Os senhores da Bolsa de Lisboa

Desde o primeiro ano da faculdade – já lá vão quase 30 anos – que tenho um fascínio pelos grandes investidores da Bolsa de Lisboa, daqueles que, quando tomam posição, mexem verdadeiramente com as cotações.

Eram famosas as histórias do Jorge Figueiredo, que puxou tanto pela Grão-Pará – essa coitada ainda é cotada – que ganhou um lugar no conselho de administração, para desgosto da Fernanda Pires da Silva, que teve de o aturar.

Na altura o meu tio era croupier no Casino do Estoril – agora já está reformado – e por vezes dava cartas ao Jorge Figueiredo e ao seu grupo de amigos, um grupo de “especuladores”. Ele dizia que o Jorge era tão confiante que mesmo quando perdia – especialmente quando perdia – dava gargalhadas alarves, uma caraterística comum a qualquer bom especulador, de ficar contente com as perdas e triste com os ganhos, de forma a contrabalançar os instintos naturais e obter a tão almejada estabilidade emocional.

Uma vez o meu tio atreveu-se a contar a minha história, tipo, “o meu sobrinho começou agora a investir na Bolsa e escreve umas análises na internet… e anda metido nos futuros!” e o Jorge disse: “o quê, ele também anda nos futuros? Cuidado com isso…” e outro disse “ele que passe na Casa do Largo para combinarmos umas manobras”.

Outro investidor ilustre da década de 90 era o professor Vasconcellos & Sá, que com uns telefonemas punha o que queria na capa do Diário Económico. Isso já não me fascinava tanto, porque era um mero poder mediático, sem conhecimento de causa, além de que era injusto.

O que eu gostava mesmo era daqueles investidores que conheciam as empresas de trás para a frente, a sua história, os seus fundamentais, os maiores acionistas…

O mais apreciado era o Fernando Silva, que geriu o departamento de investimentos do Banco Totta & Açores, delegação do Porto. Quando eu o conheci ele já tinha uns 60 anos e já estava reformado, mas continuava muito ativo no mercado, com posições relevantes em várias cotadas e lendo todos os relatórios e contas.

César Borja & Fernando Silva num almoço em Espinho em 2018

O Homem adorava contar histórias da Bolsa e eu adorava ouvi-lo… era capaz de estar dias e dias a ouvir as suas histórias das cautelas da Celulose do Caima e de outras ações do bull market de 1982 – 1987. Ou mais antigas, como as viagens de comboio entre Porto e Lisboa, carregado de ações de um lado, para vender no outro, com lucro garantido. Convivi com ele durante 20 anos e só tenho pena de não ter concretizado a intenção de escrever um livro com as suas memórias. O meu plano era tirar um mês e ir para Espinho munido com um gravador, para ficar tudo registado e depois transformar a prosa dele num livro. Infelizmente ele deixou-nos cedo demais, aos 80 anos, quando ainda estava de perfeita saúde. Deixou uma carteira diversificada de ações fundamentalmente atrativas aos seus herdeiros, que de vez em quando me ligam com algumas questões.

Há naturalmente mais investidores notáveis que vão perseverando pelas dificuldades e oportunidades da Bolsa de Lisboa… pela minha parte vou fazendo o que posso para manter o interesse dos investidores nas ações nacionais e tenho a ambição secreta de também deixar uma marca na História. 

Ali em 2015 comecei a analisar, do ponto de vista fundamental, todas as ações da Bolsa de Lisboa. Não achava que fosse encontrar grandes oportunidades de investimento e basicamente, tirando um pequeno grupo de investidores “casmurros” que anda sempre comigo, ninguém queria saber. Foi mais aquele pulsar da memória dos anos 80 (transmitida pelo Fernando Silva) e dos anos 90 (que vivi intensamente) que me fez avançar nessa direção… e não mais parei.

Desde aquele primeiro dia, 21 de agosto de 2015, até hoje  publiquei mais de 800 análises fundamentais às ações cotadas na Bolsa de Lisboa. Acho que mais ninguém no mundo fez um esforço semelhante, mesmo tendo em conta que nos últimos dois anos tive a ajuda de dois analistas juniores. Mas a questão é que foi um prazer que espero continuar a exercer nos próximos 30 ou 40 anos, ou pelo menos enquanto a saúde o permitir.

Quando for para baixo da terra, que a minha lápide diga: “aqui jaz César Borja, que dedicou a sua vida a analisar e investir em ações da Bolsa de Lisboa”.

Claro que também analiso e invisto em ações estrangeiras, nomeadamente dos mercados de Madrid, Amesterdão e Nova Iorque, mas o meu core de expertise continua a ser em Lisboa e é nesta praça periférica que posso continuar a dar cartas, não como o meu tio fazia no casino, para jogadores, mas para investidores economicamente racionais que apreciam agir com perfeito conhecimento de causa.

O pequeno grupo de “casmurros” cresceu para centenas de investidores que seguem diariamente o meu trabalho, e que foram deixando, aqui e ali os seguintes testemunhos:

O serviço que prestamos no Borja on Stocks não consiste apenas em análises a ações, mas também em ir selecionando aquelas que são fundamentalmente mais atrativas para figurar num portfolio público, que no caso da praça nacional é o TOP10 Lisboa.

Desta forma podemos escrever, de forma 100% objetiva, quais são as ações que, naquele momento e tendo em conta a Análise Fundamental, são mais atrativas para comprar. E quando é para vender… também publicamos uma análise justificativa.

Assim os nossos Subscritores conseguem, com apenas 5 minutos por dia, acompanhar os desenvolvimentos fundamentais das cotadas, especialmente daquelas que consideramos mais atrativas e podem também reagir, nas suas próprias contas de investimento, às entradas e saídas do portfolio público.

Desde que foi criado, em 2 de novembro de 2015, o TOP10 Lisboa tem tido o seguinte desempenho:

Como é que tem sido possível obter este retorno?

Essencialmente, com muito trabalho, mas também com a ajuda do nosso principal ativo, que é a comunidade de centenas de investidores conhecedores da realidade das empresas, que nos trazem insights únicos e valiosíssimos.

Atualmente os senhores da Bolsa de Lisboa são os membros da comunidade do Borja on Stocks.

Esta comunidade de centenas de investidores troca ideias e argumentos no Fórum do Borja on Stocks, que costuma ter cerca de 150 posts por semana. Claro que poucos leem os posts todos (eu leio quase todos), mas caso tenha alguma questão sobre uma ação específica, é certo que terá resposta dentro da nossa comunidade.

Claro que resultados passados não são garantia de resultados futuros, mas o track record que temos obtido é francamente acima da média dada pelos índices.

Agora que as comissões de corretagem (especialmente nas corretoras low cost) são muito mais baixas que no passado,  considere investir no research de baixo preço, alto valor que prestamos no Borja on Stocks.

Espero vê-lo dentro do Borja on Stocks, será muito bem-vindo!

César Borja

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