7 Pecados Mortais para o Portfolio: Nº4 – Não Diversificar

Uma das vantagens dos pequenos investidores face aos grandes acionistas das empresas é que os primeiros têm facilidade em diversificar os seus investimentos por várias ações.

Um empresário que seja o principal acionista de uma empresa cotada em Bolsa tem mais dificuldade em diversificar, pois o valor da sua empresa é de tal forma elevado que é muito difícil fazer outros investimentos de valor semelhante que dividam o risco por várias áreas. Se a sua grande empresa for pelo cano, como se costuma dizer, a fortuna pessoal do empresário também vai muito abaixo ou desaparece por completo. João Pereira Coutinho da SAG é um bom exemplo.

Esses grandes empresários tentam várias formas para conseguirem diversificar (João Pereira Coutinho tentou diversificar para as telecomunicações, mas falhou). Por exemplo, Pedro Queiroz Pereira tem na Semapa a participação na Portucel (papel) e a Secil (cimentos), Américo Amorim tem 85% da Corticeira Amorim, mas também tem 41% da Galp, Belmiro de Azevedo tem o Grupo Sonae espraiado por múltiplos setores de atividade, etc.

Mas, para um pequeno acionista é muito mais fácil diversificar, basta investir numa série de ações diferentes em vez de investir tudo numa, diminuindo substancialmente o risco do Portfolio e mantendo muito do seu potencial de valorização. No vídeo Estratégia de Controlo do Risco defendo o investimento em 10 ações diferentes.

Porém, não basta investir em 5 ou 10 ou 20 ações diferentes, é preciso também fazê-lo em partes mais ou menos iguais. Sim, porque ter 80% do capital numa ação e depois 20% do capital noutras nove ações não é diversificar como deve ser … tem de ser cerca de 10% do capital em cada ação para que a diversificação seja correta. Já recebi vários e-mails de Membros do BorjaOnStocks que têm tipo 60 ou 70% do capital numa ação e o resto em mais cinco ou seis ações. Não pode ser, estão a desperdiçar uma das suas grandes vantagens, a facilidade de diversificação equilibrada.

Ninguém sabe o futuro das empresas, o que podemos fazer é estudar o seu passado, as condições atuais e as perspetivas e ter uma visão mais ou menos fundamentada do que poderá ser o futuro, mas ninguém pode ter certezas em relação ao futuro da empresa. O que quero dizer é que o futuro é incerto e colocar todo o seu capital (ou a maioria) numa só ação é um grande risco que é absolutamente desnecessário.

Pela minha experiência, as ações que sobem mais são um pouco uma surpresa. Ou seja, estudo as ações, divido o Portfolio em 10 partes (ou 20, depende do caso) e invisto em 10 ações e depois, normalmente, nem é aquela que considerei mesmo a melhor que sobe mais, mas sim outra, que era sem dúvida muito atrativa, mas que não parecia ter assim tanto potencial. Ou seja, nunca se sabe ao certo qual vai ser a melhor ação, é preciso investir numa série de ações boas e depois deixar o tempo correr. E, algumas ações que parecem ótimas, descem, e algumas que à partida eram muito boas até acabam por ir à falência. Por isso é que se têm de cortar as perdas num nível razoável, mas essa é uma história para outro artigo.

Pôr tudo, ou a maior parte do capital numa só ação é causador de stress e põe o investidor nas mãos dessa única empresa. O investidor não depende de si e das suas escolhas, mas do destino da única empresa em que investiu. E o problema é que, ao contrário dos grandes empresários de que falei no início, o pequeno investidor nada pode fazer para influenciar os destinos da empresa, está completamente de braços atados.

Não cometa o Pecado Mortal para o Portfolio Nº4, diversifique de forma equilibrada os seus investimentos e mantenha-se livre e responsável pelas suas escolhas, que serão o fator determinante do seu sucesso ou insucesso no longo prazo.

Quer dizer, o meu caro amigo muitas vezes investe para se libertar das amarras da empresa onde trabalha, para depois comprar uma única ação e ficar amarrado a outra empresa? Não faz sentido … um portfolio diversificado de ações é essencial para que tenha liberdade para movimentar os seus investimentos da forma que mais lhe convém, quando convém. Quando quiser e sem grande dificuldade, poderá trocar uma holding por outra, sem que isso tenha um grande peso emocional, afinal são só 10% (ou 5%, por exemplo) do capital.

Em relação ao potencial de ganho, ao investir em 10 ações diferentes tem mais hipóteses de apanhar uma multibagger, ou seja, uma daquelas ações de ouro que multiplicam várias vezes de valor. Se investir só  em uma ou duas ações é muito pouco provável apanhar uma dessas, isso seria quase como acertar no euromilhões.

Conclusão

Não diversificar o seu capital por várias ações em partes mais ou menos iguais é um Pecado Mortal para o seu Portfolio.

Diversifique o seu capital por uma série de ações em partes iguais e diminua substancialmente o risco de falência, obtenha liberdade para mudar facilmente as suas holdings e mantenha o potencial de valorização do seu Portfolio.