BRF: Líder Mundial nos Frangos

1. Apresentação

 

Estive a ler a descrição do negócio da BRF (Brasil Foods) e vi o vídeo e a história desde 1928 até à atualidade no website da empresa. O dado que mais me impressionou foi: “responsável por 14% do comércio mundial de frangos”.

 

A BRF resulta da fusão, em 2009, entre duas grandes empresas do ramo alimentar conhecidas também entre nós, a Sadia e a Perdigão.

 

2. Principais Acionistas

 

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O maior acionista, com cerca de 12% do capital, a Tarpon Investimentos SA, é uma empresa de gestão de activos que também é cotada na Bovespa.

 

3. Gráfico de Longo Prazo

 

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O gráfico exibe uma tendência ascendente de longo prazo, uma vez que a parte direita do gráfico está mais alta que a esquerda. Desde o final de 2009 a cotação da BRF tem subido ao ritmo médio anual de 15%.

 

4. Evolução do Nº de Ações e Valor de Mercado

 

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Verifico que, após o aumento do Nº de Ações derivado da enorme fusão entre a Sadia e a Perdigão, a BRF tem vindo a comprar ações próprias de forma agressiva, especialmente em 2015 e 2016, quando a cotação veio abaixo. Este é um desenvolvimento positivo.

 

Em EUR o valor de mercado subiu dos €3 336 milhões em 2009 para os €12 340 milhões atuais e em BRL subiu dos R$8 322 milhões para os R$43 287 milhões.

 

5. Evolução das Vendas e Price to Sales Ratio

 

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As Vendas têm vindo a subir todos os anos, dos R$20 937 milhões em 2009 para os R$32 197 milhões em 2015. Para os próximos anos os analistas esperam um crescimento de 12% ao ano, em média.

 

O Price to Sales Ratio, depois de ter subido acima de 2 no final de 2015, anda agora pelos 1,19, tendo em conta a estimativa de Vendas para 2016.

 

6. Lucro e PER

 

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Em 2010 e 2011 a BRF esteve subavaliada, com um PER de 10 e 9, respetivamente, e de seguida subiu cerca de 160%. Agora o PER está acima de 20.

 

Para 2016 os analistas esperam uma quebra do Lucro de 43%. Vou ler o Relatório de Gestão do 1º semestre para tentar perceber a razão deste pessimismo.

 

7. Último Relatório de Gestão

 

Pode-se encontrar aqui o Relatório de Gestão do 2º trimestre de 2016. Pois, compreendem-se as estimativas dos analistas, o Lucro Líquido no 1º semestre caiu 91,6% face ao mesmo período de 2015 e foi de apenas R$70 milhões. Considerando esta performance tão negativa no 1º semestre penso que a estimativa de R$1 779 milhões de Lucro no final do ano é capaz de ser otimista.

 

A empresa tem vindo a comprar ações próprias e a remunerar os acionistas de formas inovadoras:
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O Relatório está muito bem feito e dá para ver que o Lucro da BRF depende bastante da oferta de frangos no mercado global, do preço por Kg do frango e também do preço do milho. E que a empresa está a expandir-se rapidamente no mercado internacional e com várias inovações, com entradas nos segmentos de snacks e refeições prontas a baterem as expetativas. A marca Perdigão é forte e fizeram uma parceria com o cozinheiro mundialmente famoso Jamie Oliver para promover os seus produtos.

 

8. Rácios do Balanço

 

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O Balanço deteriorou-se bastante nos últimos 18 meses, com o current ratio a descer dos 1,83 para os 1,38 e o debt to equity ratio a subir dos 1,32 para os 2,31. O price to book value, nos 3,45, indica uma situação de sobre-avaliação.

 

9. Perspetivas

Penso que o negócio da BRF tem todas as condições para continuar a crescer em termos de longo prazo, mas tendo em conta que o primeiro semestre de 2016 correu tão mal e que mesmo tendo em conta as estimativas de 2017 o PER é de 16, tenho receio que a BRF esteja sobre-avaliada.

O Balanço também está demasiado frágil para justificar a compra agressiva de ações próprias e a distribuição de “juros sobre o Capital Próprio”.

Atentando num gráfico mais de curto prazo reparo que a BRF tem exibido alguma fraqueza relativa face ao Bovespa:

 

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10. Conclusão

 

Se algum dia vier a gerir um Portfolio TOP10 São Paulo a BRF será uma forte candidata. Mas, tem de ser ao preço certo, um preço que traga uma rentabilidade elevada na década seguinte. Tendo em conta os fundamentais atuais gostaria de a apanhar na zona dos R$40 por ação.

 

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