O objetivo deste relatório é identificar uma potencial 100-Bagger, ou seja, uma ação que tem a possibilidade de transformar cada 1.000 € de investimento em 100.000 €.
As 100-Baggers são raras, mas não tão raras como muitos investidores podem pensar à partida.
Já foram feitos vários estudos que identificaram 100-Baggers nos mercados norte-americanos, sendo que dois desses estudos resultaram em livros que estão à venda na Amazon.
O primeiro livro é um clássico publicado em 1972 que cobre o período entre 1932 e 1971. Nesse livro, o autor, Thomas Williams Phelps, identifica 365 ações que foram 100-Baggers, sendo que o n.º não é exaustivo, pois foram colocadas algumas condições que excluíram bastantes 100-Baggers.
O segundo livro, publicado em 2015 por Christopher W. Mayer, cobre os 42 anos entre 1962 e 2014 e curiosamente identificou exatamente o mesmo n.º de 100-Baggers, ou seja, 365 ações. Neste caso a restrição era que as empresas tinham de ter, à partida, uma capitalização bolsista superior a $50 M.
Finalmente, algures em 2020 promovi, com a ajuda dos programadores do software de análise técnica Metastock, um estudo mais modesto que procurava identificar 10-Baggers, ou seja, ações que tinham multiplicado por dez vezes o capital investido, no período 1980 – 2020.
A restrição era que as ações tinham de ser listadas na NYSE ou Nasdaq, ou seja, as do OTCBB e Pink Sheets estavam excluídas à partida.
Encontrámos 1.186 ações que foram pelo menos 10-Baggers e de caminho encontrámos também 347 ações que foram pelo menos 100-Baggers e, pasme-se, 39 ações que foram 1000-Baggers, ou seja, que multiplicaram por mais de mil vezes o capital investido. Dessas 39 ações há 35 que ainda são cotadas. Produzi um vídeo no YouTube com os gráficos dessas 35 ações, identificando o mínimo e o máximo histórico de cada uma.
Nesse lote muito restrito de 1000-Baggers encontrámos nomes famosos, como Adobe, Apple, Amazon, Berkshire Hathaway, Biogen, Cisco, Monster Beverage, Netflix e Oracle, mas também nomes desconhecidos do grande público investidor, como por exemplo Medifast, Middleby, Stryker, The Progressive e Royal Gold.
Tendo em conta que, desde 1980, houve 39 ações que subiram mais de mil vezes, qual teria sido a probabilidade de acertar numa dessas?
Segundo o site Statista…
…a NYSE tem 2.434 empresas cotadas e o Nasdaq tem 3.566, o que, é curioso, dá um total de exatamente 6.000 ações.
Assim sendo, a probabilidade de se ter acertado numa 1.000-Bagger era de 39 / 6.000 = 0,65%, ou seja, era extremamente improvável.
E qual seria a probabilidade de se acertar numa 100-Bagger?
Seria 347 / 6.000 = 5,8%, o que continua a ser improvável, mas possível.
Aliás, esta estatística mostra que, investindo num portfolio diversificado de 20 ações norte-americanas, é provável que pelo menos 1 delas seja uma 100-Bagger.
Investindo, imagine-se, $1.000 em cada ação e num total de 20 ações, ou seja, $20.000 no total, essa única 100-Bagger prometeria trazer um retorno elevado ao seu portfolio, mesmo que as outras 19 ações fossem um desastre completo.
Nesta altura costumam surgir dois problemas, ou interrogações:
1ª – Mas como é que se compram ações perto do mínimo?
2ª – Mas quanto tempo é que isso demora?
A resposta à primeira pergunta é que é praticamente impossível acertar no mínimo, aquilo a que se pode legitimamente aspirar é a comprar ações subavaliadas. Como é que se vê se uma ação está subavaliada? Através da Análise Fundamental, mas já lá iremos para o caso concreto da potencial 100-Bagger que motivou a produção deste relatório.
Muitas vezes não será possível “sacar” 100 bags de uma 100-Bagger, mas quem é que se vai queixar de ganhar “somente” 20 ou 30 bags, ou seja, de multiplicar por 20 ou 30 vezes o capital investido?
Em relação ao tempo que demora, Phelps, o autor do tal clássico, tem uma frase muitíssimo interessante:
É preciso paciência. Muita paciência…
Mas quanta?
No meu estudo temos a data do mínimo e do máximo de cada ação o que nos permite calcular que, em média, as 347 ações que subiram mais de 100 bags, demoraram 25,2 anos a percorrer esse caminho.
Só 33 ações, ou menos de 10%, demoraram menos de 10 anos.
Portanto, é necessária mesmo muita paciência, com a dificuldade adicional de existirem sempre dúvidas se estamos perante uma 100-Bagger ou não.
Ainda está interessado em saber qual é a ação que considero ter potencial para subir os 100-bags nos próximos 25 anos? É possível que não esteja, e nesse caso pode parar de ler por aqui… cada um pode e deve investir da forma que julgar mais conveniente.
…
…
O quê, ainda está aqui?
Então vejamos, se uma ação subir 100 bags, ou 10.000%, nos próximos 25 anos, qual será a taxa média anual de retorno?
Será 20,2%, uma taxa de retorno realmente muito elevada, mas possível em termos economicamente racionais… se nos últimos 40 anos existiram 347 empresas cotadas que cresceram a um ritmo superior a esse, porque é que não haveria de existir também algumas centenas dessas nas próximas décadas?
Devo referir que, mesmo que porventura esteja certo na previsão que vou fazer (as possibilidades são bastante reduzidas, mas tal não me impede de arriscar), o caminho será repleto de incertezas, oscilações, notícias negativas, recessões macroeconómicas, maus resultados, eventos geopolíticos, etc, etc.
Vai ser necessária muita paciência, mas também muito estômago para aguentar a turbulência.
Também é importante fazer o seguinte aviso: você nunca deverá investir uma parte significativa do seu capital numa única ação!
A diversificação é uma das regras básicas de qualquer estratégia de controlo do risco e é essencial para que possa ter uma carreira longa e frutuosa de investimentos no mercado de ações.
Mas, podemos e devemos procurar aumentar as probabilidades de sucesso nos nossos investimentos. E como é que se pode fazer isso?
Analisando centenas de ações por ano, que é o que fazemos no Borja on Stocks, onde, desde a fundação em agosto de 2015, já publicámos mais de 2.400 análises fundamentais a mais de 800 ações cotadas na Europa e nos Estados Unidos.
A história de investimento que lhe vou trazer hoje não surgiu por acaso… é a seleção de 1 ação em mais de 800 ações que conhecemos profundamente e acompanhamos regularmente.
Mas antes de lhe divulgar qual é exatamente a ação e de lhe explicar porque é que tem tanto potencial, há que começar por uma análise setorial, para lhe dar o contexto macro necessário.
Desde 1965 o consumo global de energia aumentou cerca de 260%…
…enquanto a população global subiu cerca de 140%, dos 3,3 mil milhões em 1965 para 7,9 mil milhões atualmente.
Os combustíveis fósseis, nomeadamente o petróleo, o carvão e o gás contribuem com mais de 80% da oferta global de energia:
Estas são as 10 maiores empresas do mundo do setor de Oil & Gas…
…e têm um valor de mercado combinado de $3.668 Billion!
Apesar do fortíssimo investimento dos últimos anos, as fontes de energia renováveis e limpas, como a eólica e a solar, ainda só contribuem com 2,4% da oferta global de energia.
As 10 maiores produtoras de turbinas eólicas têm um valor de mercado combinado de $71 B e as 10 maiores produtoras de painéis solares…
…têm um valor de mercado total de $110 B, ou seja, as dez maiores eólicas e solares, em conjunto, têm um valor de mercado de $181 B, ou 4,9% do valor de mercado das dez maiores empresas de Oil & Gas.
Entretanto, em 12 de dezembro de 2015 foi assinado por 195 países o Acordo de Paris, que tem o objetivo de conter a subida da temperatura global a 2° Celsius, preferencialmente 1,5°, até ao final do século. Os países signatários comprometeram-se a estabelecer planos de redução das emissões de gases de estufa para a atmosfera a partir de 2020 e a pandemia, pelo arrefecimento económico que provocou, veio dar um impulso inesperado na direção dos objetivos de longo prazo. Porém em 2021 as emissões voltaram a aumentar, com a China a ser o país mais poluente:
Atualmente praticamente todos os países do mundo têm um plano de descarbonização com metas mais ou menos ambiciosas.
A China quer atingir o pico das suas emissões antes de 2030 e a neutralidade carbónica (zero emissões líquidas) até 2060.
Nos Estados Unidos, o Presidente Biden, no 1º dia em que tomou posse, reafirmou o compromisso com os Acordos de Paris e estabeleceu a meta de reduzir a emissão de gases poluentes para a atmosfera em 50% a 52% até 2030 (em relação aos níveis de 2005) e atingir a neutralidade carbónica em 2050.
A União Europeia parece estar a liderar este movimento a nível global e mostra-se a mais ambiciosa (embora seja responsável por apenas 7,7% das emissões) e pretende reduzir as suas emissões de gases de estufa em 55% até 2030 (face ao nível de 1990) e atingir a neutralidade carbónica em 2050.
A Índia, que atualmente emite 7,5% dos gases poluentes do mundo, também está bastante comprometida com o processo de descarbonização e quer obter 50% da sua energia de fontes renováveis no ano de 2030, ainda que só planeie atingir a neutralidade carbónica em 2070.
Para resumir este capítulo, a situação atual é que mais de 80% da energia do mundo é obtida a partir de fontes poluentes (petróleo, carvão e gás) e o mundo está unido e necessita mesmo de mudar esta situação.
Para esta mudança estrutural, dos combustíveis fósseis e poluentes para as energias limpas e renováveis, estão previstos investimentos brutais, públicos e privados.
Os grandes objetivos globais e os investimentos associados em princípio irão provocar uma transferência progressiva de valor das big oil para as empresas produtoras de energias limpas e renováveis, mas há algo que começa a ficar claro para toda a gente: é que a energia eólica e a energia solar têm limitações e vai ser preciso mais, muito mais, para alcançar os objetivos de descarbonização do planeta.
Em primeiro lugar, apesar do crescimento das fontes primárias de energia limpas e renováveis (hídrica, eólica e solar – há quem inclua aqui também a energia nuclear, mas é um tema controverso), a maior parte da produção de eletricidade continua a depender da queima de carvão e gás:
Cerca de 63% da produção de energia elétrica continua a ter como fonte primária o carvão, gás e petróleo.
Sobre isto tenho uma história curiosa: quando estava a tirar a Licenciatura em Economia tive uma cadeira de Economia da Energia, que incluiu uma visita guiada com responsáveis da REN (quando esta ainda pertencia ao grupo EDP) à central do Carregado. Isto foi para aí em 1998. Lembro-me de na altura o diretor da REN estar muito satisfeito com as centrais termoelétricas, alimentadas a petróleo, carvão, gás natural… ele disse assim: “antigamente para gerar mais eletricidade tínhamos de ter um rio com caudal suficiente, identificar um ponto favorável, construir uma barragem enorme… tudo isto podia levar mais de uma década. Agora em 6 meses construímos uma central termoelétrica e resolvemos o problema”. Nessa altura o barril de petróleo estava a menos de $10…
…e ninguém estava preocupado com o clima ou o aquecimento global. Foi mais a partir de 2006, quando o ex vice-presidente Al Gore produziu o documentário e livro An Inconvenient Truth, que o mundo despertou para o problema do aquecimento global. Além disso o brent crude oil subiu até aos $150 por barril e a central do Carregado foi desativada em 2010, estando agora, em 2022, a ser desmantelada.
A realidade, efetivamente, muda!
É necessário continuar a substituir os combustíveis fósseis por fontes primárias limpas e renováveis e esta necessidade justifica o crescimento potencial das indústrias produtoras de turbinas eólicas e painéis solares.
Mas é provável que o crescimento destas indústrias não seja suficiente e que para a produção de energia elétrica também seja necessário um combustível que é muito abundante na natureza, não é fóssil, é limpo e renovável.
Em segundo lugar, existem muitas indústrias que usam combustíveis fósseis diretamente, pelo que em termos de consumo de energia total, o peso do petróleo, carvão e gás é ainda maior:
O gráfico acima mostra que, apesar da geração de energia elétrica advir em 63% dos combustíveis fósseis, em termos de produção de energia total, já são 84%!
A diferença vê-se principalmente no petróleo, que contribui com apenas 3,1% para a geração de eletricidade, mas 33,1% para a energia total.
O petróleo é usado principalmente para a produção de gasóleo e gasolina que são os combustíveis que propulsionam os veículos, ligeiros e pesados.
Nos veículos ligeiros já está a haver uma transição visível, com as vendas de carros elétricos a crescerem 109% em 2021, para 6,5 milhões de veículos, atingindo uma quota de mercado global de 9%. Esta mudança nota-se especialmente na China, cujos condutores foram responsáveis por metade das compras de carros elétricos do mundo, com os elétricos a atingirem uma quota de 15% na China em 2021.
Mas nos transportes pesados, como camiões, autocarros, comboios, navios e aviões a eletrificação é muito mais difícil e talvez indesejável. Na próxima parte explico porquê.
Depois há indústrias que, no seu processo produtivo, necessitam de gerar temperaturas muito elevadas (mais de 1000° centigrados), como por exemplo as de produção de aço, cimento, vidro, certos químicos, etc e essas temperaturas são muito difíceis de atingir sem a queima de algum combustível, pelo que não são eletrificáveis.
Aqui, novamente, vai ser preciso substituir a queima de combustíveis fósseis pela queima de um combustível que não gera emissões de gases poluentes para a atmosfera.
A densidade energética mede a quantidade de energia em relação ao peso.
O rácio mais comum é o MJ/Kg, ou Megajoule por Kg, sendo que 1 MJ é equivalente a aproximadamente 278 Watts por hora.
Comparemos então a densidade energética de uma bateria de iões de lítio com outras fontes de energia:
Em relação ao gasóleo e gasolina, a bateria precisa de pesar cerca de 90 vezes mais para conter o mesmo nível de energia.
Por exemplo, 20 litros de gasolina pesam cerca de 14,7 Kg e, num carro que gaste 6 litros aos 100 Km, permitem percorrer 333 Km.
Para o carro elétrico ter o mesmo nível de autonomia, teoricamente a bateria teria de pesar (45,8/0,5)*14,7 = 1346 Kg. Não é exatamente assim porque uma coisa é a capacidade de armazenamento de energia, outra é o poder energético, mas existe uma forte correlação.
O peso da bateria é compensado, nos carros elétricos, pela ausência de componentes bastante pesados, como por exemplo o próprio motor de combustão.
Mas vejamos o caso de um veículo pesado. Um camião TIR tem um depósito com capacidade para 1.000 litros de gasóleo que pesam 735 Kg que, gastando 28 litros aos 100 Km, lhe permitem percorrer 3.571 Km. Para substituir o depósito de gasóleo por uma bateria, essa bateria teria de pesar (45,3/0,5)*735 = 66.591 Kg!
Podemos admitir que a tecnologia das baterias está a melhorar, mas na pesquisa que fiz a densidade energética mais elevada que encontrei foi 0,72 MJ/Kg.
Tendo em conta esta bateria muito avançada e que seria aceitável que o camião TIR tivesse uma autonomia de apenas 1.000 Km, mesmo assim a bateria teria de pesar 5.717 Kg.
Já torna a situação mais possível e algumas empresas, como por exemplo a Tesla, estão a lançar modelos de camiões elétricos, como o Tesla Semi, que promete uma autonomia de 300 a 500 milhas, ou cerca de 500 Km a 800 Km. Resta saber se uma autonomia tão baixa será apelativa para as empresas de transporte de mercadorias.
Repare-se na tabela acima que o hidrogénio tem uma densidade energética muito mais alta que as outras formas de combustível. Para obter o mesmo nível de energia, seria necessário 284 vezes menos peso em hidrogénio que em bateria e menos de 1/3 do peso do gasóleo.
É por ser três vezes mais leve que a gasolina e o gasóleo (e fornecer o mesmo nível de energia) que o hidrogénio parece ser a solução mais apropriada para a propulsão de veículos pesados, como camiões, autocarros, comboios, navios e aviões.
Por exemplo, a Airbus já está a desenvolver protótipos de aviões movidos a hidrogénio, com lançamento comercial previsto em 2035. Aqui está o Zeroe:
O hidrogénio também tem a vantagem de, quando queimado, libertar apenas vapor de água e oxigénio para a atmosfera, ou seja, é um combustível com emissões zero.
Mudando agora ligeiramente de assunto, o maior problema da energia eólica e da energia solar é serem intermitentes. Por vezes está muito vento, noutras não corre uma aragem… numas vezes está um sol abrasador, noutras nublado, a chover ou… é de noite. As redes elétricas não suportam muita volatilidade e existe frequentemente uma desconexão entre a procura e a oferta de energia elétrica, pelo que muita energia renovável é desperdiçada.
Num mundo ideal a energia produzida nos excessos de vento e sol seria armazenada para ser utilizada quando não houvesse vento, nem sol. E como é que se faz isso?
Naturalmente, através de baterias, como por exemplo esta powerwall doméstica da Tesla…
…ou estas baterias de escala industrial da Canadian Solar:
Outra forma de armazenar energia elétrica é convertê-la em hidrogénio, que fica armazenado nestes cilindros…
…para utilização futura.
Qual é a forma de armazenamento mais vantajosa?
Depende da utilização final.
Se o objetivo for voltar a usar a energia elétrica, as baterias mostram-se mais vantajosas, porque o processo de conversão de eletricidade para hidrogénio e depois novamente para eletricidade gera muitas perdas de energia, ou seja, é pouco eficiente do ponto de vista energético.
Mas se o objetivo for a injeção do hidrogénio nas redes de gás natural (com o fim último de o substituir), ou a propulsão de veículos pesados, ou o fornecimento de energia à indústria pesada, nesse caso já será preferível armazenar o excesso de eletricidade produzida pelo vento e sol sob a forma de hidrogénio.
As duas formas de armazenamento do excesso de produção de energia renovável parecem ser complementares.
Uma das desvantagens das baterias é dependerem da mineração de lítio e outros materiais e essa atividade mineira poder ser altamente poluidora e destruidora de habitats naturais.
Curiosamente Portugal – sim, o nosso cantinho – tem as maiores reservas de lítio da Europa (60 mil toneladas) e as 6ªs maiores do mundo (39 milhões de toneladas, ou seja, Portugal tem 1,5% das reservas mundiais), pelo que o governo quer transformar o país num dos produtores relevantes. Em 2020 Portugal produziu 900 toneladas, ou 1% da produção mundial, numa tabela que é liderada pela Austrália:
39 milhões de toneladas de lítio não parece ser assim muito, pois a Tesla sozinha gastou 18.700 toneladas em 2020. Agora imagine-se a quantidade de lítio necessária para milhões daquelas baterias de escala industrial, para armazenar o excesso de produção do vento e do sol.
Entretanto o preço do lítio disparou, o que deixou Elon Musk apreensivo e a pensar se a Tesla não terá de entrar diretamente no negócio de mineração e refinação de lítio:
Ele diz que o problema não é a escassez do metal, mas o ritmo lento de extração e refinação, que não consegue acompanhar o aumento de procura. Mas a prazo também parece que vai haver um problema de escassez, a não ser que sejam descobertas mais reservas, num processo semelhante ao do petróleo.
É necessário que a mineração e refinação de lítio seja um processo o menos poluente possível, senão voltamos ao mesmo problema das emissões de gases poluentes para a atmosfera, não contando com os outros problemas ambientais da mineração.
Na escola aprendemos que o símbolo químico da água é H2O…
…o que significa que 1 molécula de água é constituída por 2 átomos de hidrogénio mais 1 átomo de oxigénio. O hidrogénio pode ser obtido através de um processo chamado eletrólise da água, que separa o hidrogénio do oxigénio.
Mas existe hidrogénio em muito mais sítios – é aliás o elemento mais abundante no universo, correspondendo a 75% de toda a matéria – e pode ser obtido facilmente e de forma barata através de um processo chamado steam methane reforming (SMR), que basicamente consiste na queima de combustíveis fósseis, especialmente carvão e gás natural.
Atualmente o hidrogénio é usado principalmente na refinação de petróleo e produção de amoníaco e é um mercado que vale $150 B por ano.
O hidrogénio é um combustível incolor e invisível, mas foi-lhe atribuído um sistema de cores – que não é unânime, nem universal – tendo em conta a sua origem:
O desafio do mundo passa por aumentar exponencialmente a produção de hidrogénio verde, diminuindo o seu custo para uma fração do atual.
Para vencer este desafio são necessários e estão a ser implementados subsídios estatais massivos, tal como aconteceu há duas décadas com as energias eólica e solar, sendo que atualmente a solar já é a forma de produção de energia mais barata:
Em relação ao hidrogénio verde, espera-se que os subsídios estatais sejam o catalisador para investimentos privados muitíssimo avultados. Por exemplo, em Portugal estima-se que, até 2030, serão investidos 7 mil milhões de euros (B€) no hidrogénio verde e no conjunto da União Europeia o investimento está projetado em 430 B€ até 2030, dos quais 145 B€ deverão ser subsídios estatais.
No mundo todo, estima-se que em 2050 o hidrogénio representará 18% da energia fornecida aos utilizadores finais, evitando a emissão de 6 mil milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera por ano, gerando $2,5 Trillion de receita anual a uma indústria que empregará 30 milhões de pessoas.
Progressivamente o hidrogénio verde poderá ir substituindo o petróleo na propulsão de veículos pesados (camiões, autocarros, comboios, navios e aviões) e substituindo o gás natural para a indústria pesada e o aquecimento de edifícios.
O hidrogénio verde pode ir sendo misturado com o gás natural nas condutas (que em alguns casos necessitam de revisões e adaptações, para evitar qualquer fuga) e, como vimos, pode ser armazenado naquelas botijas para transporte e utilização futura.
A União Europeia – provavelmente por ter poucos recursos em combustíveis fósseis – está mais uma vez a liderar o mundo na transição para o hidrogénio verde.
Na Euronext Paris existem algumas ações cotadas que são plays relativamente puras no hidrogénio e que já foram analisadas no Borja on Stocks, como por exemplo a McPhy Energy, que se dedica ao fabrico de eletrolisadores, a Hydrogen Refueling Solutions, que tem estações de carregamento de veículos a hidrogénio e a Hydrogène de France, que pretende transformar energia renovável em hidrogénio e depois novamente em eletricidade on demand.
A ação que eu considero ter potencial para ser uma 100-Bagger não é uma destas, é sediada na Irlanda, por enquanto tem operações principalmente em Portugal e é cotada em Nova Iorque, no Nasdaq.
Para conhecer profundamente esta empresa da indústria do hidrogénio, que é cotada no Nasdaq e que tem potencial para multiplicar por 100 o capital investido, obtenha o 100-Bagger Report completo, que tem 60 páginas.
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