Glossário

Glossário de termos de Bolsa

Por vezes nas análises utilizo termos que admito não sejam do conhecimento do público investidor, por isso criei este Glossário de bolsa para ir escrevendo as definições desses termos. Se desejar ver algum termo adicionado ao Glossário ou tiver mais dúvidas, não hesite em escrever-me para o e-mail cborja1976@gmail.com. Obrigado!

 

1 – Múltiplo do Lucro, PER, Earnings Multiple, Forward Multiple, PERttm, CAPE

Por vezes refiro-me ao Múltiplo do Lucro, que é sinónimo do Price to Earnings Ratio (PER), ou, em inglês, Earnings Multiple. Todos estes termos são sinónimos:

Múltiplo do Lucro = PER = Earnings Multiple = Valor de Mercado/Lucro Anual

Por exemplo, se PER = 15, significa que a empresa está avaliada pelo mercado em 15 vezes mais do que aquilo que lucra num ano.

Depois existem pequenas diferenças nos termos. Por exemplo, também se pode dizer forward multiple, que significa que, na expressão anterior, se está a usar o Lucro previsto para o ano seguinte. Ou seja, divide-se o Valor de Mercado pelo Lucro Anual esperado para o ano que vem. Também há o PERttm. O ttm significa trailing twelve months, ou seja, os 12 meses anteriores, ou quatro trimestres anteriores. Neste caso o PER está a ser calculado dividindo o Valor de Mercado pelo Lucro obtido pela empresa nos quatro trimestres que passaram.

Há ainda o Schiller Multiple, ou CAPE (Ciclically Adjusted Price to Earnings Ratio), que divide o Valor de Mercado pelo Lucro médio dos 10 anos anteriores.

2 – Valor de Mercado, Capitalização Bolsista, Market Cap

Novamente, tudo sinónimos:

Valor de Mercado = Capitalização Bolsista = Market Cap = Nº de Ações emitidas pela empresa*Cotação da Ação

3 – Múltiplo das Vendas, Sales Multiple, Price to Sales Ratio (PSR)

Múltiplo das Vendas = Sales Multiple = PSR = Valor de Mercado/Vendas Anuais

Se PSR = 2, significa que a empresa está avaliada pelo mercado no dobro daquilo que vende num ano. Se for 3 é o triplo. Se for 0,5 significa que o mercado está a avaliar a empresa em metade do que ela vende num ano.

Tal como no caso do PER, também podemos usar um forward sales multiple (se estivermos a considerar as vendas previstas para o próximo ano), ou um PSRttm (consideramos as vendas dos últimos quatro trimestres), ou a média do múltiplo das vendas dos últimos 10 anos.

4 –  Current Ratio, Rácio de Liquidez Geral

Eu peço desculpa por utilizar muitos termos em inglês, mas eu aprendi Análise Fundamental em livros americanos e por necessidade de analisar ações americanas (nos anos de 2005-2008 e 2010 analisei muitas ações americanas) e é essa a justificação.

De qualquer modo:

Current Ratio = Current Assets/Current Liabilities = Liquidez Geral = Ativo Circulante/Passivo Circulante = Ativo de Curto Prazo/Passivo de Curto Prazo

Basicamente este rácio mede a capacidade financeira da empresa para fazer face às suas obrigações a curto prazo (prazo de 12 meses). Quando a empresa está saudável este rácio é superior a 2, significa que a empresa tem pelo menos o dobro dos ativos que são transformáveis em dinheiro nos próximos 12 meses para pagar todas as contas que têm de ser pagas nesse período.

Neste rácio é preciso ter cuidado e ver se muito dos Current Assets não são Receivables ou Inventories. Vou explicar melhor este ponto:

Nos current assets (sinónimo de ativo circulante ou ativo de curto prazo) estão contidas duas rubricas que não são propriamente dinheiro e que podem revelar situações ou tendências de risco para as empresas.

A primeira rubrica de risco são as receivables, que em português são as contas a receber de clientes. Se esta rubrica tiver um peso elevado nos current assets não é bom, pois se os clientes estão a dever, podem não pagar. Ou a empresa poderá estar a subir as suas vendas de forma artificial (conheço bem este truque dos meus tempos de analista do OTCBB. “O que é o OTCBB?” perguntam vocês … é o Over The Counter Bulletin Board, o 2º nível mais baixo na hierarquia dos mercados acionistas americanos), passando faturas a clientes sem ter uma real expetativa de vir a receber o dinheiro.

A segunda rubrica de risco são os Stocks, ou, em Português, o Inventário. Isto são mercadorias que foram produzidas mas ainda não foram vendidas, estão armazenadas à espera de comprador. Não é bom quando a empresa começa a acumular stocks, pode ser porque está a produzir mais do que vende ou porque a procura no mercado está a abrandar. Esses stocks podem passar de prazo ou de moda e nesse caso a empresa vai ter de cortar o seu valor no Balanço, originando um prejuízo. Portanto, não é líquido que os Stocks correspondam a liquidez de curto prazo para a empresa, depende se irá conseguir vender esses stocks em tempo útil ou não. Por outro lado, também se pode passar o contrário, que é a empresa aumentar subitamente os stocks pois espera um grande aumento da procura no futuro, mas enfim, esta situação é mais rara. Hoje em dia as empresas procuram ter um grande equilíbrio entre a produção e a procura para os seus produtos e não é suposto acumularem grandes stocks, nem que os stocks tenham um grande peso nos current assets.

5 – Debt to Equity Ratio

Debt to Equity Ratio = Total Liabilities/Total Equity = Passivo/Capital Próprio = Capital Alheio/Capital Próprio

Este rácio mede a capacidade financeira da empresa a longo prazo. Quanto maior o Passivo e menor o Capital Próprio, pior. Idealmente este rácio estaria abaixo de 0,5, ou seja, o Passivo seria metade do Capital Próprio. Quanto mais baixo o valor deste rácio, melhor, significa que a empresa se financia mais pelo seu Capital Próprio do que por Capital Alheio (que é sinónimo de Passivo).

6 – Capital Próprio, Situação Líquida, Total Equity, Valor Contabilístico, Book Value

Tudo isto são sinónimos: Capital Próprio = Situação Líquida = Total Equity = Valor Contabilístico = Book Value

A equação fundamental da contabilidade é:

Capital Próprio = Ativo – Passivo <=> Ativo = Capital Próprio + Passivo <=> Passivo = Ativo – Capital Próprio

Se o Capital Próprio for positivo a empresa tem valor contabilístico. Se for negativo, ou seja, se o Passivo for maior que o Ativo, a empresa está em falência técnica.

Por hoje está bom, depois vou completando o Glossário com mais termos e explicações. Quero apenas notar que, muitas vezes, mais que o valor absoluto destas métricas, importa avaliar a sua tendência, se os números estão a melhorar ou a piorar.

7 – Goodwill

Quando uma empresa adquire outra por um valor superior ao valor contabilístico, fica com um Ativo em goodwill no Balanço. Por vezes no futuro esse goodwill é reavaliado o que pode gerar grandes prejuízos.

César Borja