Análise à TomTom

1. Apresentação

A TomTom quase que dispensa apresentações, penso que todos os leitores conhecem esta empresa que fabrica sistemas de GPS. Mas, hoje em dia a TomTom está em mais segmentos, tais como os smart watches e acessórios de fitness, como podemos ver no website da empresa, que está em português. Também fabrica sistemas de GPS para a indústria automóvel incorporar nos carros e para gestão de frotas de empresas.

Enfim, a TomTom tem uma série de áreas de negócio e produtos que agrega da seguinte forma e têm o seguinte peso na faturação:

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2. Principais Acionistas

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Gosto muito disto, os principais acionistas são os gestores da empresa. É interessante esta informação:

After licensing its digital maps to Apple for its in-house Maps app and signed a multi-year deal with Uber to provide it with digital maps, the company has been building up its map making tech that will work in conjunction with the numerous sensors appearing on cars today to enable autonomous driving cars.

3. Gráfico desde a OPV

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Apesar de muita inovação e reconhecimento, alguma coisa não correu bem com a TomTom, pois a ação está 85% abaixo do seu máximo, atingido no final de 2007. Será que houve emissão de novas ações? Será que o Balanço estava vulnerável? Será que o negócio se deteriorou e apareceram prejuízos? Já vamos descobrir.

4. Evolução do Nº de Ações e Valor de Mercado

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O Valor de Mercado da TomTom caiu 90% em 2008 porque em 2007 a gestão ficou eufórica e foi comprar outra empresa, a Tele Atlas, por €2,9 mil milhões (incluindo despesas), um valor muito acima do valor contabilístico da Tele Atlas, o que gerou o tal goodwill (ver glossário) no Balanço da TomTom. Esse goodwill foi reavaliado em 2008 o que gerou uma imparidade de mais de mil milhões e um Prejuízo de €872 milhões.

Em 2011 o Valor de Mercado também desceu 61% por causa de um Prejuízo de €434 milhões, que também incluiu uma “despesa extraordinária” de €512 milhões, que também teve a ver com uma reavaliação do goodwill.

O Valor de Mercado atual da TomTom é de €1 909 milhões.

5. Evolução das Vendas e Price to Sales Ratio

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As Vendas atingiram o seu pico em 2007, nos €1 737 milhões e nessa altura a empresa estava avaliada em quase 6 vezes mais do que aquilo que vendia num ano. O mínimo das Vendas foi em 2014, quando a TomTom vendeu €950 milhões e nessa altura a valorização, dada pelo Price to Sales Ratio, estava em apenas 1,3.

Para 2016 os analistas esperam Vendas de €1 036 milhões e um crescimento de 3,1% em 2017 e de 6,3% em 2018.

6. Lucro e PER

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A aquisição da Tele Atlas por um preço exagerado teve um impacto tão negativo na TomTom que a empresa está deficitária em toda a sua história, com um Prejuízo de €213 milhões acumulado entre 2004 e 2015. Para os anos de 2016, 2017 e 2018 os analistas que seguem a empresa, em média, esperam Lucros de €53 milhões, €65 milhões e €86 milhões, respetivamente.

Considerando a estimativa de Lucro para 2016 o PER está nos 36, o que me parece bastante elevado.

7. Rácios do Balanço

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Desde 2011 os rácios do Balanço têm vindo a melhorar, com o current ratio a subir dos 0,58 para os 1,16 no final do 1º semestre de 2016 e o debt to equity ratio a descer dos 1,55 para os 0,72. Estes desenvolvimentos nos últimos anos são positivos, mas o que me interessa ver é quanto é que ainda está em goodwill e ativos intangíveis na TomTom, pois está-se a ver que tem sido a reavaliação a esses Ativos que tem desvalorizado as ações em termos históricos.

OK, ainda estão €400,4 milhões em goodwill e também €806,3 milhões em Intangíveis, mas aí compreende-se melhor, tem a ver com o valor da informação acumulada pela TomTom.

8. Perspetivas

A TomTom é sem dúvida uma empresa interessante e que parece ter um grande futuro à sua frente, mas também tem vulnerabilidades. Por exemplo, os serviços da empresa dependem imenso dos sinais de GPS enviados pelos satélites. E de quem são os satélites que enviam esses sinais? Dos Estados Unidos. Se o Governo dos Estados Unidos quiser (não se perspetiva que queira, mas existe esse risco – especialmente se o Donald Trump for eleito Presidente), muda a frequência dos sinais e os serviços da TomTom deixarão automaticamente de funcionar. Este risco está amplamente divulgado nos Relatórios e Contas da TomTom, como não poderia deixar de ser.

Vou ver como está a evoluir a concorrente norte-americana da TomTom, a Garmin … pois, está a subir 32% em 2016, enquanto que a TomTom está a descer 29%. Estive a ver e o PER 2016 da Garmin é de 19, contra os 36 da TomTom. A Garmin vende mais e vale muito mais que a TomTom… a Garmin está a valer €8 280 milhões contra os €1 909 milhões da TomTom.

Este é um daqueles casos em que temos uma espécie de duopólio global, com a Garmin e a TomTom a dominarem o mercado. A Garmin é americana e a TomTom europeia. Só que ambas dependem fortemente de uma informação que é controlada pelo Governo dos Estados Unidos. E a Garmin tem fundamentais superiores e está mais barata em relação a esses fundamentais. É a empresa líder, enquanto que a TomTom é a laggard.

Nestas situações a tentação é grande de ir investir antes na empresa mais pequena, com ideia de que a relação de forças poderá mudar e assim obter-se uma grande mais-valia. Mas quase sempre a líder cresce mais e mais e acaba por esmagar a seguidora.

9. Conclusão

Vou naturalmente continuar atento aos desenvolvimentos, mas neste momento a TomTom não tem condições para figurar no Portfolio TOP10 Amesterdão.

10. Disclaimer  

Esta publicação é para efeitos meramente informativos e educacionais e nunca deverá ser entendida como uma recomendação de compra ou venda de ações. O BorjaOnStocks e a sua Equipa não assumem qualquer responsabilidade por eventuais perdas ou ganhos resultantes da informação obtida nesta publicação. Se necessitar de conselhos financeiros, procure sempre os serviços de um profissional devidamente autorizado e credenciado.

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