ACS no TOP10 Madrid

Bom dia caros Subscritores,

Hoje é segunda-feira, pelo que, de acordo com o plano…

ACS no TOP10 Madrid 1 - Borja On Stocks

…estou dedicado às ações espanholas, que no geral foram muito massacradas nas últimas duas ou três semanas.

Parece ser uma boa altura para revisitar algumas ações que foram consideradas subavaliadas nas análises anteriores. É o caso da ACS:

Estou convencido que a ACS deve passar a figurar no TOP10 Madrid pelos seguintes motivos principais:

1º – Diversificação geográfica das receitas

A ACS, sendo uma empresa espanhola, obtém 60% das suas receitas na América do Norte e 19% na Austrália:

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Como sabem tenho um apreço especial por empresas europeias que conseguem ganhar dimensão nos países anglo-saxónicos, nomeadamente nos Estados Unidos, que contribui com 53% das receitas da ACS:

By countries, United States, Australia, Spain, Canada and Germany contributed with 92% of total sales. Sales in the United States already accounted for 53% of the total, while in Spain they represented 11% after the sale agreement of Industrial Services.

92% das receitas advém dos Estados Unidos, Austrália, Espanha, Canadá e Alemanha, que são países com economias e moedas relativamente estáveis, em que os direitos de propriedade estão perfeitamente definidos e os contratos são geralmente cumpridos.

2º – Estrutura acionista forte e compra de ações próprias

Florentino Perez – o presidente do clube desportivo Real Madrid – é o maior acionista da ACS, com cerca de 12,9% do capital:

ACS no TOP10 Madrid 3 - Borja On Stocks

Na estrutura acionista temos também grandes investidores institucionais, como BlackRock, Corporación Financiera Alba, Vanguard, Norges Bank e Santander Asset Management.

A ACS tem vindo a comprar ações próprias…

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…e multiplicando as 270 milhões de ações emitidas atualmente (n.º que desconta as ações próprias) e a cotação nos 21,51 €…

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…obtemos a capitalização bolsista, que está nos 5.808 M€.

3º – Backlog de 66,4 B€

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A ACS custa (5,8 B€) menos de um décimo das obras que tem contratadas (66,4 B€).

4º – Balanço saudável vai ser fortalecido

Nas análises anteriores vimos que a ACS, para uma empresa construtora e de concessões, tinha um balanço relativamente saudável.

No dia 30 de setembro de 2021, segundo a Refinitiv, tinha 7.655 M€ em cash e equivalentes e 11.755 M€ de dívida financeira, ou seja, uma dívida financeira líquida de 4.100 M€.

Só que, nos últimos 12 meses a ACS tem estado em negociações com a Vinci para a alienação do seu segmento de serviços industriais, que é composto essencialmente por ativos de energias renováveis.

Em 1 de outubro de 2020 foi comunicado que a Vinci pretendia adquirir esse segmento por 5,2 B€, sendo que 2,8 B€ seriam em cash e 2,4 B€ em novas ações emitidas pela Vinci .

As negociações continuaram e no dia 1 de abril de 2021 a oferta foi transformada, sendo agora de 4,9 B€, tudo em cash. O negócio ainda está a ser avaliado pelas autoridades regulatórias competentes, pelo que os 4,9 B€ ainda não deram entrada nos cofres da ACS. Porém, como o segmento de serviços industriais é agora um ativo detido para venda, o seu cash (859 M€) já não conta para o cálculo da dívida financeira líquida da ACS, que na apresentação aos investidores de 30 de setembro estava nos 3.573 M€:

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Resumindo, quando os 4,9 B€ de cash da Vinci entrarem a ACS será mais uma daquelas construtoras raras que têm uma posição de net cash positiva!

Para comparação, a Vinci tinha, a 30 de junho de 2021, uma dívida líquida de 20,3 B€.

5º – Lucrativa em 95% dos anos

Nos últimos 20 anos, a ACS só não deu lucro em 2012:

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Contando com o lucro expectável em 2021 – que é capaz de ocorrer apenas em 2022, pois o valor de 1.881 M€ integra a mais-valia que irá ser obtida na venda do segmento à Vinci, cujo fecho poderá ocorrer só em 2022 – o lucro médio anual foi de 797 M€.

Ou seja, uma empresa que lucra qualquer coisa à volta de 800 M€ por ano, que vai passar a ser net cash positiva e custa apenas cerca de 5.800 M€? PER de 7?

Mi gusta mucho, parece uma situação parecida com a da Heijmans, embora numa escala incomparavelmente maior.

Mas, não vai ser este ano que a ACS vai lucrar à volta de 800 M€ (sem efeitos extraordinários, ou seja, sem contar com a mais-valia na venda do segmento), até porque o segmento vendido (Industrial Services) é o que, este ano, está a dar mais lucro:

ACS no TOP10 Madrid 9 - Borja On Stocks

Não contando com a contribuição dos Industrial Services, o lucro nos primeiros nove meses foi de 336 M€, o que anualizado dá 448 M€. Mesmo assim o PER21 é de apenas 13.

De qualquer modo quero selecionar empresas não por aquilo que elas lucram num ano ou noutro, mas naquilo que poderão lucrar anualmente em termos de longo prazo. Os 800 M€/ano parecem-me possíveis em anos “normais” – e 2021, com tanta pandemia, não pode ser considerado um ano normal – e em anos de boom macroeconómico penso que a média de 2006 – 2010, que foi de 1.612 M€, será novamente alcançável.

Aplicando um PER de 16 a 1.612 M€ de lucro obtenho uma valorização de 25.792 M€, que poderá ocorrer, por exemplo, em 2030. Admitindo que a gestão prossegue a sua política de recompra de ações, digamos, ao ritmo de 2% ao ano, em 2030 terá 225 milhões de ações emitidas, pelo que os 25.792 M€ dariam 114,63 € por ação.

Se efetivamente fosse possível vender a ACS por 114,63 € por ação em 2030, o retorno médio anual de um investimento à cotação atual, que é de 21,45 €, seria de 20,5%.

Conclusão

A ACS vai entrar, com 10% do capital e à cotação de fecho de hoje, no TOP10 Madrid. O PAQVH fica nos 114,63 €.

O que é que pode correr mal?

Se as autoridades reguladoras competentes, nomeadamente a Autoridade da Concorrência, bloquear a compra do segmento Industrial Services por parte da Vinci, o balanço da ACS não irá tornar-se tão saudável como previsto. Por outro lado o lucro desse segmento continuará a pertencer à ACS.

Uma recessão económica, nomeadamente na América do Norte e na Austrália, iria naturalmente afetar as margens de lucro da ACS, que são baixas. Por exemplo, em 2022, espera-se que a empresa tenha receitas de 30.431 M€ e um lucro de apenas 640 M€ sem efeitos extraordinários, ou seja, a margem líquida é de apenas 2,1%.

Outro risco é o Florentino Perez ser como os presidentes e ex-presidentes de certos clubes portugueses, nomeadamente o FC Porto e o Benfica, que alegadamente terão negócios menos claros. Penso que uma associação deste género não fará muito sentido porque a ACS é uma empresa gigante, uma das maiores construtoras do mundo, com 89% das suas receitas fora de Espanha, em geografias (Estados Unidos, Austrália, Canadá, Alemanha e Reino Unido) onde seria muito difícil montar qualquer teia de corrupção.

Em termos técnicos não gostaria de ver a ACS abaixo do mínimo pós corona crash, que foi nos 17,45 €…

ACS no TOP10 Madrid 10 - Borja On Stocks

…pelo que a potencial desvalorização que levaria a uma reavaliação seria de 20%.

Disclaimer

Esta publicação é para efeitos meramente informativos e educacionais e não deverá ser entendida como uma recomendação para comprar ou vender ações.

Se entender esta publicação como uma recomendação, tenha em conta que ela é generalista e poderá não ser adequada ao seu perfil de risco, que é único. A sua situação financeira individual não foi tida em consideração pelo Autor da análise, que desconhece o perfil de risco e objetivos de cada um Subscritores do Borja on Stocks.

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