BR Malls versus Sonae Sierra Brasil

1. Apresentação

A BR Malls (BRML3.SA) é a maior empresa integrada de centros comerciais da América Latina, com participação em 48 shoppings, que totalizam 1,69 milhões de m2 de Área Bruta Locável (ABL) e 0,9874 milhões de m2 de ABL própria.

A BR Malls é a única empresa brasileira de shopping centers com presença em todas as cinco regiões do Brasil, atendendo aos consumidores de todas as diferentes classes sociais do Brasil.

Para mais informações consulte o sítio da BR Malls.

2. Principais Acionistas

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Os principais acionistas são fundos de investimento e hedge funds e o free float é de 95%.

3. Gráfico de Longo Prazo

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A BR Malls entrou em bolsa em 2007, nos R$5,39 e agora está cerca de 100% mais alta.

4. Evolução do Nº de Ações e Valor de Mercado

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Há pouco vimos que a BR Malls não tem um acionista de referência, agora vemos que o Nº de Ações emitidas pela empresa cresceu ao ritmo médio anual de 15,1% desde 2007. Está certo que esse aumento foi muito mais acentuado nos anos de 2007-2009, quando a empresa estava a investir muito na construção e compra de shoppings, mas mesmo nos últimos anos o Nº de Ações emitidas tem aumentado sempre o que me leva a desconfiar que, num momento de dificuldades, serão os acionistas a pagar a fatura, vendo a sua posição diluída pela emissão de mais ações.

O Valor de Mercado subiu 12 vezes em relação a 2008, mas a cotação está apenas 3,4 vezes mais alta. O Valor de Mercado atual é de R$6 547 milhões, qualquer coisa como €1 835 milhões.

5. Evolução das Vendas e Price to Sales Ratio

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Entre 2007 e 2015 as Vendas Anuais subiram dos R$207 milhões para os R$1 359 milhões, uma taxa média anual de crescimento de cerca de 27%, o que é bastante. O crescimento abrandou consideravelmente a partir de 2014 e para 2016 espera-se um ligeiro recuo nas Vendas (a acontecer, será o primeiro da história – nos primeiros nove meses do ano as Vendas recuaram 5,8%, portanto é provável que aconteça). Para 2017 os analistas que seguem a empresa, em média, esperam um aumento de 3,2% e para 2018 uma subida de 7,5%. Em 2019 a aceleração esperada é de 10,4% para os R$1 664 milhões.

O Price to Sales Ratio de 2016 está nos 4,8, ou seja, a empresa está avaliada pelo mercado em 4,8 vezes mais do que aquilo que se espera que venda em 2016.

6. Lucro e PER

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Este gráfico com a evolução do Lucro Anual explica porquê que a cotação da ação atingiu o seu máximo em 2012 e depois começou a descer: foi porque esse foi também o ano em que mais lucrou. 2015 foi um ano bastante mau, com a empresa a ficar praticamente no break even point. Em 2016 espera-se uma recuperação significativa para um Lucro de R$331 milhões (nos primeiros nove meses foi de R$166 milhões, pelo que será necessário um 4º trimestre muito forte para que se cumpra a estimativa dos analistas).

O PER de 2016 anda pelos 20.

7. Rácios do Balanço

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O Current Ratio está no seu nível mais alto dos últimos anos, nos 1,55, aproximando-se de um nível que poderá ser considerado saudável, pelo que em princípio a empresa não terá necessidades de financiamento a curto prazo. O debt to equity ratio nos 1,13 é elevado (quanto mais alto pior), mas melhorou em 2016. Finalmente o Price to Book Value indica que a empresa está mais barata agora – em relação ao seu Valor Contabilístico – do que em 2012.

Em termos gerais considero o Balanço da BR Malls pouco saudável, mas com tendência a melhorar ligeiramente.

8. Último Relatório de Gestão

O relatório de gestão do 3º trimestre tem 29 páginas.

Os alugueres de lojas e os parques de estacionamento dos shoppings contribuem com quase 90% receita da BR Malls:

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Os shoppings da BR Malls têm uma taxa de ocupação média de 95,5%, sendo que os 10 maiores shoppings têm uma taxa de ocupação de 97,5%.

9. Perspetivas

Antes da BR Malls já tinha conhecido três empresas de centros comerciais.

Uma holandesa:

Gere 33 centros comerciais (em França, Suécia e Itália) e neste momento está a valer €1 658 milhões.

Uma portuguesa:

A Sonae Sierra (detida em 50% pela Sonae SGPS) detém 44 centros comerciais e gere 79 (em treze países), com uma Área Bruta Locável de 2,3 milhões de m2, cerca de 36% mais do que a BR Malls.

E uma luso-brasileira:

A Sonae Sierra Brasil (controlada em 66% pela Sonae Sierra), é cotada na Bovespa:

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Esta gere 10 centros comerciais no Brasil e está avaliada pelo mercado em €419 milhões.

Como referi na análise à EuroCommercial, tenho alguma desconfiança em relação aos negócios dos centros comerciais em termos de longo prazo. Não me parece que seja uma área de forte crescimento no futuro, por causa da concorrência do comércio eletrónico. Tendo em conta esta visão, o PER de 20 da BR Malls parece-me exagerado.

Já agora, vejamos qual é o PER2016 da Sonae Sierra Brasil … pois, é de apenas 7,3, muito mais atrativo. E as estimativas apontam para um crescimento estrondoso da Sonae Sierra Brasil nos próximos anos, dos €57 milhões de Lucro em 2016 para os €91 milhões em 2017 e €140 milhões em 2018.

10. Conclusão

Está visto que, a investir em alguma empresa de shopping centers no Brasil, mais depressa investiria na Sonae Sierra Brasil que na BR Malls.

11. Disclaimer

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