Artrite Reumatóide: Galapagos

Boa tarde,

Finalmente, li na totalidade o livro “O BioInvestidor” e estou agora mais preparado para analisar empresas farmacêuticas e biotecnológicas. Devo dizer que o livro está bem escrito e é realmente útil para quem quiser analisar este tipo de empresas, que são influenciadas por fatores únicos. Devo dar os parabéns ao português Paulo Ferreira, que evoluiu de mero curioso de bolsa visitante do sítio que co-fundei em 2003, o www.clubeinvest.com, para escrever um livro de análise a empresas biotecnológicas (!)

De seguida, li as 266 páginas do relatório 20-F da Galapagos, que pode ser encontrado aqui.

A informação é tanta e tão complexa que é inútil estar aqui a tentar reproduzi-la.

Devo dizer que tomei a opção de não investir na Galapagos neste momento, por três razões principais:

– A empresa está avaliada pelo mercado em €2 700 milhões, mas ainda não tem qualquer medicamento aprovado para venda. O mais avançado – Filgotinib – está a entrar na Fase III e procura ser aprovado para tratamento da artrite reumatóide, uma doença de que, infelizmente, aos 40 anos, já padeço. Existem já vários tratamentos no mercado para atenuar os sintomas da doença e outros gigantes da indústria, tais como a AbbVie, a Lilly e a Pfizer, têm medicamentos em desenvolvimento para competir com a solução oral da Galapagos;

– Como a Galapagos não tem ainda qualquer medicamento aprovado para venda, é natural que dê prejuízos avultados:

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E que por isso se tenha de financiar no mercado de ações, com o nº de ações emitidas a quase duplicar nos últimos quatro anos:

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O Valor de Mercado praticamente decuplicou desde 2011, embora a cotação “só” tenha quintuplicado.

–  Depois da AbbVie ter abandonado a colaboração no Filgotinib em 25 de setembro de 2015…

«Filgotinib, a selective JAK1 inhibitor, was developed in collaboration with AbbVie until AbbVie terminated the collaboration agreement on September 25, 2015. On December 16, 2015, we entered into a collaboration agreement with Gilead, under which we plan to initiate a Phase 3 trial for filgotinib.»

… é agora a Gilead Sciences a principal patrocinadora da Galapagos, ao adquirir através de um aumento de capital privado uma quota de 14,64% na empresa:

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A Gilead é agora a maior acionista. Fui investigar a Gilead e verifico que vale cerca de €93 mil milhões e que teve Vendas de cerca de €29 mil milhões nos últimos 12 meses e um Lucro de cerca de €14,5 mil milhões no mesmo período. O PERttm é de apenas 6,4. Isto acontece porque alguns dos medicamentos comercializados pela Gilead estão a entrar na fase em que sofrem a concorrência de genéricos.

Mas, ainda assim, espera-se que a Gilead lucre uma média de €13,2 mil milhões ao ano, nos próximos quatro anos. A Gilead tem imensos recursos para adquirir empresas e investir em novos medicamentos, ao contrário da Galapagos, que depende essencialmente da boa vontade dos gigantes da indústria.

Conclusão

Penso que um investimento direto nas ações da Gilead seria muito mais seguro que um investimento na Galapagos. A Galapagos continua a ser apenas uma promessa e não vejo assim tanto potencial de Lucro, mesmo que a promessa se concretize.

A minha expetativa é que o recente bullish breakout na Galapagos tenha sido um falso sinal …

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… e que ainda a vamos ver na zona dos €25 – €31,15 por ação.

Já a Gilead …

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… parece um colosso que está a atravessar uma correção – e que por isso ficou subavaliado – e que eventualmente deverá prosseguir a sua formidável ascensão em termos de longo prazo.

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