É no bear market que se constroem as fortunas

Bom dia caros Investidores,

O market timing é uma estratégia de investimento no mercado de ações que procura identificar qual vai ser a tendência futura do índice do mercado em geral (exemplo: S&P 500) e depois agir em conformidade: se a tendência futura do índice for ascendente (bull market), o investidor pretende estar perto de 100% investido. Se for descendente (bear market), procura estar com uma elevada percentagem de cash.

Esta estratégia é defendida por exemplo no livro Ganhar em Bolsa, mas é de difícil aplicação e há até muita gente que diz e escreve que é impossível prever a tendência futura do mercado em geral, por existirem demasiadas variáveis.

Atualmente o market timing está fora de moda, com a quase totalidade dos investidores a adotar antes outra estratégia, a do stock picking, que tem a ver com a seleção de ações de acordo com os seus méritos individuais, independentemente da tendência do mercado em geral.

Paralelamente, nos anos 90 e 2000 a Análise Técnica (análise dos gráficos das cotações) tinha muitos praticantes devotos, porém atualmente quase todos se converteram à Análise Fundamental (análise das demonstrações financeiras, balanços, concorrência, etc).

Verifico que, para além dos ciclos de mercado, também existem ciclos nas estratégias adotadas pela maioria dos investidores e que costuma ser acertado, em momentos de viragem de tendência, ser um contrarian e estar junto da minoria.

Mas foi mais por necessidade que convicção que, em março deste ano, no meio do corona crash, adotei parcialmente o market timing e me lancei numa série de previsões extremamente arrojadas para os índices de mercado, que se têm revelado acertadas. A mais recente foi quando, na segunda-feira, dia 9 de novembro, após a notícia da vacina da Pfizer e Biontech, publiquei o seguinte e-book anunciando que o S&P 500 estava no topo…

…ao que se seguiria um bear market mais severo que o de março de 2020 e que eventualmente levaria o S&P 500 à zona dos 1.900 pontos, ou seja, estou a prever uma queda de cerca de 48%!

Nos dias seguintes surgiram várias market calls muito otimistas dos maiores bancos de investimento do mundo, o que me levou a publicar o seguinte texto:

Ontem o S&P 500 fechou nos 3.568 pontos, ou seja, cerca de 2% abaixo…

É no bear market que se constroem as fortunas 1 - Borja On Stocks

…e evidentemente é cedo para afirmar que aquela previsão de topo estava correta. Também não gostaria que, lá por o S&P500 ter ultrapassado aquele nível por apenas 2%, viessem dizer que tinha estado errado. Eu pedi uma margem de manobra mínima de 2%, mas o melhor é que seja de uns 5%.

O que me interessa neste texto não é cantar vitória – é muitíssimo cedo para isso – é afirmar que, caso eu esteja correto nesta previsão de bear market, isso é o melhor que poderia acontecer aos Subscritores do Borja on Stocks (BoS). E digo isto por dois motivos principais:

– Os TOPs de ações recomendadas do BoS (TOP10 Lisboa, TOP10 Amesterdão, TOP20 Paris e TOP20 Small Caps US) estão com uma percentagem relativamente elevada de Cash;

– É nos bear markets que se constroem as fortunas.

Pessoalmente passei por dois bear markets muito severos – ao pé deles o corona crash foi uma brincadeira de crianças – o bear market de 2000 – 2003 e o bear market de 2007 – 2009:

É no bear market que se constroem as fortunas 2 - Borja On Stocks

Nessa altura ainda não tinha desenvolvido uma mentalidade de longo prazo e queria ganhar todos os meses, todas as semanas e mesmo todos os dias, o que me levou a enveredar por caminhos que não recomendo, que tiveram a ver com day trading em futuros.

Desde que em agosto de 2015 iniciei o BoS que temos vindo a “lamentar” as oportunidades incríveis que se apresentaram aos investidores de longo prazo nesses dois bear markets. Verdadeiras pechinchas que nos anos seguintes subiram muitos bags.

Nota: 1 bag = 100% de valorização

E agora, se eu estiver correto e efetivamente o S&P 500 descer mais de 45% desde o máximo recente, aparecerão novamente uma série infindável de oportunidades extraordinárias para os investidores de longo prazo.

Se agora o market timing está fora de moda, é praticamente certo que, se e quando o S&P 500 descer 20%, 30% desde o máximo, que vai voltar a entrar na moda, com as previsões macroeconómicas a ganharem preponderância, porque os investidores não conseguirão explicar cabalmente a evolução das cotações com os fundamentais intrínsecos das empresas. Muitas ações de inquestionável qualidade fundamental podem descer 50% neste bear market, apenas porque estão sobreavaliadas e precisam de uma saudável correção.

E outras de qualidade inferior podem mesmo descer 70%, ou 80%, ou até 90%.

E isso seria ótimo, porque a seguir a um bear market vem… um novo bull market. Só para recuperar até ao mesmo sítio o S&P 500 teria de subir uns 100% e isso significa que bastantes ações com fundamentais superiores à média (quero dizer, muito mais subavaliadas que a média), podem subir 1.000% só com essa recuperação, ou seja, tornarem-se tenbaggers. E depois continuarem a valorizar em termos de longo prazo.

Enquanto que naqueles dois bear markets anteriores eu fui na onda dos derivados e do trading de curto prazo, neste, já com 44 anos, estou determinado em construir a minha fortuna, analisando profundamente uma vasta série de ações à procura das pérolas que irão recuperar e valorizar muitíssimo na expansão seguinte. E claro, providenciar o serviço de análises e recomendações de ações que, desde 2015, temos desenvolvido no Borja on Stocks.

Se a meio da descida o market timing começará a ficar na moda, será nessa altura que me irei movimentando cada vez mais novamente para o stock picking, de tal forma que lá no fundo não quererei mais saber da macroeconomia ou do índice de mercado.

Se e quando houver o double dip macroeconómico que prevejo, o desemprego for elevado e as empresas derem pesados prejuízos, eu quero ser um perfeito idiota otimista, que encontra nas más notícias (e baixos preços) motivação e esperança para investir com uma ótica de longo prazo.

Ter uma elevada percentagem de Cash e continuar a estudar afincadamente uma vasta gama de ações é a estratégia principal para enfrentar o que, previsivelmente, aí vem. Este é o core.

Depois, na margem, mais para passar o tempo e entreter (mas também, obviamente, para obter alguma valorização), temos algumas situações especiais de ações que sobem quando as outras descem, algumas small caps demasiado subavaliadas para vender, independentemente do mercado em geral e ainda, ações de uma indústria anti-cíclica que prometem subir caso haja realmente uma forte turbulência nos mercados. Nos próximos dias conto escrever sobre estas estratégias de margem, mas antes disso preciso de escrever acerca do desenvolvimento de uma mentalidade de longo prazo.

Caso ainda não seja Subscritor do BoS e tenha interesse em acompanhar as nossas análises a ações individuais e recomendações de investimento (compra e venda), veja as condições aqui:

Obrigado pela atenção, cumprimentos,

César Borja

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