CCR Rodovias subiu imenso!

1. Apresentação

Penso que a seguinte apresentação no website da CCR Rodovias resume bem a atividade da empresa:

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Mais informações aqui.

Vejamos também a distribuição em termos de segmentos:

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77% são portagens nas auto-estradas, 14% têm a ver com transporte de passageiros, 5,5% com concessões de aeroportos, 1,8% com concessões de transportes marítimos e portos e 1,55% com serviços, do género da Via Verde.

2. Principais Acionistas

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A Camargo Corrêa parece que está em todo o lado, aqui aparece como segundo maior acionista, com 15% do capital da CCR Rodovias.

3. Gráfico de Longo Prazo

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Ai meu Deus, desde o final de 2002 até agora a CCR Rodovias subiu 4 755%! A taxa média de valorização anual foi de 32%.

4. Evolução do Nº de Ações e Valor de Mercado

Em toda a história da CCR Rodovias em bolsa contei dois stock splits e dois pequenos aumentos de capital, em 2004 e 2009:

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Desde 2009 que o nº de ações é o mesmo. O Valor de Mercado começou por ser de apenas R$ 418 milhões e agora está nos R$ 26 431 milhões, cerca de €7,3 mil milhões.

5. Evolução das Vendas e Price to Sales Ratio

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Entre 2002 e 2015, as Vendas Anuais da CCR Rodovias subiram 689%, o que dá um ritmo médio anual de crescimento de 17%, pouco mais de metade da valorização da ação, que como vimos foi de qualquer coisa como 32% ao ano. Isto porque o Price to Sales Ratio era de apenas 0,39 em 2002 (a empresa estava valorizada pelo mercado em 39% das suas vendas anuais) e no final de 2015 o mesmo rácio estava nos 2,49.

Portanto houve aqui uma combinação virtuosa de crescimento das vendas e ao mesmo tempo uma passagem de subavaliada para sobre-valorizada que fez com que a cotação subisse quase 50 vezes. É lindo.

6. Lucro, Margem Líquida e PER

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Pois, agora percebe-se porquê que a CCR Rodovias estava avaliada pelo mercado em apenas 39% das suas Vendas Anuais em 2002, foi porque nesse ano a empresa deu Prejuízo. Depois disso começou a dar lucros crescentes, com uma margem líquida bastante elevada (média de 20% entre 2003 e 2016).

Entre 2003 e a estimativa de Lucro para 2016, a taxa média de crescimento anual do Lucro foi de cerca de 18% ao ano.

Paralelamente, o PER em 2003 era de 8 …

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… e no final de 2015 estava nos 24.

Portanto, mais uma vez se verifica que uma combinação de subavaliação inicial com forte crescimento no futuro deu esta recompensa espetacular aos acionistas.

7. Rácios do Balanço

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Os rácios do Balanço não estão em níveis que eu possa considerar saudáveis e o Price to Book Value indica sobre-valorização.

8. Último Relatório de Gestão

Antes de mais devo dizer que a organização dos relatórios e contas da CCR Rodovias é exemplar. Vou ouvir e ler a apresentação dos resultados do 3º trimestre de 2016.

Em agosto de 2016 a empresa vendeu um ativo importante para abater na dívida, que estava a crescer a um ritmo alarmante:

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A primeira pergunta do analista na conferência de imprensa foi logo sobre o refinanciamento da dívida e a possibilidade de um aumento de capital. A resposta foi que não estava planeado qualquer aumento de capital e que a companhia não via problemas no refinanciamento da dívida.

9. Perspetivas

Não há dúvidas que o negócio é muito bom, com uma margem líquida de 20% praticamente garantida. Não aprecio o Balanço, que mostra um claro sobre-endividamento, mas foi explicado na conferência de imprensa que isso teve a ver com um grande esforço de investimento em 5 grandes projetos que ainda nem sequer começaram a operar (metropolitanos, auto-estradas, etc).

Claro que a CCR Rodovias estava muito mais atrativa nos anos 2003-2008, quando andou por ali com um PER médio de 11, do que no período 2009-2015, em que o PER médio foi o dobro.

Os resultados de 2016 estão positivamente influenciados pela venda de um ativo por R$ 1 308 milhões, por isso, considerando antes a estimativa de Lucro para 2017, o PER previsional está nos 20.

10. Conclusão

Penso que a CCR Rodovias continuará a valorizar em termos de médio/longo prazo, mas a uma taxa que não tem nada a ver com a do passado.

Enquanto que entre 2002 e 2012 a ação subiu ao ritmo médio de 48% ao ano, penso que nos próximos dez anos subirá ao ritmo médio de uns 5% a 10% ao ano.

11. Disclaimer

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