O PS não faz mal (nem bem) ao mercado de ações

Bom dia caros investidores,

No seguimento das eleições legislativas de 4 de outubro de 2015, quando se formou a mais tarde apelidada “geringonça”, houve uma grande celeuma entre os investidores em ações, que receavam por um período de fraco desempenho económico e descida generalizada do mercado de ações.

Nessa altura, um César Borja mais novo, fogoso e radical, escreveu o seguinte artigo:

A previsão em relação ao mercado acionista nacional, medido pelo índice de referência PSI20, era de que iria descer inicialmente, não por causa do efeito da esquerda no governo, mas pelos ventos internacionais. De facto nos seis meses seguintes o PSI20 desceu 19,5%, tendo como clímax de venda o dia em que o Brexit venceu o referendo no Reino Unido:

O PS não faz mal (nem bem) ao mercado de ações 1 - Borja On Stocks

Em termos de longo prazo previ, grosso modo, que o mercado em geral iria ficar mais ou menos na mesma e que as ações fundamentalmente atrativas (na altura considerava a Altri, a Ramada e a Semapa) iriam continuar a valorizar. Passados mais de 6 anos, apesar de muita turbulência, com o corona crash pelo meio, o PSI20, efetivamente…

O PS não faz mal (nem bem) ao mercado de ações 2 - Borja On Stocks

…está mais ou menos igual.

Sendo rigoroso o PSI20 até subiu 8,6%, o que dá uma taxa média anual de crescimento de 1,4%. Só que o PSI20 tem menos de 20 componentes e desconsidera os dividendos, pelo que devemos medir o mercado antes pelo PSI Geral, que tem mais componentes e engloba os dividendos distribuídos:

O PS não faz mal (nem bem) ao mercado de ações 3 - Borja On Stocks

Desde aquele artigo o índice PSI Geral valorizou 69%, o que em média dá 9,1% ao ano de retorno!

Dentro desta média protagonizada pelos índices, naturalmente existiram ações fundamentalmente mais atrativas do que outras, e foram essas mais atrativas que fui procurando selecionar para integrar o TOP10 Lisboa, que desde o seu início, que foi uns dias antes daquele artigo, mais precisamente em 2 de novembro de 2015, teve a seguinte performance:

O PS não faz mal (nem bem) ao mercado de ações 4 - Borja On Stocks

Até à data de hoje, 166,8% de retorno, ou 17% ao ano, em média.

Portanto, na altura, estive bem em não fugir, em não recuar, das ações portuguesas, apesar do ambiente político supostamente adverso às grandes empresas e consequentemente aos investidores em ações.

Onde falhei – e nisso há que dar mérito ao Governo – foi nas previsões para o mercado obrigacionista, pois efetivamente conseguiram obter bons resultados ao nível do défice orçamental (pelo menos até à pandemia) e os yields da dívida pública portuguesa desceram bastante, ficando abaixo dos juros pagos por Espanha, Itália e naturalmente Grécia.

Na altura em que escrevi o “Efeito da Esquerda no Mercado” o yield das OTs a 10 anos de Portugal estava nos 2,71% e agora está nos 0,723%:

O PS não faz mal (nem bem) ao mercado de ações 5 - Borja On Stocks

Isto foi o passado, mas e o futuro? O que vai acontecer agora que o PS está no Governo com maioria absoluta?

Em teoria a situação é menos adversa para as grandes empresas e para os investidores em ações, pois o Governo já não estará influenciado pelos desígnios dos partidos de extrema esquerda, que são contra o “grande capital” e os “lucros anormais” das empresas. Uma medida que constava nos programas eleitorais dos partidos mais à esquerda era a do englobamento obrigatório dos dividendos e mais-valias na bolsa, o que poderia fazer disparar o IRS dos investidores em ações médios, que já pagam 28% dos dividendos e mais-valias, mas a esquerda mais à esquerda achava pouco. Apetecia-me ir para a rua empenhar um cartaz a dizer “Não passarão!”

Not really…

Neste aspeto, ainda bem que o PS teve maioria absoluta, pois essa medida de englobamento obrigatório não consta do seu programa eleitoral.

Efetivamente, estive a ler as 122 páginas do programa eleitoral do PS (na realidade são 244, porque cada página tem duas colunas de texto) e devo dizer que nem uma única vez o mercado de capitais ou os investidores em ações são mencionados.

É como se esse mecanismo fundamental de promoção da poupança e investimento, de crescimento económico e de geração de emprego qualificado não existisse. Por um lado é melhor assim, pois caso o mercado de ações fosse mencionado provavelmente seria no sentido de taxar e condicionar.

Significa isto que o mercado de ações não é prejudicado pelo Governo PS, mas também não é incentivado, é simplesmente ignorado. O PS não faz mal (nem bem) ao mercado de ações.

O PSI20 e o PSI Geral evoluirão de acordo com os fundamentais das empresas cotadas, sendo que muitas delas operam nos mercados internacionais, ou são fortemente exportadoras. Algumas terão fundamentais de base mais atrativos e naturalmente valorizarão mais, outras continuarão a minguar até desaparecerem.

Por mim, resta-me passar os próximos quatro anos como passei os últimos seis: a analisar e selecionar ações fundamentalmente atrativas para os Subscritores do Borja on Stocks investirem.

Agora que já tenho 46 anos e que o meu filho mais novo já tem 11, não faço quaisquer planos para emigrar e gostaria que os meus filhos também ficassem por cá, com projetos de vida promissores. Mas isso caberá a eles decidir dentro do contexto que existir na altura.

Para que esse contexto seja o melhor possível não podemos, de todo, ficar à espera da iniciativa ou ajuda do Estado. Cada um terá de assumir a sua responsabilidade de tornar o país melhor, na pequena parte que está ao seu alcance.

César Borja
Analista financeiro independente, co-fundador do Borja on Stocks

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