5 passos para começar a investir em Ações

Neste texto vou identificar os 5 primeiros passos que deverão ser dados por qualquer aspirante a ser um investidor de sucesso em ações.

1º Passo: Poupança = Investimento

É muito importante que os investimentos em ações sejam financiados pelo seu rendimento disponível e não com recurso a qualquer tipo de crédito, porque o financiamento através de crédito aumenta consideravelmente os riscos e a pressão que irá sofrer.

Para investir com segurança precisa de começar por poupar uma parte do seu rendimento disponível.

A maior parte das pessoas é incapaz de poupar porque segue este processo: do seu rendimento, gasta o que precisa e depois procura poupar o que sobra. O problema é que normalmente não sobra nada.

O processo correto para poupar e investir é o inverso: do seu rendimento, retira à cabeça a parte para investir e depois é que gasta o que sobra.

Desta forma garante que vai conseguir poupar e investir.

2º Passo: Ações

Ações são títulos que representam a propriedade de empresas e são o ativo com risco que apresenta a melhor relação entre a rendibilidade esperada e o risco em termos de longo prazo. É o ativo por excelência dos pequenos investidores nos mercados financeiros.

O problema de muitos investidores iniciados é que existem uma série de ativos paralelos, chamados derivados, que muitas vezes se confundem com as ações, mas que não são ações e por isso não representam a propriedade das empresas.

Esses ativos financeiros derivados têm diversas caraterísticas que os tornam intrinsecamente mais arriscados do que as ações, nomeadamente a possibilidade de alavancagem, ou seja, permitem investir com muito mais do que se tem, o que invariavelmente leva a perdas e falência dos pequenos investidores iniciados.

Produtos financeiros como CFDs, Warrants, Opções, Futuros, etc não são ações e são extraordinariamente perigosos.

É necessário que à partida decida investir exclusivamente em Ações, ignorando e evitando os produtos financeiros derivados.

3º Passo: escolher a Corretora

No mercado europeu existem muitos bancos e corretoras, que prestam o serviço de intermediação e custódia de ativos financeiros.

Os investidores mais evoluídos reconhecem as vantagens de investir em ações através de uma corretora – que é uma instituição especializada – em vez de ser através de um banco comercial, que não é especializado e por isso costuma ter  sistemas de transação mais lentos e burocráticos e normalmente cobra comissões de transação significativamente mais elevadas.

Por exemplo, é possível, pela mesma transação de 1.000 €, pagar 1 € de comissão de transação numa corretora ou 25 € num banco comercial. As tabelas de preços são muito díspares.

Dentro das corretoras, existem vários tipos e é importante que abra conta numa que seja segura e que tenha os seus interesses em elevada consideração.

No mercado existem corretoras que apelam e promovem especialmente o investimento em ações, mas também existem “corretoras” que apelam principalmente ao “investimento”, ou melhor, trading, em produtos financeiros derivados.

Estas que promovem o trading de curto prazo em derivados muitas vezes atuam como contraparte das transações dos clientes, ganhando quando aqueles perdem, pelo que operam num claro conflito de interesses e têm um incentivo económico para prestar um mau serviço. É muito importante que não abra conta numa corretora deste género que promove derivados como CFDs, Forex, Opções e Warrants.

Tendo conta aberta com algum capital numa corretora para investimento em ações, aparece-lhe um quarto problema, que é: “em que ações investir?”

4º Passo: Análise Fundamental

Existem dezenas de milhares de empresas cotadas no mundo e o investidor particular deverá investir num mínimo de 5 e um máximo de 50, ou seja, deverá sempre diversificar, mas não demasiado.

Então, como escolher essas 5, ou 10, ou 20 ações para investir?

Existem várias correntes de análise que o auxiliam na seleção de ações, sendo as mais conhecidas e aplicadas a Análise Fundamental e a Análise Técnica.

A Análise Fundamental consiste em analisar as ações como sendo parte de um negócio, que terá as suas receitas, lucros e  situação patrimonial. A Análise Técnica tem a ver com analisar as ações através da evolução da cotação e do volume de transações, de forma independente dos fundamentais intrínsecos das empresas.

Estas duas correntes de análise entram muitas vezes em contradição, pelo que o investidor deverá optar por uma.

A Análise Fundamental é a que tem mais racionalidade económica, mas para ser bem feita exige muito mais conhecimento, tempo e trabalho, pelo que é natural que os iniciados optem pela Análise Técnica e por isso tenham uma experiência insatisfatória e fracos resultados.

Se o investidor não tiver capacidade ou tempo para fazer Análise Fundamental poderá delegar essa tarefa em analistas financeiros especializados.

5º Passo: Mentalidade de Longo Prazo

O investimento em ações é uma atividade que só poderá dar bons resultados a longo prazo, pelo que se o seu objetivo é ganhar dinheiro rápido, esqueça.

Depois de comprar umas ações, preferencialmente baseado numa análise fundamental de qualidade, é natural que essas ações demorem vários anos a valorizar até ao ponto previsto e que a evolução entre o ponto atual e o ponto mais elevado do futuro seja tudo menos linear.

É perfeitamente possível e até provável uma ação começar por cair 30% antes de valorizar 150%. Isto significa que o investidor tem de ser dotado de uma mentalidade de longo prazo – vulgo, ter os olhos postos no futuro – para conseguir encaixar as contrariedades que inevitavelmente irão surgir no curto prazo.

Conclusão

Os pequenos investidores que desejem investir em ações devem começar por poupar/investir primeiro e gastar o que sobra, devem comprometer-se a investir exclusivamente em ações (ignorando os produtos financeiros derivados) e devem abrir conta numa corretora que os respeite e tenha interesses económicos alinhados.

Depois disto deverão optar logo pela Análise Fundamental – pensando que estão a investir num negócio e não a jogar no casino – e desenvolver uma mentalidade de longo prazo, para resistirem à intensa volatilidade e inúmeras dificuldades que irão surgir nos primeiros tempos.

César Borja
www.borjaonstocks.com

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