Novamente a defender a Raize

No dia 11 de outubro, num post do Linkedin, escrevi o seguinte parágrafo:

Pode-se começar a investir com 10 €, ou 20 € por mês (no caso destes montantes muito pequenos sugiro a bolsa de empréstimos da Raize) e depois aumentar para 100 €, 200 €, ou 1000 €, ou 5.000 € por mês e nesse caso as ações – títulos que representam a propriedade de empresas – são os que têm a melhor relação entre a rendibilidade esperada e o risco numa ótica de longo prazo.

No dia seguinte recebi o seguinte e-mail:

Boa tarde césar
Parece incrível como alguém tão inteligente como César item entendido dos mercados financeiros poder vir fazer apelo investimentos na Riz onde só se consegue perder dinheiro

Confesso que dificilmente perco uma oportunidade para utilizar a arma do sarcasmo e a minha resposta foi:

Na Riz, que não conheço, talvez só se consiga perder dinheiro. Obrigado pela informação!

Na Raize, onde invisto na bolsa de empréstimos há cerca de dois anos, estou a ganhar 12,2%.

Eu sei que não foi elegante aproveitar-me assim de uma distração, mas é mais forte do que eu… tenho sempre de malhar nos céticos da Raize.

Tenho esta necessidade porque sou um pequeno acionista e aforrador da Raize?

Não muito… é mais porque entendo que a Raize tem uma missão formidável, que deveria ser acarinhada e apoiada por todos. E tenho tendência a ir contra a sabedoria convencional.

O que a Raize faz é recolher poupanças de pequenos aforradores e emprestar essas poupanças a pequenos empresários, aqueles que essencialmente dão emprego aos pequenos aforradores.

Os pequenos aforradores são compensados com uma taxa de juro (como se fossem uns mini-banqueiros) e os empresários fazem os investimentos necessários ao crescimento das suas empresas.

O que é que a Raize ganha com isto?

Uma comissão por transação, como se fosse uma corretora de ações, mas neste caso é uma corretora de empréstimos. E contactos, muitos contactos… de cerca de 25 mil empresas (emprestou a cerca de 3 mil) e mais de 70 mil aforradores.

Pessoalmente, há uns dois ou três anos, pus 200 € na bolsa de empréstimos da Raize (primeiro 100 €, depois mais 100 €), para ver como é que aquilo funcionava… e agora tenho lá 224,49 €. Aquilo tem uma espécie de ETF onde se pode investir de forma passiva (eles chamam-lhe tracker de empréstimos) que faz uma diversificação automática, sendo que os meus 224,49 € estão emprestados a 109 empresas, o que é extraordinário.

Há uns meses a Catarina também abriu uma conta na Raize, com apenas 20 €, que acho que é o mínimo. E depois programou uma transferência automática mensal de 20 € para a Raize e agora tem lá 303,41 €, tendo ganho 7,92 € em juros. Ela disse que vai fazer uma transferência automática mensal para mim também, de 20 €.

São montantes muito pequenos – porque preferimos investir em ações – mas dá-lhe prazer investir na bolsa de empréstimos da Raize, porque, tal como eu, aprecia apoiar os pequenos empresários, essa gente que costuma ser tão desprezada pelo poder político.

No Fórum vou partilhando, mais ou menos com periodicidade semanal, os empréstimos que a Raize vai intermediando e nos últimos 10 dias foram os seguintes:

Novamente a defender a Raize 1 - Borja On Stocks

Isto são 19 empresas, eu é que nem sempre escrevo os nomes completos… 444.327 € que foram dos aforradores para as empresas, da mesma forma que funciona um banco, mas neste caso quem fica com os juros são os “depositantes”. Também ficam com o risco de uma destas empresas não pagar e claro, algumas (poucas), não pagam.

Só que os juros pagos pelas que pagam mais do que compensam as que não pagam, tal como demonstrei neste artigo já algo antigo:

Na bolsa de empréstimos da Raize, tal como acontece no mercado de ações, o importante é estar bem diversificado.

Segundo a Raize – e não tenho razões para duvidar – 98% dos investidores na sua plataforma têm retorno positivo:

Novamente a defender a Raize 2 - Borja On Stocks

Mas também não tenho razões para duvidar do autor do e-mail acima, que diz que perdeu dinheiro na bolsa de empréstimos da Raize. Deve ser um dos 2%.

E como é que se consegue perder dinheiro na bolsa de empréstimos da Raize?

Sendo guloso, não diversificando… quem não ativa o tal tracker pode escolher as empresas em que investe e as que não investe. Mesmo quem ativa o tracker pode vender os empréstimos que quiser no “mercado secundário”.

Sim, a Raize é minúscula, mas sofisticada e tecnologicamente avançada.

A Catarina diz que, no início, a sua transferência automática chegava à Raize e ela tinha de enviar um comprovativo para acelerar o processo da entrada do dinheiro na conta e reinvestimento no tracker. E que agora é tudo automático, o dinheiro sai do banco, chega à Raize e é automaticamente investido no tracker, sem intervenção humana.

Voltando aos “gulosos”, o que é que eles fazem? Vendem os empréstimos que têm uma taxa de juro mais baixa (em torno de 4%) e ficam só com os que têm uma taxa de juro mais alta (em torno dos 7%).

Só que, é evidente, os empréstimos que têm uma taxa de juro mais baixa têm um risco menor de incumprimento do que os que têm a taxa de juro mais alta! Isto porque a taxa de juro é atribuída pela Raize, que segue um processo sistemático de análise bastante rigoroso (por experiência própria, mais rigoroso que o dos bancos).

A minha conclusão é que os 2% que perdem, perdem porque são gananciosos e só investem em empréstimos com taxas de juro elevadas, vendendo os empréstimos com taxas de juro mais baixas… e depois se têm 5 ou 6 empresas em incumprimento, os juros das outras já não chegam para cobrir as perdas.

Pensando agora na Raize na perspetiva do investidor em ações.

Ontem fechou nos 0,9 € por ação…

Novamente a defender a Raize 3 - Borja On Stocks

…e como tem somente 5 milhões de ações emitidas, o seu valor de mercado é de apenas 4,5 M€.

Em 2021 a Raize teve receitas de 1,1 M€ e um lucro de 61,9 K€:

Novamente a defender a Raize 4 - Borja On Stocks

Isto significa que o PSR está nos 4,1 e o PER nos 73.

Portanto, não posso afirmar que está barata no sentido estrito do termo.

Mas o track record de crescimento…

Novamente a defender a Raize 5 - Borja On Stocks

…e o potencial a longo prazo são para mim evidentes.

Em 2021 a Raize emprestou cerca de 13,8 M€ a 481 empresas…

Novamente a defender a Raize 6 - Borja On Stocks

…o que dá 377 K€ a cada 10 dias.

Nos últimos 10 dias a Raize emprestou 444 K€.

Significa isto que o ritmo está a aumentar?

Não necessariamente, porque os últimos 10 dias podem não ser representativos… mas agora a Raize também vende seguros, promove depósitos de bancos e, não tenho a certeza se ainda é assim, mas julgo que a partir de certa altura passou a ficar com 10% dos juros.

Os aforradores passaram a ficar com 90% dos juros e esta mudança enfureceu-os… mas já não dizem nada quando o banco lhes paga 0% pelos depósitos. Está certo que o risco também é diferente… quer dizer, quando o aforrador ativa o tracker e diversifica, está a agir como um mini-banqueiro, com o mesmo modelo de negócio dos próprios bancos, portanto o risco de um investimento no tracker da Raize ou num depósito bancário só não é muito semelhante porque existe o fundo de garantia de depósitos.

Voltando à Raize, os 13,8 M€ emprestados em 2021 foram uma fração infinitesimal do montante emprestado às empresas em Portugal, que foi de 20.826 M€, um mínimo histórico. A quota de mercado da Raize em 2021 foi de 0,066%.

Em 2021 o volume de empréstimos intermediado pela Raize aumentou 58%, enquanto que o volume de empréstimos concedido pelos bancos às empresas diminuiu 38%.

Em 2020 – um ano super difícil para a Raize, que não recebeu qualquer apoio estatal, ao contrário dos bancos – a Raize emprestou 8,7 M€ e os bancos emprestaram 33.547 M€, ou seja, nesse ano a quota de mercado da Raize foi de 0,026%.

Isto significa que, de 2020 para 2021, a quota de mercado da Raize subiu de 0,026% para 0,066%.

E a minha pergunta é: não vos parece que a quota de mercado da Raize vai continuar a aumentar, por exemplo para 0,66%?

E porque não, nos próximos 25 anos, para 6,6%?

Isso seria um aumento de 100 vezes na quota de mercado… o que justificaria um valor para aí 100 vezes superior para a Raize, que passaria dos 0,9 € por ação para 90 € por ação, dos 4,5 M€ para os 455 M€.

Esta é a história de investimento. E é das mais simples que pode haver.

Quem acredita, compra as ações com uma mentalidade de longo prazo.

Quem não acredita, não compra.

Conclusão

A Raize mantém-se no TOP10 Lisboa e o PAQVH mantém-se nos 67,5 €.

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