Bureau Veritas… é verdade!

1. Introdução
Vamos analisar uma empresa que, em 2018, fez 190 anos de vida. Ela foi fundada em 1828 na Bélgica e transferida posteriormente para Paris, tendo construído uma rede internacional que inspecionava a qualidade das embarcações marítimas. A Oferta Pública de Venda (ou IPO – Initial Public Offering) na Euronext Paris só surgiu em 2007, tendo como propósito o acesso a novas formas de financiamento e o fortalecimento da lealdade dos colaboradores da empresa, tornando-os acionistas.
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2. Apresentação
2.1. Descrição da Empresa
A Bureau Veritas é líder mundial nos “TIC Services” (Teste, Inspeção e Certificação). O negócio da empresa é garantir que os bens e serviços dos seus clientes estão em conformidade com determinados padrões de qualidade e com a regulamentação “QHSE” – qualidade, saúde, segurança, proteção ambiental e responsabilidade social. Ela conta com um “know-how” de 190 anos e tem mais de 400.000 clientes em todo o mundo nos mais variados setores – transportes, construção, gás e petróleo, engenharia, eletricidade/utilities, produtos de consumo, retalho, aeronáutica, exploração mineira, agricultura, serviços governamentais, automóvel e químico. Está presente em 4 continentes e tem 1500 escritórios e laboratórios em quase 140 países.

 

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O símbolo da cotação, na Euronext Paris, é o seguinte:

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2.2. Principais Acionistas
36,39% da empresa é detida pela Wendel Participations (já referida na análise à Wendel SA), cujo Chairman do Conselho Executivo é o Vice-Chairman da Bureau Veritas – André François-Poncet. A Wendel detém o controlo da Bureau, com 51,91% dos direitos de voto. O free float é de 35,6%.

 

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2.3. Equipa de Gestão
O Chairman da empresa é Aldo Cardoso, mas alguns dos membros da Bureau Veritas são também diretores da Wendel, a empresa que detém o controlo – Stéphane Bacquaert, Stéphanie Besnier, Claude Ehlinger e André François-Poncet (Bureau Veritas Vice-Chairman of the Board of Directors).

 

3. Contexto Histórico
3.1. Gráfico de Longo Prazo
A cotação da empresa desde o IPO em 2007:

 

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3.2. Evolução do N.º de Ações e Valor de Mercado
O número de ações diminuiu quase 10% para 442 milhões de ações, desde 2007, e a capitalização bolsista aumentou, à data de hoje, para 10 200 milhões de euros… estes são sinais de criação de riqueza para o acionista.

 

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3.3. Evolução das Vendas e Price to Sales Ratio
As vendas não pararam de aumentar, mesmo tendo passado pela crise de 2008, e estão equilibradamente distribuídas pelos 4 continentes: 25% Américas, 35% Europa, 31% Ásia e Pacífico e 9% África.

 

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3.4. EBITDA e Múltiplos do EBITDA
O múltiplo do EBITDA, que é uma excelente alternativa ao PER (pois contempla a dívida e o caixa), mostra que a empresa está a transacionar próximo da média (13x).

 

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3.5. Margens EBITDA, EBIT e Líquida
Em média, a margem do EBITDA é de 18%, a do EBIT de 14% e a margem líquida é de 8%.

 

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3.6. Lucro e Price to Earnings Ratio
O PER está próximo ao valor médio dos últimos 10 anos (25x) e os lucros previstos pelos analistas para 2020 são os maiores de sempre:

 

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3.7. Return on Equity
O ROE atual está a superar o valor médio dos últimos 10 anos (31%):

 

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3.8. Rácios do Balanço
Apesar da dívida estar a aumentar, e de ser 3x superior ao capital próprio, a dívida líquida corresponde a apenas 3,24x o valor do EBITDA. É um valor sustentável.

 

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3.9. Fatores de Risco
Os fatores de risco estão separados em 6 categorias:
  1. Riscos relacionados com as operações e atividades do grupo (ambiente competitivo, instabilidade política, mudanças nas regulamentações, litígios jurídicos, falta de cobertura por parte dos seguros e custos dos mesmos, suspensão ou perda de autorizações, risco relacionado com a subcontratação e outsourcing e risco de desaceleração macroeconómica);
  2. Riscos relacionados com as novas tecnologias (cybersegurança e mudanças tecnológicas);
  3. Riscos relacionados com a governança e integridade (falha do comportamento ético, deterioração da imagem e da reputação promovida pelos média e o risco de falsificação de certificados);
  4. Risco relacionados com novas aquisições (erro nas avaliações e imparidades dos ativos);
  5. Riscos financeiros e de mercado (risco de crédito, impostos, falta de liquidez, endividamento e variação das taxas de juros);
  6. Riscos humanos (desânimo dos trabalhadores, falta de novos talentos e problemas de saúde).

Atualmente estão em curso alguns processos legais sobre os quais a empresa diz estar otimista, não tendo impacto adverso nas contas da empresa. Há várias disputas relativas à construção de um hotel e de um complexo comercial na Turquia, à queda de um avião da Gabon  Express e à acreditação de um inspetor francês. Não há problemas relacionados com o Estado e a administração fiscal.

4. Perspetivas
Warren Buffett apelidou as vantagens competitivas de uma empresa de MOAT (o tal fosso dos castelos medievais que os protegiam dos inimigos). A Bureau Veritas tem um conjunto de vantagens competitivas: a reputação da sua integridade e independência (que demora muito tempo a solidificar), as suas licenças (3500 autorizações e acreditações), a densa rede geográfica na qual opera (quase 140 países), o amplo espectro de serviços de que ela dispõe, os seus técnicos altamente qualificados e o reconhecimento internacional da marca, são barreiras à entrada de novos competidores.
Nos próximos tempos, a empresa espera ter um crescimento orgânico moderado (a um dígito). Estamos perante uma slow growth com vantagens competitivas (moat).

 

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Apesar de não existirem estudos, a empresa estimou (em 2015) que a indústria TIC tinha um valor de mercado superior a 200 B€, dos quais 40% eram serviços fornecidos por organizações privadas (onde ela opera).

 

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É incerto, mas a empresa considera que há alguns fatores de crescimento e tendências que podem influenciar (positivamente e negativamente) o crescimento das vendas no longo prazo, tais como:
  • a desaceleração do crescimento dos mercados emergentes
  • o fim do “super ciclo” das commodities que iniciou no ano 2000
  • o crescimento da classe média nos países emergentes e o crescente estabelecimento de padrões de segurança
  • o crescimento da “Internet of Things” e o aumento do uso de tecnologias complexas (por exemplo, as que usam a estrutura da “blockchain”)
  • a dificuldade em proteger as “global brands” da influência das redes sociais, onde a informação é partilhada em tempo real, que exige delas uma maior procura por padrões de qualidade que elevem a sua imagem
  • o aumento da procura, por parte das autoridade públicas, por empresas especializadas às quais possam delegar certas atividades de controlo
Para a estratégia de 2020, a empresa está a focada no seu plano de transformação digital (tecnologias disruptivas), tendo como prioridade a eficiência digital (aumentando o lucro dos serviços existentes), a aceleração do crescimento através dos modelos operacionais digitais alternativos e os novos segmentos de mercado (TIC digital services).

 

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5. Visão Geral & Conclusão
Considerando o PER médio de 25x, a margem líquida média de 8% e a continuidade do número atual de ações, se a taxa de crescimento médio das vendas continuar nos 7,75%, podemos esperar, daqui a 5 anos, um EPS de 1,32 €, com a cotação do valor das ações próxima dos 32,91 €. Se incluir os dividendos acumulados (antes de impostos), chegamos a um valor acumulado de 37,65 € por ação, e, por conseguinte, a uma rentabilidade esperada de 10% ao ano. Se o PER descer de 25x para 18x, próximo ao valor mínimo dos últimos 10 anos, mantendo tudo o resto constante, a rentabilidade esperada desceria para 4% ao ano.

 

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