Efeito da Esquerda no Mercado

Bom dia!

Quando o legítimo Governo de Portugal caiu no Parlamento frente à Esquerda Unida senti uma revolta bastante intensa e fui buscar à gaveta os planos de emigração para a minha Família. Não queria que os meus quatro filhos crescessem num País que não valorizaria o mérito, que trataria os competentes e os incompetentes por igual, que teria impostos elevadíssimos sobre os investidores e pessoas de mais altos rendimentos, que não teria respeito pela iniciativa individual e pela propriedade privada, que não seria livre.

Pus-me a pensar “e se eu tivesse nascido na Coreia do Norte, em Cuba, na Albânia, no Irão, etc, o que faria?” Obviamente, tentaria tudo para fugir dali para fora.

Cheguei ao ponto de dizer que não falava mais com pessoas de esquerda e que se houvesse Guerra Civil seria dos primeiros a alistar-me!

WOW, calma man!

Passadas umas horas, comecei a raciocinar com mais perspetiva e no que vai acontecer na realidade: na realidade, vai ficar mais ou menos tudo na mesma. Aponto os seguintes motivos para esta previsão:

1 – Portugal pertence à União Europeia e à Zona Euro, uma área política e económica que se rege por Leis que respeitam os valores que referi;

2 – Os Comunistas e Bloquistas não têm nenhum grande aliado internacional como tinham no passado (União Soviética). A falta desse aliado muito poderoso é tranquilizadora, pois desta forma não têm poder para fazer grande mossa. Não só não têm um grande aliado, como têm um enorme opositor: a NATO;

3 – O possível Governo do PS com o apoio do BE e PCP previsivelmente não durará muito tempo. Se eu conheço bem os Comunistas – e eu convivo com muitos (alguns das melhores pessoas desta Terra, há sempre exceções) – dá-se-lhes a mão e eles a seguir querem o braço. E depois do braço querem tudo! Não tudo para todos como apregoam, mas tudo para eles! O PS irá recusar-se a dar tudo e eles farão cair o Governo na oportunidade seguinte e vamos para Eleições, que era o que devíamos ter imediatamente, não fora um texto obscuro escrito há 40 anos num contexto que não tem nada a ver chamado Constituição da Republica Portuguesa.

A conclusão que retiro dos três pontos anteriores é que o sistema económico em Portugal, da economia de mercado e da democracia, não vai mudar significativamente nem nos próximos anos, nem no longo prazo. Posso estar descansado pelos meus filhos e netos e continuar amigo de muitos Comunistas.

Posto isto, volto ao tema central e único do BorjaOnStocks, os mercados financeiros, nomeadamente as ações da Euronext Lisboa.

Se repararmos bem, desde o dia antes das eleições a 4 de outubro …

33

… o PSI 20 está mais ou menos no mesmo nível!

Tem subido e descido, mas não se pode dizer que os investidores estejam assim tão assustados pela perspetiva do Governo do PS com o apoio do BE e PCP (chamemos-lhe Esquerda Unida para simplificar). Eu acho que o efeito da situação política nacional é neutro para as ações e passo a explicar porquê:

1 – Porque a Esquerda Unida é má para todos os investimentos alternativos às ações. É má para o mercado obrigacionista (no dia 3 de outubro o yield das OT a 10 anos estava nos 2,34%, agora está nos 2,71%, a aliviar do máximo a 2,91%). É má para os depósitos a prazo, pois existe a perspetiva de ser usada parte dos valores em depósito acima dos 100 mil euros para pagar potenciais resgates a bancos. E é má para os investimentos imobiliários, porque os investidores, ao verem a Esquerda Unida no Governo, receiam pela perda ou taxação da sua propriedade;

2 – É óbvio que a Esquerda Unida no poder também é má para as ações e para os investidores, mas, como não há alternativas, o mercado de ações até poderia beneficiar dos fluxos de capital entre os vários mercados. Se calhar os investidores preferirão ter ações de empresas muito sólidas com grande exposição internacional do que depósitos a prazo ou investir no imobiliário. Ou seja, tudo cozinhado, acho que o resultado das eleições e a possibilidade da Esquerda Unida no poder não têm um efeito muito significativo no mercado de ações nacional;

3 – Já agora leiam-se as 51 medidas já conhecidas dos acordos bilaterais entre o PS e o BE, o PS e o PCP e o PS e o PEV. Não assustam ninguém.

Ou seja, se as ações do PSI 20 descerem, não será por causa da Esquerda Unida, mas sim por causa das tendências dos mercados internacionais. Isto na minha humilde opinião, que poderá estar errada, até porque não se trata de uma opinião, mas sim de uma previsão. Sim, o PSI 20 vai descer, tal como vão descer todos os mercados de ações europeus e americanos nos próximos 12 meses. O PSI 20 provavelmente não vai descer mais do que os outros, vai descer mais ou menos a mesma coisa, pelo que na minha visão do futuro não faz sentido procurar diversificação nos outros mercados europeus.

Mas, perguntam vocês, “e então e as três ações do Portfolio TOP10 Lisboa?”

Este é o artigo dos três tópicos, por isso a resposta vem em três partes:

1 – A Altri, a Semapa e a Ramada estão no Portfolio TOP10 Lisboa porque se destacaram de forma muito positiva das restantes 44 ações cotadas. O dinheiro que sai de uns lados tem de fluir para outros e eu penso que continuará a fluir para estas ações com fundamentais muito superiores;

2 – Em 2015 a Altri está a subir 103%, a Semapa está a subir 29% e a Ramada está a subir 127%. Naturalmente, apetece muito vendê-las pois “se subiram tanto, também podem cair muito” ou “tudo o que sobe tem de descer”. Mas, o “naturalmente” e o “senso comum” normalmente estão errados na Bolsa. Senso comum é ir comprar BCP e Banif porque “estão tão baratos”, no entanto essa estratégia só tem trazido perdas aos investidores que a seguem. Para já, as subidas das três ações do Portfolio TOP10 Lisboa são perfeitamente justificadas pelos fundamentais, que apontam ainda para uma grande subavaliação dessas ações. Por outro lado, temos de ver a motivação fiscal … se os investidores venderem estas ações até ao final do ano, em março/abril de 2016 vão ter de pagar 28% de imposto sobre mais valias. Se venderem só depois do 31 de dezembro, só pagam um ano depois e no entretanto podem usar o capital para obter mais retorno. É por esta razão de timing fiscal que as ações que subiram muito ao longo do ano costumam ter uma ponta final muito forte, pois não há grande interesse vendedor;

3 – Se eu vender estas três ações, o Portfolio TOP10 Lisboa ficará 100% em cash e isso também não é bom. Poderia levar-me, por aborrecimento, a entrar em ações manhosas, só porque sim. E certamente que não teria grande piada para os subscritores do BorjaOnStocks. Por enquanto as três ações em conjunto estão a bater o mercado em larga escala e eu espero que esta relação se mantenha nos próximos meses.

A Altri vai dar um grande dividendo nas próximas semanas (€0,25 por ação) e aí, quando entrar no período em que já não der direito ao dividendo, provavelmente vai descer uns €0,20 por ação, mas enfim, é uma queda artificial.

Vamos ver o que vai acontecer, certamente será interessante e cá estarei para ir adaptando a minha visão do futuro ao que a realidade nos trouxer.

Obrigado pela atenção,

César Borja

Disclaimer

Esta publicação é para efeitos meramente informativos e educacionais e nunca deverá ser entendida como uma recomendação de compra ou venda de ações. O BorjaOnStocks e a sua Equipa não assumem qualquer responsabilidade por eventuais perdas ou ganhos resultantes da informação obtida nesta publicação. Se necessitar de conselhos financeiros, procure sempre os serviços de um profissional devidamente autorizado e credenciado.

Consulte o Disclaimer completo do BorjaOnStocks.