7 Pecados Mortais para o Portfolio: Nº5 – Overtrading

Hoje venho falar-lhes no overtrading em ações, que consiste em comprá-las e vendê-las muitas vezes, para ganhar alguma coisa com as pequenas variações de preços diárias ou mesmo intra-diárias.

A tentação para o overtrading é enorme, especialmente para quem passa a vida a ver as cotações e fica sempre um bocadinho mais contente quando o seu portfolio sobe uns euros de valor, ou um bocadinho triste quando desce.

Pessoalmente também sou um viciado em ver cotações e isso reduz substancialmente a minha produtividade. Mas o meu vício tem uma desculpa: passei os últimos 6 anos de forma muito intensa a fazer day trading nos futuros com milhões de dólares e cada tick de variação era realmente importante para mim e para aqueles que confiavam em mim. Nessa altura passava um mínimo de 6 horas e meia por dia colado ao ecrã a ver as cotações, não só dos negócios efetuados nos futuros do S&P500, mas também de todas as compras e vendas que entravam no mercado, era uma coisa mesmo diabólica que a seu tempo abandonei.

Agora vejo as cotações das ações para aí de meia em meia hora, já é um grande progresso e penso que chegará o dia em que só olharei para elas meia hora depois da abertura e meia hora antes do fecho, e já é muito!

Mas, nas ações, tenho a perfeita consciência e plena convicção que o dinheiro está no médio/longo prazo, não nas oscilações de curto prazo, que por vezes são previsíveis, mas bastam alguns erros graves – que acontecem sempre – e vão anos de trabalho por água abaixo. E depois dá cá uma raiva de ver aqueles tipos sentados em enormes mais valias, sem terem mexido uma palha, enquanto os traders andaram a comprar e a vender, a suar, a dormir mal, a ficar zangados com o mercado, a não almoçar como deve ser porque “o mercado está aberto” e passados uns anos estão mais ou menos na mesma, na melhor das hipóteses.

É claro que em Portugal, à mingua de boas ações para investir, muitos se transformaram em traders de curto prazo, mas duvido muito que tenham feito melhor ou que tenham ganho alguma coisa de jeito, além de úlceras e tiques nervosos.

O investidor racional estuda os fundamentais das empresas (ou confia em alguém que o faça por si) e investe com motivos sólidos, que depois se revelam corretos ou não – na maior parte dos casos sim – mas que implicam a passagem de um tempo considerável. Procura lucrar com os grandes movimentos das ações, não com as pequenas e erráticas oscilações, que não são explicáveis por desenvolvimentos fundamentais.

Eventualmente, como aconteceu sempre na história, haverá um novo Bull Market na Euronext Lisboa. A minha expetativa é que venham alguns mini-bulls nos próximos 4 anos (mas são movimentos em que as melhores ações sobem 200% – enquanto que o mercado em geral sobe 50%) e que um verdadeiro Bull Market de longo prazo se inicie em 2020, por aí … nesse enorme bull market vai ser preciso ter mãos de ferro para agarrar e não largar as ações. Mas enfim, não existe determinismo na economia e no mercado, é apenas uma teoria, baseada nos ciclos históricos da Euronext Lisboa. Querem ver isto? Os últimos bull markets começaram em 1993, 2002, 2011 e o próximo é em … 2020. Estou a falar de um dos grandes que leve o PSI 20 acima dos 20.000 pontos. Daqui até lá é desce 30%, sobe 50%, desce 25%, sobe 40% e por aí adiante e fica mais ou menos sempre na mesma. Vai ser preciso habilidade para apanhar as ações em baixo e vendê-las em cima.

OK, já escrevi a história toda, podem cancelar a subscrição do BorjaOnStocks ha ha ha.

Bom, isto é um real desvio ao tema. Voltando ao overtrading, é claro que vai acontecer vender as ações a ganhar 2% para tentar voltar a comprá-las ao mesmo preço e elas a seguir sobem 20% e o trader vai ter de comprá-las mais alto, quando teria ganho bastante mais se tivesse ficado quieto. Ou, vai comprar uma ação porque “está a descer” e depois ela desce ainda mais e vai vender a perder, porque não sabe porquê que comprou e depois está aflito. E vai descer o preço médio de aquisição de uma em que “tem mesmo a certeza” para mais tarde assumir uma perda enorme. E passados uns anos vai ver que deu metade do seu capital à corretora em comissões de corretagem. E vai ver que não fez aquilo que gosta, que não exerceu a sua profissão como deve ser porque passou a vida a olhar para as cotações e a pensar se carregava ou não carregava no gatilho. E que os seus filhos e amigos não o conhecem, pois esteve distraído da vida a “jogar na bolsa” … OK, se calhar exagerei na parte dos filhos, mas que é doentio é, been there, done that. A vantagem de subscrever um serviço de um tipo que anda há 20 anos nisto é que se pode ser um génio e aprender com os erros dele, em vez de ir cometê-los também.

Portanto, caros amigos, evitem o Pecado Mortal para o Portfolio Nº5 – O Overtrading, invistam com fundamentos sólidos (basta lerem as 48 análises a todas as ações da Euronext para verem as substanciais diferenças nos fundamentais intrínsecos das ações) e segurem as ações enquanto esses fundamentos se mantiverem válidos. Ignorem o ruído causado pelas oscilações de curto prazo das cotações e vivam felizes para sempre!

The End.