Ações da Bolsa: BM&F Bovespa

1. Apresentação

A BM&F Bovespa (BVMF3.SA) é o resultado da fusão entre a Bolsa de Mercadorias & Futuros e a Bolsa de Valores de São Paulo, que aconteceu em 2008, criando uma das maiores Bolsas do Mundo:

De seguida vi um vídeo que mostra bem como os brasileiros são informais:

… “se essa não é a sua praia …” num vídeo institucional da Bolsa. Acho que só têm a ganhar com esta atitude mais descontraída. Eu quando lá estive (já foi há uns 15 anos, em Florianópolis) também senti essa descontração.

Pois, eu já tinha andado a investigar isto e para transacionar diretamente nas ações brasileiras, em vez de ser através de ADRs em Nova Iorque ou CFDs (horríveis), seria preciso abrir uma conta numa corretora brasileira com assento na BM&F Bovespa. Um dos Subscritores do Borja on Stocks, o Tiago Santos, que foi quem me contratou para analisar 20 ações da Bovespa e provavelmente avançar até ao fim e construir o Portfolio TOP10 São Paulo, fez isso, abriu uma conta numa corretora brasileira, mas fiquei com a ideia que a coisa não lhe correu muito bem, no sentido que a conta não ficou a funcionar, possivelmente por ele ser estrangeiro, mas é uma dúvida que espero que ele depois, caso tenha interesse, me esclareça.

Aqui está a lista de todas as corretoras autorizadas a negociar diretamente no mercado brasileiro, são 87 corretoras (por curiosidade, em 2008, eram 142). A DeGiro dizia que ia entrar no Brasil, mas por enquanto nada.

2. Principais Acionistas

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Muito interessante, o free float é cerca de 97% e os maiores acionistas são instituições financeiras norte-americanas. Não creio que tenham qualquer interesse em impedir o acesso aos investidores estrangeiros, deve haver uma razão legal ou técnica qualquer, que não sei qual é, a dificultar que as corretoras estrangeiras ofereçam aos seus clientes a possibilidade de transacionar ações brasileiras. Investiguei este assunto durante mais de uma hora, mas fiquei na mesma.

3. Gráfico de Longo Prazo

Bom, mas esta análise é sobre as ações da BM&F Bovespa, vejamos o gráfico de longo prazo:

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Em 2016 atingiu o seu máximo histórico e a tendência de longo prazo é moderadamente ascendente.

4. Evolução do Nº de Ações e Valor de Mercado

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A BM&F Bovespa tem vindo a adquirir ações próprias ano após ano e atualmente o nº de ações emitidas ronda os 1 787 milhões. O Valor de Mercado está nos R$28 932 milhões, qualquer coisa como €8 059 milhões.

Muito rapidamente, para compararmos, a InterContinental Exchange, que se fundiu com a NYSE Euronext, está a valer €30 640 milhões.

5. Evolução das Vendas e Price to Sales Ratio

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As Vendas Anuais exibem uma tendência ascendente de longo prazo e os analistas estão otimistas para o futuro. Para 2016 são esperadas Vendas de R$2 355 milhões e o Price to Sales Ratio é elevado, acima dos 12. Normalmente isto acontece quando a margem de lucro das empresas é muito alta, o que deve ser o caso, vou ver já a seguir.

6. Lucro e PER

Pois, esta Margem Líquida é do mais alto que já vi:

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Acima dos 70%, ou seja, por cada R$ vendido, a BM&F Bovespa lucra mais de 70 cêntimos. Entre os R$646 milhões de Lucro de 2008 e os R$1 718 milhões esperados para 2016 (em 2015 houve um efeito extraordinário), a taxa média de crescimento anual foi de … 42% (!)

O PER não é nada de estratosférico, absolutamente normal:

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Aquele PER de 2015, em apenas 9, está influenciado por efeitos extraordinários não recorrentes (passe o pleonasmo), de qualquer forma a ação fechou 2015 subavaliada e está a subir 52% em 2016.

7. Último Relatório de Gestão

Já estive a ler partes dos relatórios anuais, agora vou ler o Relatório do 3º trimestre de 2016.

Vendeu as ações do CME Group e vai fundir-se com a Cetip em 2017. A Cetip (CTIP3.SA) também é cotada e está a valer €3,2 mil milhões, cerca de 38% da BM&F Bovespa:

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8. Rácios do Balanço

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Com o current ratio acima dos 2 e o debt to equity ratio abaixo dos 0,5 só posso considerar o Balanço da BM&F Bovespa como saudável. Há uns anos atrás o Balanço era uma fortaleza inabalável, pois a dívida era praticamente inexistente, agora já não é bem assim, pois o Passivo está nos R$8 546 milhões. A ação andava ali subavaliada (em termos do Price to Book Value), mas em 2016, com a subida de 55% da cotação, o PBV já está significativamente acima da unidade, o que quer dizer que o Valor de Mercado é superior ao Valor Contabilístico da empresa.

9. Perspetivas

As perspetivas são obviamente positivas.

Um negócio destes, monopolista, que congrega todos os aspetos da negociação de ativos financeiros (à vista, derivados, ações, obrigações, câmbios, commodities, opções, etc) num país enorme como o Brasil, a comprar ações próprias, controlado por acionistas norte-americanos, subavaliado do ponto de vista fundamental, em forte crescimento das Receitas e dos Lucros … o que é que se pode apontar?

A única coisa que causa estranheza é como é que não subiu antes. De qualquer forma é expectável que as ações da BM&F Bovespa continuem a valorizar em termos de longo prazo.

10. Conclusão

A vir a existir um Portfolio TOP10 São Paulo, penso que as ações da própria Bolsa serão quase obrigatórias.

11. Gráfico de Curto Prazo

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12. Disclaimer

Esta publicação é para efeitos meramente informativos e educacionais e nunca deverá ser entendida como uma recomendação de compra ou venda de ações. O BorjaOnStocks e a sua Equipa não assumem qualquer responsabilidade por eventuais perdas ou ganhos resultantes da informação obtida nesta publicação. Se necessitar de conselhos financeiros, procure sempre os serviços de um profissional devidamente autorizado e credenciado. 

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