Previsão do Mercado em Geral

1. Introdução

Eu tenho andado a hesitar escrever este artigo, por quatro motivos principais:

1º – Nos meus anos de transações nos futuros norte-americanos, eu habituei-me a não ter uma opinião sobre o mercado em geral, para me manter bastante flexível e aberto a mudar de posição rapidamente, o que é condição necessária, mas não suficiente, para sobreviver nesse mercado;

2º – Acredito que os índices de ações são mais previsíveis no muito curto prazo (ao nível intra-diário) e no muito longo prazo (sobem sempre), mas não tanto no médio prazo, digamos, um ano, como aqui me proponho prever;

3º – O projeto BorjaOnStocks dedica-se ao estudo dos fundamentais das empresas individuais e não tanto à macroeconomia ou ao mercado em geral. A teoria é que as ações fundamentalmente atrativas subirão pelos seus motivos intrínsecos, mesmo que o mercado em geral não ajude. E que as ações com fracos fundamentais acabarão por descer, mesmo em bull market;

4º – A previsão pode falhar, pode estar completamente errada e eu não quero, por causa do eventual falhanço da previsão, pôr em causa o projeto BorjaOnStocks.

Apesar destes quatro fatores de hesitação, acabo por ser fiel à minha matriz ideológica que defende que uma pessoa deve transmitir aquilo que pensa e acredita naquele momento e se depois estiver errada, deverá assumir com humildade esse erro e tomar providências para corrigi-lo.

2. Contexto Norte-Americano

O índice S&P 500 teve nos últimos 6 anos uma valorização de 218,6%:

Valorização do índice S&P 500 nos últimos 6 anos

Muito por causa desta valorização do mercado de ações, a desigualdade social nos Estados Unidos aumentou substancialmente, com aqueles que têm ações a verem a sua riqueza aumentar enquanto que a classe média e os mais pobres viram os seus rendimentos e riqueza manter-se ou até, em alguns casos, diminuir.

Só que, em 8 de novembro de 2016 vão ser realizadas as eleições presidenciais nos Estados Unidos e os dois candidatos mais prováveis são Hillary Clinton pelo Partido Democrata e Donald Trump pelo Partido Republicano. Ambos os candidatos elegeram os investidores no mercado acionista e outros ativos financeiros como alvo principal da sua campanha, mas, como é natural, são as propostas de Hillary Clinton que, a serem aprovadas, maior dano causarão nos investidores a médio/longo prazo.

A maioria das sondagens dá vantagem a Clinton no confronto direto com Trump.

A principal proposta de Hillary Clinton é no sentido de haver uma mudança nos capital gains taxes, isto é, impostos sobre ganhos de capital, que altera completamente a noção que os investidores sempre tiveram do que é o curto e o longo prazo. Até aqui o curto prazo, em termos fiscais, era “até um ano” e o longo prazo era “mais de um ano”. A proposta de Clinton é para que o curto prazo passe a ser “até 6 anos” e o longo prazo “mais de 6 anos”. Entre muitos outros problemas, esta proposta aumenta substancialmente a carga fiscal sobre os investidores mais ricos (aqueles que movem o mercado numa ou outra direção) em instrumentos financeiros, nomeadamente ações. No link seguinte estão os detalhes da proposta para quem quiser aprofundar:

Hillary Clinton Capital Gains Tax Rise Adds Complexity, 6 Year Wait

Donald Trump, ele próprio um investidor em ações, ataca apenas um vazio fiscal que afeta os hedge funds, não tem nem pouco mais ou menos o mesmo grau de gravidade da proposta de Clinton.

Voltando à proposta de Clinton e os 6 anos de investimento. O problema é que muitos ativos financeiros são detidos apenas no curto e médio prazo, como por exemplo as commodities, que foram massacradas nos últimos meses. Uma das premissas para fazer investimentos mais de curto e médio prazo é a elevada liquidez. Se os impostos forem da ordem dos 43,4% para os traders e investidores não vai compensar fazer muitos trades de curto e médio prazo e realmente obtém-se o objetivo de direcionar os investimentos mais para o longo prazo, porém isso terá um efeito muito pernicioso sobre a liquidez dos diversos mercados e muitos ficarão algo disfuncionais. Eu já vi isso acontecer por exemplo no mercado de futuros português, quando subiram muito as taxas de transação desse mercado, ele simplesmente secou e praticamente desapareceu.

Se daqui até às eleições de novembro 2016 o S&P500 descer conseguem-se dois efeitos:

A – Danifica-se a herança democrata de Clinton, retirando-lhe votos;

B – Já não vai ser tão compensador, não vai trazer tantos dividendos políticos, atacar a comunidade investidora com propostas para impostos mais elevados. Depois de pesadas perdas não vai cair bem fazer este tipo de propostas, nem sequer na classe média, que entretanto adquiriu ações e fundos de investimento perto do topo, como é aliás habitual.

Se o S&P500 cair uns 20% nos próximos 12 meses, das duas uma, ou Clinton deixa cair estas propostas absurdas, ou perde as eleições para Trump.

O corolário de todo este contexto político é que é do interesse dos maiores investidores fazer o mercado descer daqui até às eleições presidenciais! Para o bem do próprio mercado em termos de longo prazo. Os grandes investidores têm de fazer tudo para impedir o Estado de matar a galinha dos ovos de ouro!

3. Contexto Português

É evidente que, se o S&P500 descer mais de 20% nos próximos 12 meses, o PSI 20 não escapará a perdas pesadas. Se os investidores globais abandonarem os ativos de risco, quer as ações, quer as obrigações do Estado Português, sofrerão. O yield (ou juro) das OT a 10 anos estão perto do seu mínimo histórico, mas a tendência parece estar a inverter:

O yield (ou juro) das OT a 10 anos

É claro que a indefinição saída das eleições legislativas em Portugal não ajuda a que os juros se mantenham baixos. Por enquanto o mercado parece estar a digerir o resultado eleitoral com tranquilidade, mas penso que bastará que Wall Street espirre para Portugal apanhar uma pneumonia. Porquê? Porque o país e as nossas empresas ainda estão muito fragilizados pela sua elevada dívida.

4. Previsão PSI 20

Sem mais demora, concluo com a minha previsão para o PSI 20:

Previsão para o PSI 20

Espero que o fundo do mercado venha a acontecer daqui por um ano, mais coisa menos coisa, entre os 4.000 e os 4.500 pontos do PSI 20.

5. Ações Individuais neste Contexto do Mercado em Geral

Vai ser preciso avaliar ação a ação, como tenho vindo a fazer no âmbito do projeto BorjaOnStocks (todas as análises estão na secção Ações). É claro que se esta previsão para o mercado em geral se revelar correta não vai ser fácil a qualquer ação subir neste contexto, mas vai ser útil e interessante averiguar as firmezas e fraquezas relativas neste período. E vai dar tempo para fazer novas rondas de análises e aprofundar o conhecimento que temos de todas as empresas. Algumas ações sobem antes do mercado em geral e normalmente essas são os melhores investimentos a longo prazo. É no Bear Market é que se deve estudar as ações, para depois ganhar a sério no Bull Market. Quem chega só no tempo das vacas gordas normalmente chega tarde e mal preparado.

6. E se esta previsão estiver errada?

Não há problema, assume-se o erro e tomam-se medidas para adaptar a estratégia de investimento de modo a obter a melhor rentabilidade esperada em relação ao risco. Trabalhando e estudando várias horas por dia, todos os dias, com muita consistência, o resultado a longo prazo só pode ser muito positivo. É assim em todas as atividades humanas e a Bolsa não é diferente. Não é uma questão de sorte e azar, mas sim de trabalho e conhecimento.

7. Marketing

Se desejar torne-se Membro do BorjaOnStocks e acompanhe todas as análises a ações, as previsões do mercado em geral, o Portfolio TOP10 Lisboa e o Resumo Diário do PSI 20.

8. Disclaimer

Esta publicação é para efeitos meramente informativos e educacionais e nunca deverá ser entendida como uma recomendação de compra ou venda de ações. O BorjaOnStocks e a sua Equipa não assumem qualquer responsabilidade por eventuais perdas ou ganhos resultantes da informação obtida nesta publicação. Se necessitar de conselhos financeiros, procure sempre os serviços de um profissional devidamente autorizado e credenciado.

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