5 ações que vão bater o mercado no 2º semestre de 2026

A ideia que provavelmente vai marcar o segundo semestre de 2026 é:

Finish the Job

Apesar de todo o folclore mediático relacionado com a assinatura do Memorandum of Understanding, nada está a evoluir como acordado.

Após uma breve abertura do Estreito de Ormuz – que serviu essencialmente para o Irão escoar o petróleo que tinha acumulado na Kharg Island (cerca de 40 milhões de barris nos últimos 12 dias) – a Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC) disparou sobre os navios que procuraram transitar pelo Estreito sem a sua autorização expressa.

Após esses ataques, os Estados Unidos retaliaram com bombardeamentos a instalações costeiras do Irão.

O Estreito de Ormuz continua fechado, com apenas 5 passagens nas últimas 24 horas…

…e 485 navios em espera.

O prémio de seguro para passar o Estreito está em 3,5% do valor do navio, ou 23,3 vezes o normal:

Os dois lados estão a “limpar as armas” para eventualmente regressarem à guerra total, com o Presidente Trump a ordenar às empresas norte-americanas de armamento militar que aumentem substancialmente a produção e o Irão também a incrementar a produção interna e as importações dos países mais amigos e poderosos, como a Rússia e a China.

Por outro lado, Israel continua plantado no sul do Líbano e os Estados Unidos assinaram um acordo com o governo do Líbano de modo a assegurar a integridade do seu território. Esta situação até pode parecer um conflito entre os Estados Unidos e Israel, mas não é; na realidade é uma aliança tripartida entre os Estados Unidos, o governo do Líbano e Israel contra o Hezbollah, o grupo armado que serve os interesses de Teerão a partir do sul do Líbano.

Esta aliança tripartida é mais uma afronta à República Islâmica do Irão que, em retaliação, essencialmente voltou a fechar, ainda que de forma não declarada, o Estreito de Ormuz.

O presidente Trump, pressionado pelo lobby de Israel e os neocons do Partido Republicano, está “desejoso” de voltar à guerra com o Irão, porém o Department of War (a mudança de nome diz tudo!) precisa de tempo para preparar melhor a nova ofensiva, que provavelmente envolverá uma invasão terrestre, que infelizmente será causadora de dezenas de milhares, senão mesmo centenas de milhares de vítimas.

Este cenário pesaria muito na popularidade de Trump, que provavelmente preferirá adiar esta segunda operação Epic Fury (que se calhar vai mesmo chamar-se “Finish the Job”) para depois das midterm elections, que se realizarão no próximo dia 3 de novembro.

No entanto, com os tambores de guerra a rufar, os investidores deverão antecipar esse desenlace, pelo que o momento de agir no mercado é agora!

Reparem que, obviamente, eu não influencio os desenvolvimentos, apenas procuro analisá-los da forma mais objetiva possível (ou seja, com os dados no terreno, em vez de ser através das declarações políticas divulgadas pelos media e da intensa manipulação de mercado por parte de Trump), de modo a gerar outperformance no mercado de ações para os Subscritores do Borja on Stocks.

De que modo é que se poderá aproveitar, no mercado de ações, esta perspetiva sombria?

Uma das consequências óbvias do fecho prolongado do Estreito de Ormuz é a subida do preço do petróleo que, curiosamente, veio fechar o gap que tinha aberto no início da guerra:

O petróleo voltou à base, enquanto que a escassez de oferta continua, pelo que faz sentido que o preço volte a subir.

A minha expetativa continua a ser de que o barril de Brent eventualmente ultrapasse os $200 por barril.

Nesse caso, faz sentido ir investindo em algumas plays do setor Oil & Gas.

Nesta ocasião estamos a selecionar um portefólio super concentrado, com apenas 5 ações, em que uma delas, necessariamente, será do setor Oil & Gas.

Entretanto, devido à subida anterior do preço do petróleo – e porque, efetivamente, são máquinas melhores que praticamente não necessitam de manutenção – tem havido uma transição mais rápida para os carros elétricos.

Se o preço do petróleo subir mesmo até valores acima de $200, eu diria que já ninguém vai querer um carro a combustão e os elétricos irão finalmente reclamar o trono do mercado automóvel global.

Assim sendo, faz sentido ter uma play que tenha a ver com carros elétricos, ou carregamento de carros elétricos ou, no mínimo, da transição energética.

Se o preço do petróleo subir, isso trará muita volatilidade e volume ao mercado de commodities em termos gerais, pelo que será boa ideia ter uma play que beneficie desse desenvolvimento.

A tensão geopolítica – e a sobrevalorização do mercado – deverão provocar bastante volatilidade em todo o tipo de ativos financeiros, logo faz sentido investir em pelo menos uma empresa que usufrua do aumento da volatilidade nos mercados financeiros.

Finalmente, uma nova escalada no conflito do Golfo Pérsico levará o regime da República Islâmica do Irão a ativar todas as suas forças, incluindo os Houthis no Iémen, de modo a fechar também o Bab el-Mandeb, o estreito que tem somente 30 km de largura e que liga o Oceano Índico ao Mar Vermelho:

26_6_30_3

O Irão já viu que basta atacar alguns navios (que muitas vezes valem centenas de milhões ou mesmo milhares de milhões de euros) para causar uma paragem quase total do tráfego.

O fecho simultâneo dos dois estreitos (Ormuz e Bab el-Mandeb) provocará uma nova grande subida das taxas de frete no transporte marítimo de contentores e eu tenho aqui uma play perfeita para aproveitar esse potencial desenvolvimento.

Como podem ver, esta é uma aproximação top to bottom, focada num cenário específico, que poderá não se concretizar – e oxalá não se concretize!

Não é nada recomendável que se invista num portfólio tão concentrado e monotema como este.

Ainda assim, de seguida apresento as minhas 5 Ações para o 2º semestre de 2026, que são retiradas do conjunto de 41 ações atualmente recomendadas – e assiduamente analisadas – no Borja on Stocks.

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