselhos financeiros, procure sempre os serviços de um profissional devidamente autorizado e credenciado. 

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